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Nobel de Química premia cientistas pelo uso de IA em proteínas, acelerando o desenvolvimento de medicamentos

Jornal Nacional   14 Novembro 2024   1483   Indústria Farmacêutica
Nobel de Química premia cientistas pelo uso de IA em proteínas, acelerando o desenvolvimento de medicamentos

Vencedores, dois americanos e um britânico, levam o prêmio de 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 5,8 milhões). As láureas em Literatura e Paz serão entregues ainda nesta semana; já a de Economia será divulgada na próxima segunda (10).

David Baker, Demis Hassabis e John M. Jumper são os ganhadores do Prêmio Nobel 2024 em Química, anunciou a Academia Real das Ciências da Suécia nesta quarta-feira (9).

Baker e Jumper são americanos. Já Hassabis, que ajudou a fundar a empresa de pesquisa em inteligência artificial que mais tarde se transformou no Google DeepMind (onde Jumper também trabalha), é britânico.

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Eles dividirão o prêmio que totaliza 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 5,8 milhões).

Eles levam a láurea deste ano por decifrarem os segredos das proteínas (moléculas fundamentais para as nossas células e, consequentemente, para a vida) por meio da inteligência artificial (IA) e da computação.

Na última terça (8), o Nobel de Física também premiou pesquisas sobre aprendizado de máquina e redes neurais artificiais, estudos fundamentais para o desenvolvimento da IA.

"Os químicos há muito sonham em entender e dominar completamente as ferramentas químicas da vida – as proteínas. E esse sonho agora está ao nosso alcance", afirmou o comitê do Nobel, em um comunicado.

Hassabis e Jumper usaram inteligência artificial para mapear quase todas as estruturas de proteínas já conhecidas pela ciência. Já Baker conseguiu criar proteínas inéditas.

"As implicações dessas descobertas são enormes", acrescentou o comitê.

No ano passado, o prêmio de Química foi para três cientistas pela descoberta e pelo desenvolvimento de pontos quânticos, nanopartículas tão pequenas que o seu tamanho determina as suas propriedades.

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Desde 1901, mais de cem prêmios foram concedidos. A distinção científica só não foi realizada em oito ocasiões: em 1916, 1917, 1919, 1924, 1933, 1940, 1941 e 1942.

Os vencedores

David Baker, nasceu em 1962 em Seattle, Washington (EUA), e é professor na Universidade de Washington. Ele foi premiado com o Nobel de Química de 2024 por suas contribuições na área de design computacional de proteínas, processo que cria essas macromoléculas através da manipulação de uma sequência de aminoácidos.

Segundo a Academia Real das Ciências da Suécia, suas inovações abriram caminhos para a rápida criação de várias proteínas, com aplicações em medicamentos e vacinas, por exemplo.

Já Demis Hassabis, nasceu em 27 de julho de 1976, em Londres (Reino Unido), é o CEO da Google DeepMind, uma subsidiária de pesquisa em inteligência artificial do Google.

Sua pesquisa permitiu a previsão da estrutura de praticamente todas as 200 milhões de proteínas identificadas até hoje.

Por fim, John Jumper, nasceu em 1985 em Little Rock, Arkansas (EUA), e também trabalha na Google DeepMind como cientista de pesquisa sênior.

Junto com Hassabis, ele apresentou o modelo de inteligência artificial AlphaFold2 em 2020, que revolucionou a forma como os cientistas entendem as estruturas proteicas (entenda mais abaixo).

Os laureados dividirão as 11 milhões de coroas suecas conforme suas contribuições. Baker receberá metade do valor, enquanto Hassabis e Jumper dividirão a outra metade, com cada um recebendo um quarto (1/4).

"Estou realmente empolgado com todas as maneiras pelas quais o design de proteínas pode tornar o mundo um lugar melhor na saúde e na medicina, e realmente, fora da tecnologia", afirmou Baker, na coletiva de imprensa sobre o prêmio.

O comitê do Nobel afirmou que Baker foi reconhecido por criar novos tipos de proteínas que não existem na natureza, algo muito importante para o desenvolvimento dessas moléculas com funções inovadoras, como na criação de medicamentos, vacinas, nanomateriais e pequenos sensores.

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