Assuntos regulatórios ganham importância na logística farmacêutica
Quinta-feira, 15 de setembro de 2011
A logística do setor médico hospitalar farmacêutico acompanhou este crescimento e teve um salto significativo devido ao fortalecimento da indústria nacional, com o advento dos medicamentos genéricos e também através da abertura comercial possibilitando a entrada de novas marcas no mercado médico hospitalar.
Hoje a indústria farmacêutica brasileira é composta de mais de 500 empresas e é o maior mercado na América Latina. Elas representam um valor total de mercado de aproximadamente US$ 17 bilhões em 2009, com forte crescimento no período. O Brasil passou a ocupar posição relevante entre os maiores mercados farmacêuticos mundiais. De acordo com dados elaborados pelo Sindusfarma a partir de informações oficiais, as importações brasileiras de produtos farmacêuticos em 2009 atingiram cerca de US$ 4,48 bilhões.
O país passou a ser visto como promissor e multinacionais do setor médico hospitalar farmacêutico instalaram fábricas ou se estabeleceram através da importação e distribuição.
O governo brasileiro criou programas de incentivo para as indústrias nacionais do setor de produtos para saúde.
Esta nova situação do país, conjuntamente a programas do governo garantiu à população o direito ao acesso a medicamentos e ao setor médico hospitalar permitiu o uso de equipamentos e materiais mais seguros e de tecnologia de ponta, que possibilitaram melhor qualidade de vida aos pacientes.
Para atender este crescimento ocorreu uma revolução na logística dos produtos de interesse à saúde. O mercado promissor permitiu o fortalecimento da figura do distribuidor e do transportador especializados para este setor, uma vez que a indústria voltou a sua atenção ao seu “core business” e terceirizou esta etapa operacional, e com o crescimento de importações surgiu também a figura do operador logístico.
A terceirização da operação logística é um fato que existiu em todos os setores da economia devido à redução de custo, agilidade na entrega, foco no “core business”, estratégia, incorporação de competências, redução de estoques, flexibilidade às mudanças de volume de negócio, etc. Isto não poderia ser diferente para a área de produtos de interesse à saúde, uma vez que a competitividade depende da qualidade dos produtos, serviços e redução de custos. A terceirização foi necessária para garantir o desenvolvimento do setor.
Neste cenário ocorreram avanços nos aspectos da legislação sanitária na cadeia da logística do medicamento e da regulamentação da profissão farmacêutica, devido à necessidade primordial de manutenção da segurança e integridade dos produtos farmacêuticos. Através da Portaria MS nº 802/1998 foi estabelecido o Sistema de Controle e Fiscalização em toda a cadeia dos produtos farmacêuticos. As empresas responsáveis por cada uma destas etapas são solidariamente responsáveis pela qualidade e segurança dos produtos farmacêuticos objetos de suas atividades específicas.
O Farmacêutico Responsável passou a ser elemento fundamental em toda a cadeia logística farmacêutica, pois é o único profissional que está legalmente habilitado para responder tecnicamente pelas empresas da cadeia logística do medicamento, tem o dever de cumprir e fazer cumprir a legislação sanitária e profissional sobre as atividades realizadas pelos referidos estabelecimentos. Dependendo do porte e atividade da empresa o responsável técnico efetua sozinho as atividades relacionadas a assuntos regulatórios ou tem uma equipe ou até mesmo contrata empresas especializadas para dar suporte na elaboração dos processos e garantir a regularização da empresa perante os órgãos sanitários. A responsabilidade técnica para a área de produtos médico e hospitalar não é exclusiva do farmacêutico, pode ser exercida por um profissional da saúde ou engenheiro, quando se tratar de equipamentos, habilitado e tecnologicamente capacitado para exercer a função.
Para o desenvolvimento das atividades referentes a assuntos regulatórios na cadeia logística, o profissional deve conhecer a legislação sanitária pertinente às atividades da empresa e manter-se atualizado, ter conhecimento técnico dos produtos, entender como funcionam os processos administrativos das entidades regulatórias, conhecer as atividades que envolvam diversos assuntos como Qualidade, Ambiental, Gestão Pessoal e Comercial, entre outros.
O grande desafio para o profissional que trabalha em Assuntos Regulatórios para a cadeia logística é garantir a conformidade regulatória durante todo o processo, atender às demandas crescentes, suportar a pressão por prazos reduzidos, urgências e gerenciamento de crises, acompanhar e adequar a empresa à constante mudança na legislação em curto espaço de tempo, mantendo as licenças, autorizações e certificações necessárias ao funcionamento da empresa atualizadas, garantir o processo logístico com qualidade e segurança, com produtos legalizados e empresas legalizadas, dar suporte aos clientes, representar a empresa perante os órgãos fiscalizadores do governo e desenvolver atividades e ações na área de vigilância sanitária.
Para os profissionais que querem se especializar na área de assuntos regulatórios em logística, o campo é promissor e este é o momento de oportunidades para ingressar na área devido ao aquecimento do mercado.
Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de Marcus Andrade e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

















