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Novartis estuda trazer ao Brasil terapia celular até o próximo ano

Marcus Andrade   10 Fevereiro 2020   8348   Indústria Farmacêutica
Novartis estuda trazer ao Brasil terapia celular até o próximo ano

Segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Seis meses depois de assumir o comando da operação do grupo Novartis no Brasil, Renato Carvalho trabalha junto ao Ministério da Saúde e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para trazer ao país terapias inovadoras, como a celular, até o próximo ano. Carvalho, que era o responsável pela subsidiária da Phillips no Brasil até julho do ano passado, afirma que um dos pilares de sua gestão na farmacêutica suíça será o acesso à essas terapias pelo Sistema Único da Saúde (SUS).

“Não adianta ter essas tecnologias se não chegam à população. Por isso, estamos conversando com o Ministério da Saúde para ver maneiras de viabilizar esses tratamentos no SUS. Há possibilidades como o compartilhamento de risco ou até mesmo um funding (financiamento) em que a Novartis bancaria parte do custo”, disse Carvalho ao Valor.

A novidade que a Novartis está discutindo com o Ministério da Saúde é a chamada CAR-T Cell, um tipo de terapia celular 100% individualizada. No CAR-T Cells as células de defesa (linfócitos T) são extraídas do corpo do paciente e moldadas em laboratório para se tornarem mais agressivas contra a enfermidade.Com a reprogramação das células do sangue, o próprio organismo do paciente torna-se um remédio contra o câncer, e ataca apenas as células doentes, poupando as saudáveis. O sangue “tratado” do paciente é reinserido no corpo. Esse tratamento é indicado para a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B e para o Linfoma Difuso de Grandes Células B.

Segundo Carvalho, nos Estados Unidos o tratamento custa cerca de US$ 1 milhão e já foi aplicado em 2,1 mil pacientes em 21 países. “Não podemos ignorar o fato de que o sistema de saúde público do país não consegue atender as necessidades básicas. É óbvio que o Brasil, que é um pais em desenvolvimento, não pode ter o mesmo preço que os EUA. Essa é a premissa básica. Não vamos ter a mesma lucratividade que temos em outros medicamentos. Temos que reduzir a margem. É uma discussão bastante complexa, mas estou mais otimistas do que quando entrei”, afirmou.

No ano passado, a farmacêutica suíça apresentou uma receita em torno de US$ 1 bilhão no Brasil. “Foi um ano em que todas as metas foram batidas e crescemos mais do que esperávamos. [O Brasil] É prioritário para a Novartis e por isso estamos em tratativas para ter aqui um centro de CAR-T Cell que atenderá também a América Latina”, disse Carvalho. O país está entre os dez maiores mercados da farmacêutica no mundo.

Segundo o executivo, até 2024 a Novartis implantará esse centro de pesquisa no país. Carvalho ressalta que a medida que a terapia CAR-T Cell comece a ser introduzida no Brasil, a farmacêutica deverá investir nessa nova operação.“Não vai ser necessário mandar amostras de sangue para os Estados Unidos para serem tratadas. Isso será feito no Brasil. Vamos estudar qual a demanda dos países latino-americanos. Esse tratamento, para se ter uma ideia, entre a coleta do sangue e inserção no paciente tem demora de uma semana. É uma operação médica, científica e logística complexa”, afirmou.

Carvalho ressaltou que ainda está em estudo o orçamento para a implantação desse centro no país. “É um investimento alto, mas temos a tecnologia e a estratégia é ter polos dessa terapia [em vários lugares] em função do tempo curto para o tratamento.O Brasil é considerado estratégico dentro da América Latina e será um dos cinco centros do mundo. A mesma conversa está acontecendo na China. Garantir que chegue rapidamente aos pacientes, é o mais importante”, disse o presidente da Novartis.

O executivo disse ainda que, além do investimento no centro de pesquisas, a Novartis irá aumentar o orçamento para pesquisas clínicas no Brasil. Segundo ele, estava previsto aporte de R$ 1 bilhão de 2018 a 2022. “Esse valor será revisto. Já estamos conversando com os governos federal e de São Paulo para aumentarmos esse valor.” São cerca de 60 pesquisas conduzidas em parceria com centros de estudo. No mundo a empresa investe cerca de US$ 9 bilhões ao ano em P&D.

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Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de Marcus Andrade e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

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