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Empresa russa afirma ter criado antiviral que bloqueia replicação do novo coronavírus

Marcelo de Valécio   09 Julho 2020   9957   Indústria Farmacêutica
Empresa russa afirma ter criado antiviral que bloqueia replicação do novo coronavírus

A indústria farmacêutica R-Pharm, sediada em Moscou, diz ter obtido licença na Rússia para um medicamento capaz de impedir a replicação do novo coronavírus. Segundo o desenvolvedor, o vírus foi eliminado em 77,5% dos pacientes que tomaram o antiviral.

Batizado de coronavir, ele é um medicamento específico para o tratamento da Covid-19 que se mostrou altamente eficaz na inibição da replicação do novo coronavírus, como revelou o ensaio clínico envolvendo casos leves ou médios da doença, garantiu a empresa em comunicado divulgado pela Agência Reuters.

“O coronavir é um dos primeiros medicamentos da Rússia e do mundo que não enfrenta as complicações causadas pelo SARS-CoV-2, mas combate o próprio vírus”, afirmou o comunicado da indústria.

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Segundo os representantes da R-Pharm, o ensaio mostrou melhora em 55% dos casos no sétimo dia do tratamento, contra 20% daqueles com terapia etiotrópica padrão – ou seja, tratamento da causa e não dos sintomas. No quinto dia da terapia, o novo coronavírus foi eliminado em 77,5% dos pacientes que tomaram o medicamento.

Os testes começaram no final de maio e mais de 110 pacientes receberam o tratamento, conforme revelou o chefe de ensaios clínicos do Instituto Central de Epidemiologia da Rússia, Tatyana Ryzhentsova.

Já o diretor médico da R-Pharm, Mikhail Samsonov, explicou à Reuters que “a prática clínica global e o estudo clínico que realizamos confirmaram que o coronavir interrompe muito mais rapidamente a infecção como resultado de uma obstrução efetiva da replicação do vírus”.

Segundo o G1, o antiviral é um dos produtos da R-Pharm, que afirma estar desenvolvendo uma candidata a vacina contra a Covid-19 e diz ter já um medicamento aprovado pelo Ministério da Saúde russo que atua contra a ‘tempestade de citocinas’ causadas pelo novo coronavírus.

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Rússia já testou outros medicamentos inéditos contra Covid-19

O coronavir é mais um medicamento registrado na Rússia para tratar o novo coronavírus. O primeiro, avifavir, é administrado a pacientes desde 11 de junho, segundo a Reuters.

O Ministério da Saúde russo aprovou o uso do avifavir em um processo acelerado enquanto os ensaios clínicos, realizados por um período mais curto e com menos pessoas do que em muitos outros países, ainda estavam em andamento.

Em comunicado divulgado na semana passada, o fundo soberano da Rússia RDIF, que forneceu apoio financeiro ao avifavir, disse que pediu ao Ministério da Saúde que aprove o medicamento para uso por pacientes que tratam o Covid-19 em casa.

Tanto o coronavir quando o avifavir tem como base um antiviral já alvo de estudos – o favipiravir. Ele foi analisado na China e ainda está sendo testado no Japão, e não é comercializado. Em alguns casos, houve alerta de risco de má formação em embriões, revelou o G1.

Tanto o coronavir quanto o avifavir não são comercializados no Brasil. Os responsáveis russos não divulgaram estudos randomizados e revisados por outros cientistas em revistas científicas que comprovem a eficácia dos medicamentos contra a Covid-19.

Segundo dados compilados até o dia 1/7, o número de casos na Rússia superava a casa dos 700 mil, com quase 11 mil mortes.

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