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Ex-executivo da Pfizer espalha fake news sobre vacinas

Marcelo de Valécio   04 Dezembro 2020   174742   Indústria Farmacêutica
Ex-executivo da Pfizer espalha fake news sobre vacinas

Ex-vice-presidente do laboratório norte-americano Pfizer, Michael Yeadon, anda espalhando notícias falsas sobre vacinas na internet. Em outubro ele divulgou um artigo dizendo que “não há necessidade de vacinas” que se espalhou pelas redes sociais mundo afora, revelou o Estadão.

Como se não bastassem os ‘gabinetes do ódio’, terraplanistas e negacionistas de toda ordem, agora o ex-executivo de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo resolve entrar para sinistro ‘clube’, espalhando fake news como “a pandemia acabou”, “um erro de avaliação foi presumir que 100% da população eram suscetíveis ao vírus e que não existia imunidade pré-existente”, além do questionamento da necessidade de a população se vacinar.

O artigo do ressentido Yeadon foi publicado no site Lockdown Sceptics no dia 16 de outubro e se espalhou como um rastilho de pólvora pelas redes sociais. Além das alegações falsas sobre a pandemia, o cientista também fez críticas ao Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) no trabalho de combate à Covid-19.

“A informação, é claro, atingiu milhares de pessoas e fez grande sucesso nas redes sociais, especialmente, no WhatsApp, no Facebook e no YouTube. As publicações já contam com centenas de compartilhamentos. Apesar disso, a história não passa de balela”, revelou o Boatos.org, site de checagem de informações. “Infelizmente, a pandemia da Covid-19 não mostrou só o lado bom, generoso e caridoso das pessoas, mas também evidenciou o pior lado de alguns cidadãos”, completou.

Um especialista consultado pelo Estadão Verifica e dados divulgados por organizações de saúde de todo o mundo também mostraram que as informações divulgadas pelo ex-executivo da Pfizer são completamente falsas. A empresa disse ao jornal que não vai se pronunciar sobre o assunto e Yeadon não foi localizado para comentar as declarações.

De acordo com o Boatos.org, ao longo da pandemia, foram observados muitos casos parecidos ao de Yeadon. “Infelizmente, o cargo de médico, enfermeiro e até de pesquisador não quer dizer, necessariamente, que a pessoa seja inteligente ou que divulga somente achados científicos”, afirmou o site.

Recentemente, a equipe do Boatos.org desmentiu um texto de uma médica simpática ao presidente Jair Bolsonaro que possuía diversas informações falsas. “Também desmentimos médicos negacionistas na Espanha (no caso médicos por la verdad) e nos Estados Unidos (no caso dra. Stella Emanuel)”.

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Ao contrário do que dizem os negacionistas e mentirosos contumazes, o histórico de enfrentamento a doenças infecciosas no Brasil mostra que a vacinação é uma forte aliada para eliminar ou controlar patologias. A vacinação no País contribuiu para erradicar a febre amarela urbana em 1942, a varíola em 1973 e a poliomielite em 1989, conforme revela o relatório do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

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O PNI mostra também avanços significativos na erradicação do sarampo, eliminação do tétano neonatal e no controle de outras doenças imunopreveníveis, como difteria, coqueluche e tétano neonatal e acidental, hepatite B, meningites, formas graves da tuberculose, rubéola e caxumba.

“A vacinação mudou a história da saúde pública mundial”, disse ao Estadão o médico infectologista Leandro Curi, da comissão de Covid-19 da Secretaria Municipal de Ibirité, em Minas Gerais. “No Brasil, por exemplo, não tem mais paralisia infantil [poliomielite]. A vacina aumenta a expectativa de vida, por isso é importante investir em pesquisas no cenário que estamos enfrentando, onde a taxa de mortalidade da Covid só cresce”, completou.

Atualmente, o Brasil testa quatro vacinas contra a Covid-19, conforme a Agência Lupa: a ChAdOx-1, desenvolvida pela Universidade de Oxford com o laboratório britânico Astrazeneca;  a Coronavac, da chinesa Sinovac Biotech e do Instituto Butantan; a Ad26.Cov2.S, do laboratório belga Janssen, da Johnson & Johnson; e vacina da Pfizer com o laboratório alemão Biotech.

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