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Anuidade do CRF pode deixar de ser reajustada anualmente

Egle Leonardi   23 Mai 2019   8317   Política Farmacêutica
Anuidade do CRF pode deixar de ser reajustada anualmente

Boas novas para os farmacêuticos: na pauta 482, da Reunião Plenária Ordinária do Conselho Federal de Farmácia (CFF), realizada entre os dias 23 e 24 de maio de 2019, em Fortaleza (CE), um item em especial merece destaque: a proposta de Resolução sobre aplicação do reajuste, a cada três anos, para contribuição compulsória da anuidade e taxas, apresentada pelo conselheiro Federal (RJ), dr. Alex Sandro Rodrigues Baiense.

Isso significa que, se a proposta for aprovada, os farmacêuticos não terão suas anuidades reajustadas anualmente, como vinha ocorrendo, o que tem sido alvo de críticas constantes. A discussão dessa proposta é uma atitude louvável, na medida em que geraria economia para o bolso do profissional. Porém, certamente, geraria alguma perda de receita para o sistema CRF/CFF, já que as entidades deixariam de arrecadar com o reajuste das anuidades dos cerca de 220 mil farmacêuticos brasileiros.

Para fazer uma conta rápida e simples, vale citar que a anuidade em 2019 é de R$ 543,08, valor que sofreu reajuste de 4% sobre o de 2018. Se aplicado o mesmo índice para os próximos três anos, o sistema CRF/CFF perderia algo em torno de R$ 15 milhões neste período sem reajustem, considerando 220 mil farmacêuticos registrados.

Segundo o presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP), dr. Marcos Machado, os farmacêuticos de todo o Brasil têm solicitado uma redução das anuidades, e há os que pleiteiam até a anulação desse encargo. “Eu vejo, até, certo sentido quando o colega cobra isso, porque ele não consegue perceber qual o retorno que ele tem sobre o valor pago. Embora essa proposta da pauta possa até agradar aos colegas, acredito que, para se fazer uma gestão responsável, que permita estabelecer uma entidade forte e que possa lutar pela categoria, não é possível congelar, diminuir ou aumentar a anuidade. O que se precisa é fazer um estudo mais aprofundado sobre o tema”.

Ele comenta que, em São Paulo, há um direcionamento para diminuir taxas e serviços. “A anuidade pode até chegar a um valor menor que hoje, mas, para isso, é preciso apresentar estudos”. Machado defende que não é possível congelar os valores sem um estudo e ele acredita que cada conselho deve apresentar seus gastos e suas planilhas com transparência, para que o farmacêutico consiga entender para onde vai seu dinheiro e tudo o que é pago aos conselheiros e dirigentes.

“Se, nesse estudo, o custo da estrutura consegue baixar o valor, acho que devemos baixá-lo. Se pudermos mantê-lo, faremos isso pelo tempo que for necessário. Porém, se for preciso aumentar o valor, que isso seja demonstrando com transparência. É fundamental ter gestão sobre o custo de cada entidade”, defende Machado.

CRF-MG deseja o que se discute agora desde outubro de 2018

Em matéria publicada na Revista Digital 64, do CRF-MG, de janeiro de 2018,  o Conselho de Farmácia de Minas Gerais, afirma ter realizado um debate com o CFF pelo congelamento do valor da anuidade, sem sucesso.

Segundo a reportagem, em outubro de 2018, mês em que o assunto começou a ser debatido, em Brasília, o CRF-MG chegou a apresentar um Pacote de Desoneração do Farmacêutico. O documento pedia, além do congelamento da anuidade, desconto de 50% na anuidade dos estabelecimentos com pelo menos 76% da sociedade composta por farmacêutico e a redução de 25% para 10% da cota-parte enviada todos os anos ao CFF. O Conselho Federal de Farmácia negou os pedidos do CRF-MG na época alegando que o não-reajuste contrariava a Lei Federal nº 12.514/2011, que determina a correção dos valores de acordo com o INPC. 

Frente à negativa de sua solicitação, a entidade mineira afirmou que não descansaria dessa luta, já que o congelamento da anuidade continuaria sendo uma das principais bandeiras de 2019. “Sabemos que os Conselhos de Contabilidade, Medicina e, recentemente, o de Odontologia, já conseguiram agir no sentido de desonerar seus profissionais diante do contexto econômico turbulento que nos encontramos. Por que o CFF não pode fazer o mesmo?”, perguntou o vice-presidente do CRF-MG, Alisson Brandão, na referida Revista Digital. A entidade reafirmou que não desistirá da pauta.

Mais informações sobre a plenária do CFF

Todo o exposto nessa matéria ainda será discutido na plenária do Conselho Federal de Farmácia. Uma coisa é certa: os farmacêuticos irão conhecer todos os detalhes sobre os temas tratados na pauta 482 da Reunião Plenária do CFF e sobre as discussões ocorridas durante os dois dias do evento, porque o ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico mantém correspondente jornalístico cobrindo cada detalhe ocorrido, com o compromisso de divulgar os temas de interesse da classe. É só aguardar e conferir.

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