Skip to main content

Ex-conselheiro do CFF é condenado a 11 meses de detenção

Wandy Ribeiro   09 Julho 2021   6126   Política Farmacêutica
Ex-conselheiro do CFF é condenado a 11 meses de detenção

O ex-conselheiro federal pelo Estado do Ceará, Luis Cláudio Mapurunga, foi condenado a 11 meses de detenção em regime aberto pelo crime de calúnia, em decisão que foi publicada hoje (09/07), pela 12 ª Vara Federal - Especializada em Execução Penal e Criminal daquela região.

Segundo o documento da sentença, Mapurunga acusou, indiretamente e sem provas, os advogados Francisco Fernando Antônio Albuquerque Lima e José Alcir Gomes Neto, que trabalhavam no Conselho Regional de Farmácia do Ceará (CRF-CE), de “criarem obstáculos à realização de concurso público para o preenchimento de vagas de fiscal farmacêutico e de advogado”, dando ao entender que esses profissionais estariam "criando dificuldades" em benefício próprio. Essas acusações teriam sido divulgadas por meio de um grupo no WhatsApp, em 23 de março de 2019. 

Em entrevista exclusiva à equipe de jornalismo do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, uma das vítimas deu mais detalhes sobre o ocorrido: “Ele [Mapurunga] publicou duas mensagens em dois grupos de WhatsApp com mais de 100 pessoas, dizendo que dois advogados do CRF-CE não concursados estariam dificultando a realização do então concurso”, explica o advogado Albuquerque Lima.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Ele continua: “Desta forma, eu e o senhor Alcir, que éramos os dois únicos advogados [no CRF-CE] que se enquadravam neste conceito, de advogados não concursados, entendemos que ele [Mapurunga] imputou a nós dois a prática do crime de prevaricação, porque nós estaríamos, segundo ele, retardando a realização de um concurso público, pois ao frisar que nós não éramos concursados, mas sim comissionados, nós estaríamos fazendo isso em proveito próprio. Então, ao fazer essa acusação leviana de prevaricação, ele prática o crime de calúnia”, completou a vítima.

Na sentença, a justiça definiu que "no que diz respeito à autoria, restou devidamente comprovado que o acusado [Mapurunga] cometeu o crime em questão”.

Publicidade

Outras acusações

Na queixa-crime que foi aberta pelos advogados contra Mapurunga, eles ainda acusam o ex-conselheiro de cometer o crime de difamação ou injúria. “[Essa acusação] também se deu por uma informação leviana dele, falando que os advogados do CRF-CE estariam causando danos ao Conselho Regional, mas neste caso o juiz entendeu que não era uma difamação, porque ele estaria no exercício do mandato. É uma posição do juiz que eu respeito, mas que eu discordo, pois de fato houve difamação, pena que o juiz não conseguiu compreender dessa forma, mas eu fico satisfeito com a condenação pelo crime de calúnia”, afirmou Albuquerque Lima.

A pena

Apesar de Mapurunga ter sido condenado a 11 meses de detenção em regime aberto, a justiça converteu a sentença em prestação de serviços à comunidade, em estabelecimento a ser fixado por ocasião da audiência admonitória.

Contudo, o documento explica que em caso de descumprimento injustificado da pena restritiva de direito, essa sentença poderá ter sua conversão em privativa de liberdade, anteriormente determinada por meio de artigo do Código Penal (CP).

Nesse sentido, o advogado Albuquerque Lima reforça que o regime de cumprimento da pena não descaracteriza o peso jurídico dessa sentença: “É uma condenação criminal, perde a primariariedade e tem todos os demais efeitos da ação decisória”, finaliza ele, explicando que, mesmo com a sentença, ainda cabe recurso ao réu, caso seja de seu interesse recorrer contra a sentença.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias farmacêuticas diariamente.

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

CFF irá discutir Lei da Prescrição Farmacêutica amanhã em Plenária

Durante sua 506ª Reunião Plenária Ordinária, que acontecerá entre 24 e 25 de ju…

PL exige que medicamentos proibidos em outros países tenham alertas nas embalagens

Com o objetivo de evitar que brasileiros sejam presos em outros países por tran…

Câmara dos Deputados pode isentar farmacêuticos da anuidade ao CRF

Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 1263/20, apres…

MPF questiona Sociedade de Infectologia por não recomendar tratamento precoce contra Covid-19

O procurador do Ministério Público Federal de Goiás, Ailton Benedito, autodecla…

STF pode obrigar governo a fornecer vacina sem selo da Anvisa

O Supremo Tribunal Federal (STF) começará a julgar em dezembro os processos sob…

Governo gasta mais R$ 250 milhões para distribuir hidroxicloroquina em farmácias populares

O Ministério da Saúde (MS) prevê gastar R$ 250 milhões para oferecer hidroxiclo…

Farmácia não pode manipular fórmulas com cannabis, define a justiça

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou, em 12 de agosto de 2020, o pedi…

Bolsonaro ataca indústria farmacêutica para defender cloroquina

Nesta semana, com a intenção de defender o medicamento cloroquina, o presidente…

Farmácia Viva fará distribuição de medicamento à base de canabidiol

O Governo do Estado sancionou a lei que autoriza o fornecimento gratuito de med…

General é efetivado como ministro da Saúde

Ministro interino da Saúde há quatro meses, o general do Exército, especializad…