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Laboratório brasileiro investe R$ 200 milhões para dobrar produção

Marcelo de Valécio   07 Outubro 2020   6867   Indústria Farmacêutica
Laboratório brasileiro investe R$ 200 milhões para dobrar produção

A indústria farmacêutica Apsen anunciou que planeja dobrar a produção com aporte de R$ 200 milhões nos próximos cinco anos. Atualmente, a empresa tem em seu portfólio 50 medicamentos e para 2020 o faturamento deverá chegar a R$ 1 bilhão, alta de cerca de 20% no comparativo com o ano passado, informou o Valor Econômico. Nos planos, o lançamento do primeiro psicobiótico no País.

Em seus planos, a companhia, que completa 51 anos em 2020, produzirá cerca de 90 milhões de unidades por ano até 2025. Nesse período, a Apsen deve lançar 110 medicamentos, sendo que 75% serão desenvolvidos pela empresa.

Com a expansão e os novos produtos que estão em desenvolvimento, a indústria de capital nacional prevê dobrar o faturamento no período, chegando a mais de R$ 2 bilhões de receita bruta, conforme revelou ao jornal o diretor técnico do laboratório, Kléber Vargas Nunes.

“Em 2015, quando formulamos o planejamento estratégico para chegarmos a R$ 1 bilhão de receita, tínhamos um portfólio com 35 produtos. Hoje, temos 50, sendo que 42% de nossa receita vêm de novos medicamentos”.

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De acordo com o executivo, a companhia investe anualmente 10% do faturamento em inovação, seja ela incremental ou em novos medicamentos. “O nosso foco é trabalhar com produtos diferenciados e inovadores. Por isso, fomos para o segmento de prescrição e fazemos parcerias com farmacêuticas internacionais para trazer produtos inovadores para o mercado brasileiro”.

No portfólio da Apsen há três áreas de atuação principais: sistema nervoso central; músculo esquelético, em que fornece medicamentos para o tratamento de doenças ortopédicas e reumatológicas; e especialidades, em que há produtos para gastrologia, urologia e pediatria. A empresa detém 95% do mercado nacional de hidroxicloroquina, medicamento usado para tratar doenças como lúpus e artrite reumatoide e que tem sido defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e por alguns médicos no tratamento da Covid-19, apesar de sua ineficácia neste tratamento ter sido atestada por grande parte da comunidade científica mundial.

O diretor de vendas e marketing da Apsen, Márcio Castanha, ressaltou ao jornal que, dentro do plano estratégico para os próximos cinco anos, a empresa deverá entrar em novas especialidades, como cardiologia e endocrinologia. “O faturamento é bem equilibrado nas três linhas. A nossa estratégia é manter o desenvolvimento de novos produtos e a competitividade em todas as áreas de atuação”.

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No projeto de expansão do portfólio, o laboratório está trazendo o primeiro medicamento psicobiótico do País. Segundo a Apsen, o produto é um probiótico (suplemento alimentar) que atua na microbiota intestinal e auxilia na melhora dos quadros de ansiedade, estresse e outros transtornos psiquiátricos.

“Os psicobióticos são um grupo de microorganismos vivos que interferem na função cognitiva e, quando ingeridos em quantidades adequadas, produzem benefícios para a saúde mental”, informou Castanha ao Valor, acrescentando que o medicamento chega ao mercado este mês produzido pelo laboratório canadense Lallemand.

O diretor de vendas destacou ainda que o produto é inovador porque foi o único que conseguiu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da ansiedade. “Para probióticos, a única aprovação que existia no Brasil era para o equilíbrio da microbiota intestinal. Mas apresentamos um estudo clínico robusto que proporcionou esse registro. Demoramos três anos do início do projeto até a aprovação”, salientou ao jornal.

Segundo Castanha, a ideia é que essa nova linha da Apsen tenha, pelo menos, dez medicamentos, sendo que parte será desenvolvida pela equipe de pesquisa do laboratório. “São mercados que crescem muito no País. O de probióticos tem um faturamento de R$ 630 milhões e cresce 10% ao ano. Já o de ansiedade chega a R$ 680 milhões. Esse produto que lançamos oferece ao médico a condição de indicar um suplemento com zero efeito colateral”, assegurou.

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