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Farmacêutica brasileira está entre as pesquisadoras mais influentes do mundo

Ricardo Valença   03 Julho 2026   1523   Guia de Carreiras
Farmacêutica brasileira está entre as pesquisadoras mais influentes do mundo

A inteligência artificial vem transformando a pesquisa farmacêutica e ampliando a capacidade de identificar novos candidatos a medicamentos. No Brasil, uma das referências nessa área é a farmacêutica Carolina Horta Andrade, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), que coordena estudos capazes de tornar mais eficiente uma das etapas mais complexas do desenvolvimento de fármacos.

A trajetória da pesquisadora reforça o protagonismo do farmacêutico na inovação científica. Foi a formação em Farmácia que reuniu conhecimentos de química, biologia e saúde, permitindo que Carolina construísse uma carreira voltada ao planejamento racional de medicamentos e ao uso de tecnologias computacionais para responder a desafios da saúde pública.

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Da Farmácia à inovação tecnológica

Natural de Formosa (GO), Carolina demonstrava interesse pela ciência desde a infância. Embora tenha cogitado seguir a Medicina, encontrou na Farmácia a oportunidade de atuar diretamente na pesquisa e no desenvolvimento de medicamentos.

Após concluir a graduação na UFG, mudou-se para São Paulo para perseguir o sonho da pós-graduação na Universidade de São Paulo (USP). Depois de uma primeira reprovação no processo seletivo, trabalhou em uma farmácia enquanto se preparava para uma nova tentativa. A aprovação veio no ano seguinte e o desempenho acadêmico permitiu sua passagem direta para o doutorado.

Parte da formação ocorreu na Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, onde se especializou em modelagem molecular, área estratégica para compreender a interação entre moléculas e alvos biológicos durante o desenvolvimento de novos medicamentos.

Inteligência artificial reduz tempo e amplia eficiência

De volta ao Brasil, Carolina fundou, em 2010, o Laboratório de Planejamento de Fármacos e Modelagem Molecular (LabMol), na UFG. No laboratório, algoritmos de inteligência artificial analisam milhões de compostos químicos para identificar aqueles com maior potencial terapêutico.

A tecnologia permite prever a atividade biológica das moléculas, estimar possíveis efeitos tóxicos e avaliar seu comportamento no organismo antes mesmo dos testes experimentais. Com isso, apenas os candidatos mais promissores seguem para as etapas laboratoriais, reduzindo custos, tempo de pesquisa e o número de experimentos necessários.

As pesquisas começaram com foco em doenças tropicais negligenciadas, como tuberculose, leishmaniose, malária e doença de Chagas. Posteriormente, passaram a incluir enfermidades virais, como dengue, Zika e Covid-19.

Reconhecimento e novas fronteiras

A contribuição científica da farmacêutica já recebeu reconhecimento nacional e internacional. Entre os destaques estão o prêmio Para Mulheres na Ciência, concedido em 2014 pela L'Oréal, UNESCO e Academia Brasileira de Ciências, e o International Rising Talents, recebido em Paris no ano seguinte.

Atualmente, Carolina também lidera projetos multidisciplinares que unem inteligência artificial, Farmácia, engenharia e química para incorporar estímulos olfativos a ambientes de realidade virtual, ampliando as possibilidades de experiências imersivas.

Ao incentivar a participação feminina na ciência e demonstrar como a inteligência artificial pode acelerar a descoberta de novos medicamentos, Carolina Horta Andrade evidencia o papel estratégico do farmacêutico na inovação. Sua trajetória mostra que a formação farmacêutica permanece no centro das pesquisas que têm potencial para transformar o desenvolvimento de terapias e ampliar as perspectivas de tratamento para diversas doenças.

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