Skip to main content

Medicamento que altera código genético custará R$ 20 milhões

Wandy Ribeiro   15 Janeiro 2020   8109   Assuntos Regulatórios
Medicamento que altera código genético custará R$ 20 milhões

O interesse da indústria farmacêutica em pesquisar e desenvolver medicamentos que curam doenças por meio da alteração do DNA já é uma realidade. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu uma consulta pública sobre o assunto e despertou ainda mais a atenção das gigantes farmacêuticas.

Entretanto, essa terapia, que muitos cientistas afirmam poder curar e prevenir diversas doenças, ao que parece, não será tão acessível à população.  De acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, em uma conversa com um representante da Agência, um empresário do setor farmacêutico revelou que seu medicamento custaria, atualmente, US$ 5 milhões (equivalente a R$ 20 milhões). Vale ressaltar que nenhum dos dois personagens envolvidos na discussão teve o nome revelado.

Apesar do preço exorbitante e da notícia parecer surreal, essa é uma realidade de mercado. Em junho de 2019, o FDA (agência norte-americana responsável pela regulamentação de medicamentos) autorizou o Zolgensma. Desenvolvido pela Novartis, o medicamento é indicado para tratar bebês com amiotrofia muscular espinhal (AME). O preço sugerido pelo laboratório para o produto é de US$ 2 milhões (equivalente a R$ 8 milhões).

Sendo uma doença degenerativa com causas genéticas, a AME evolui quando o paciente apresenta uma mutação no gene smn1, que é o principal responsável por produzir proteína SMN dentro das células (ação que acontece no organismo de pessoas saudáveis).

Em bebês, a doença costuma apresentar sintomas entre 6 e 18 meses. Por conta da AME, as crianças podem sofrer com problemas respiratórios crônicos e musculares. Em muitos casos, o paciente morre sem chegar à adolescência. Já em adultos, a doença pode causar comprometimento dos músculos e problemas de locomoção.  

O medicamento atua, justamente, na deficiência do gene smn1. O Zolgensma é composto por um vírus artificial produzido em laboratório (o adenovírus AA9), que carrega uma cópia genética do smn1. Com aplicações injetáveis do princípio ativo, a célula passa a responder à proteína SMN em quantidades suficientes para que a doença não agrave o estado de saúde do paciente.

Estudos sobre o medicamento

Em seu estudo piloto, o Zolgensma foi aplicado em quinze pacientes com AME tipo 1. Ao final da análise, 14 bebês que receberam o medicamento concluíram a terapia sem precisar mais de apoio contínuo de ventilação mecânica. Já o décimo quinto conseguiu respirar sem o auxílio de outros aparelhos.

Além da autonomia respiratória, outros ganhos relacionados às funções motoras também foram observados no estudo. Apesar do sucesso dos testes, os resultados ainda são considerados preliminares. Outro ponto importante é que o FDA é bastante rigoroso na aprovação de medicamentos dessa categoria, fora o Zolgensma, apenas o Luxturna foi liberado.  

Vale ressaltar que o preço sugerido para o Luxturna também é bastante elevado, cerca de US$ 850 mil (mais de R$ 3,5 milhões).

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Novo bulário eletrônico da Anvisa já está disponível em seu portal

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que o novo bulário…

INPI anula patente de medicamento à base de canabidiol

Quarta-feira, 28 de julho de 2021 O Instituto Nacional da Propriedade Industri…

Enquanto a Anvisa estaria inviabilizando as magistrais, Justiça libera compra de tirzepatida do Paraguai

Segunda-feira, 1 de junho de 2026 Um paradoxo regulatório estaria ameaçando o…

Professora do ICTQ revela a área que toda indústria farmacêutica precisa e poucos profissionais dominam

Sexta-feira, 26 de junho de 2026 Assuntos Regulatórios deixaram de ser uma áre…

Anvisa nega certificado para fabricante da vacina Covaxin

Terça-feira, 30 de março de 2021 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (A…

Anvisa libera prescrição de Mounjaro por dentistas e gera debate

Terça-feira, 25 de novembro de 2026 A autorização da Agência Nacional de Vigil…

Efeito colateral da vacina de Oxford faz Anvisa pedir alteração da bula

Quinta-feira, 8 de abril de 2021 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (A…

Anvisa realiza um dos maiores recalls da sua história

Quinta-feira, 23 de junho de 2023 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (…

Anvisa define norma sobre estabilidade de IFAs e medicamentos

Os critérios para a comprovação da estabilidade de insumos farmacêuticos ativos…

Anvisa aprova nova versão do Mounjaro com múltiplas doses em uma única caneta

Quarta-feira, 18 de março de 2026 A Agência Nacional de Vigilância Sanitá…