Skip to main content

Fim da substituição tributária do ICMS obriga farmácias a rever preço, margem e fluxo de caixa

Ricardo Valença   10 Abril 2026   1149   Varejo Farmacêutico
Fim da substituição tributária do ICMS obriga farmácias a rever preço, margem e fluxo de caixa

A mudança no modelo de substituição tributária do ICMS está reposicionando o varejo farmacêutico brasileiro diante de um novo desafio. O que antes era um processo parcialmente automatizado passa agora a exigir controle direto sobre precificação, margem e fluxo de caixa.

Na prática, a alteração não é apenas fiscal. Ela muda a lógica do negócio.

Com o fim da substituição tributária, o imposto deixa de vir embutido no custo de aquisição e passa a ser calculado na venda. Isso cria uma distorção perigosa para quem não entende a operação de forma completa.

O produto parece mais barato na compra, mas o impacto real só aparece depois, no resultado.

A falsa sensação de margem pode custar caro

No modelo anterior, o ICMS já estava incluído no valor pago ao fornecedor. O farmacêutico trabalhava com um custo mais alto, mas previsível. Agora, o custo de entrada diminui, o que pode gerar a impressão de aumento de margem.

Esse é o ponto crítico, se o preço de venda for definido com base nessa percepção, sem considerar o imposto que será recolhido posteriormente, a farmácia pode vender mais e lucrar menos.

“O imposto que antes vinha embutido na nota agora será apurado na venda. Se o empresário não ajustar sua conta, ele pode vender acreditando que está ganhando margem, mas descobrir depois que perdeu resultado”

Margem bruta não sustenta operação sozinha

Outro  erro comum está na análise isolada da margem bruta.

Em muitos casos, farmácias operam com custos operacionais superiores à margem gerada nas vendas. Isso significa que, mesmo vendendo bem, o resultado final pode ser negativo.

O novo modelo tributário escancara esse problema, a operação passa a exigir leitura real do CMV, controle de despesas e análise do mix de produtos. Categorias como genéricos, similares, referências e perfumaria precisam ser equilibradas para sustentar a rentabilidade.

Sem essa visão integrada, o negócio pode crescer em volume e perder em resultado.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Publicidade

Perfumaria exige estratégia na transição

O impacto também atinge a perfumaria, mas com uma camada adicional de complexidade.

Como não há regulação de preço máximo, o ajuste depende diretamente da estratégia da farmácia. O problema é que o estoque atual ainda foi adquirido no modelo antigo, com imposto embutido.

Isso cria um período de transição, a mudança real só aparece quando novos lotes entram com custo atualizado, o que pode levar até três meses. Ajustar preços de forma imediata pode gerar perda de competitividade ou ruptura de vendas.

O cenário exige leitura de estoque, giro e comportamento do consumidor.

Relação com fornecedores muda de nível

A negociação com fornecedores também passa por transformação.

Com a retirada do imposto da compra, o preço precisa ser reavaliado. Se o fornecedor mantém o valor anterior, a margem pode estar sendo deslocada dentro da cadeia.

Nesse contexto, comprar bem deixa de ser apenas buscar desconto, passa a ser estratégia.

O farmacêutico precisa entender composição de custo, impacto tributário e posicionamento de preço para evitar distorções que afetam diretamente o caixa.

O varejo exige um novo tipo de farmacêutico

Esse cenário expõe uma mudança clara no perfil profissional exigido pelo mercado.

O farmacêutico não pode mais atuar apenas na dispensação e no conhecimento técnico sobre medicamentos. Ele precisa entender o negócio como um todo.

Precificação, margem, estoque, negociação e estratégia passam a fazer parte da rotina.

A decisão errada não aparece no balcão, aparece no resultado do mês.

Gestão deixa de ser diferencial e vira necessidade

A mudança no ICMS não criou um problema novo, ela revelou um problema que já existia.

Farmácias que operavam sem controle real de custos, sem análise de margem e sem estratégia de preço agora precisam ajustar rapidamente sua forma de gestão.

Quem não fizer isso tende a perder competitividade, mas quem fizer, pode ganhar espaço.

Especialização em gestão como resposta ao cenário

Diante desse contexto, a qualificação em gestão se torna um passo natural para o farmacêutico que atua no varejo.

A Pós-Graduação em Gestão de Negócios Farmacêuticos do ICTQ foi estruturada justamente para preparar o profissional para esse tipo de desafio.

O programa aborda temas como planejamento estratégico, gestão de custos, formação de preços, compliance, marketing farmacêutico, negociação e análise de dados, além de aspectos regulatórios e financeiros que impactam diretamente a operação.

Na prática, o farmacêutico passa a entender não apenas o produto que vende, mas o negócio que sustenta essa venda.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias

Mais de 500 farmácias são multadas por preços abusivos

Em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o Instituto de Defesa do Con…

Como funciona a profissão farmacêutica nos Estados Unidos

O farmacêutico Henri Manasse foi vice-presidente executivo da American Society…

ICTQ lança o Anuário 2015

O ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico lanç…

Os segredos de uma farmácia do séc 19 que está com tudo no séc 21

O que faz uma empresa sobreviver mais de 100 anos? Especialistas em gestão vive…

Presidente da Drogaria Araújo afirma que medicamentos no Brasil não são caros

O empresário Modesto Araújo Neto, presidente do grupo Drogaria Araújo, explicou…

Raia Drogasil entre as 10 empresas que mais empregam no Brasil

Raia Drogasil figura no ranking das 10 empresas que mais geram empregos formais…

Operação Tarja Preta revela esquema de vendas irregulares e de medicamentos falsificados em farmácias

A 1ª Delegacia Distrital de Polícia de Trindade (GO) deflagrou a Operação Tarja…

Anvisa torna obrigatória a retenção de receita para a dispensação de Ozempic e outros emagrecedores

Atualmente, esta categoria de medicamentos classificada com a tarja vermelha só…

CEO da Abrafarma, Sérgio Mena rejeita PEC da escala 6x1 e aponta escassez de profissionais no setor farmacêutico

A mobilização em torno da proposta que quer reduzir a jornada de trabalho legal…

Estudo revela falhas estruturais no varejo farmacêutico e expõe a urgente necessidade de gestão profissional

O varejo farmacêutico brasileiro vive um momento de tensão silenciosa. Apesar d…