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Esqueça o e-commerce para a farmácia independente

Wandy Ribeiro   26 Mai 2020   7695   Varejo Farmacêutico
Esqueça o e-commerce para a farmácia independente

Com a crise ocasionada pelo novo coronavírus (Covid-19), as farmácias estão protagonizando um papel fundamental nos cuidados com a saúde da população. Muitas implementações foram realizadas na assistência ao paciente, como, por exemplo, o crescimento do serviço delivery nesses estabelecimentos. Contudo, para especialistas do setor essa não é uma nova tendência para ser implementada nas farmácias independentes.

De acordo com um levantamento realizado pela empresa Konduto, as farmácias registraram um aumento de pedidos nas vendas on-line de 75%, entre 15 e 25 de março. No entanto, o presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), Edison Tamascia, explica que esse dado é normal em meio ao atual momento da pandemia, pois, as pessoas estão seguindo as recomendações de evitar aglomerações.

"Qualquer número que a gente olhe de e-commerce e delivery [nesse período] vamos constatar um aumento exponencial. [Mas] claramente, para o varejo independente, o conselho que eu dou é: esqueçam o e-commerce. O e-commerce não é para o varejo independente, ele existe focado em no máximo dez redes que possuem uma horizontalização de lojas no Brasil inteiro, que têm a possibilidade de entregar em qualquer cep”, disse ele, em entrevista ao canal Farmacon.

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Tamascia ainda destaca a questão do estoque: “Obviamente [se você é uma grande rede] tem a facilidade de ter uma integração do estoque em uma base central, em que o consumidor também consiga visualizar isso".

Ele continua: “Uma farmácia independente, mesmo que seja uma rede de associativismo, mas que tem os CNPJs individualizados, o e-commerce não é uma solução, porque não é possível integrar o estoque em tempo real de todas as farmácias à precificação individualizada. E muitas vezes você pode receber um pedido de um cep muito distante, sendo que não possui logística para isso", enfatiza.

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Não há muitas mudanças

Segundo Tamascia, os serviços por delivery não fazem tanto sentido, pois, como no Brasil existe mais de 80 mil farmácias, a população sempre tem um estabelecimento por perto: “Ninguém anda mais de 200 metros para encontrar uma farmácia”, ressalta.

No entanto, ele explica que esse tipo de serviço já representava, antes da pandemia, cerca de 10% das vendas da Febrafar. "Atualmente, talvez esteja representando 20%, porque as pessoas não estão saindo de casa. Quando voltar (acabar a pandemia) talvez a gente fique na casa dos 15%. Aumentou um pouco, sim, mas a gente continua sendo um varejo presencial".

Por fim, Tamascia pontua que algumas tendências, como a questão do delivery e da prescrição eletrônica, por exemplo, já estavam acontecendo antes da pandemia. "Não tem tanta transformação assim. É que agora, tudo que vier pela frente vão associar ao coronavírus, mas [tudo isso] já estava acontecendo".

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