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Raia Drogasil suspende coleta de biometria de clientes

Marcelo de Valécio   09 Julho 2021   3605   Varejo Farmacêutico
Raia Drogasil suspende coleta de biometria de clientes

As farmácias do grupo Raia Drogasil suspenderam a coleta de biometria dos clientes como condição para lhes conceder descontos. A empresa tomou essa iniciativa alegando que essa forma de cadastro “causou desconfortos” aos consumidores, segundo revelou o blog Tecnoblog. 

O anúncio da interrupção do cadastro de biometria ocorreu ontem (08/07), e vale para todas as lojas do grupo. A suspensão veio após a empresa receber notificação extrajudicial do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), questionando se a prática de coletar a impressão digital de clientes para conceder descontos estaria de acordo com Lei de Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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“Nossa compreensão é de que o setor de farmácias ainda não explicou muito bem nem a necessidade do CPF e muito menos da digital. Isso passa por explicar a finalidade precisa. Com quem eles são compartilhados?”, questionou o especialista em Saúde do Idec, Matheus Falcão, conforme o Tecnoblog.

Também a Fundação Procon-SP notificou a empresa, pedindo explicações sobre a política de descontos aplicada aos itens comercializados em sua rede de atendimento de lojas físicas, informando que poderia multá-la em até R$ 50 milhões se a coleta de biometria não se justificasse, segundo o site Valor Investe.

Entre as explicações pedidas pelo Procon-SP estão: quais os dados solicitados aos consumidores no ato da compra para concessão de descontos e se a política de descontos é aplicada somente aos consumidores que aderirem ao processo de biometria no ato da compra.

Conforme apurou o site, o Procon também pediu que a farmácia explicasse qual a forma de coleta, tratamento, processo de criptografia e armazenamento dos dados pessoais dos consumidores, e se eles têm a possibilidade de determinar preferências adicionais de ativação ou desativação de anúncios publicitários.

Em dezembro, o Estado de São Paulo aprovou uma lei que obriga farmácias e drogarias a explicar o motivo de pedirem o CPF do consumidor no ato da compra. A empresa precisa comunicar ao cliente, caso ele forneça o dado, se vai abrir ou não uma conta para que ele receba promoções ou descontos. Caso viole a lei, a loja deve pagar multa de R$ 5.818.

Em nota, a Raia Drogasil informou que o uso da identificação biométrica “ocorreu com o único objetivo de garantir a praticidade e a segurança desse processo para os clientes e para finalidades previstas na LGPD”. Ela completou afirmando que o cadastramento biométrico sempre foi voluntário e aderente à legislação vigente.

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O grupo destacou ainda que a troca de dados beneficia o consumidor com ofertas, “incluindo as promoções personalizadas em categorias relevantes para ele”. O grupo completou dizendo que não comercializa, “em hipótese alguma, as informações pessoais de clientes a terceiros”.

“Apesar disso, entendendo que a iniciativa causou desconfortos, a Raia Drogasil optou por interromper essa prática”, diz o comunicado. A empresa afirmou que foi uma das primeiras no País a se ajustar à LGPD, e ressaltou que fez investimentos na área para proteger dados de clientes.

O farmacêutico e professor da pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica no ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Rafael Poloni, lembra que a LGPD foi criada com intuito de garantir ao consumidor que seus dados sejam coletados, tratados, armazenados e protegidos.

“Os farmacêuticos, assim como todos os profissionais da saúde, devem assegurar que os dados pessoais de seus pacientes sejam protegidos, conforme disposto na lei, estando sujeito a duras penalidades em caso de descumprimento. A depender da situação, a penalidade pode se restringir a uma simples advertência ou multa, que pode chegar a R$ 50 milhões”, adverte Poloni.

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