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Varejo farmacêutico cresce acima da média nacional no Norte e Nordeste

Egle Leonardi   09 Dezembro 2025   1146   Varejo Farmacêutico
Varejo farmacêutico cresce acima da média nacional no Norte e Nordeste

O varejo farmacêutico brasileiro voltou a crescer acima de dois dígitos, mas o movimento não é homogêneo. Os dados mais recentes do estudo da IQVIA encomendado pela Associação dos Distribuidores Farmacêuticos do Brasil (Abafarma) mostram que Norte e Nordeste lideram o avanço nacional, com altas de 14% e 11,7% nos últimos 12 meses encerrados em setembro de 2025. A média brasileira foi de 10,2%.

O Centro-Oeste também ficou acima do índice nacional, com 10,9%, enquanto Sudeste e Sul avançaram 9,1% e 9,8%, respectivamente.

Para o farmacêutico e gestor nordestino, esses números não são apenas um retrato de mercado: são um aviso de que o eixo de crescimento está passando pela sua porta. Onde a demanda avança mais rapidamente, os riscos regulatórios crescem na mesma proporção, e a responsabilidade técnica se torna ainda mais exigente.

O estudo aponta que o impulso regional está diretamente associado à ampliação do acesso à saúde, especialmente fora das capitais. Farmácias locais estão assumindo papel estruturante na interiorização dos serviços e na oferta de medicamentos, o que amplia o fluxo de clientes, mas também expõe fragilidades: qualificação desigual, pouca padronização operacional e pressões comerciais sobre decisões técnicas.

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O presidente-executivo da Abafarma, Oscar Yazbek Filho, reforça o esforço logístico que sustenta esse crescimento. Segundo ele, “existe um esforço constante das empresas associadas para garantir o abastecimento adequado de farmácias e drogarias em todo o país. É um grande desafio, em vista das dimensões continentais do país. Hoje, estamos em 100% das metrópoles e grandes cidades, além de 99% dos municípios pequenos”.

Yazbek acrescenta que “o crescimento do varejo farmacêutico evidencia a importância dos distribuidores no fortalecimento do acesso à saúde no Brasil. Mais de metade das vendas do setor passam pela distribuição, o que demonstra o nosso papel estratégico na capilaridade, na eficiência logística e na chegada dos medicamentos a todas as regiões do país”.

Mais oportunidades de expansão

Para o farmacêutico do Nordeste, o dado crítico é simples: se a região cresce acima do restante do Brasil, ela será, inevitavelmente, o território prioritário de expansão das redes, do aumento de fluxo, de novas operações, de auditorias mais frequentes e da pressão comercial por produtividade. Em outras palavras, é onde a qualificação técnica fará mais diferença, onde erros terão maior impacto e onde o profissional pode acelerar sua carreira.

Do ponto de vista sanitário, a expansão exige controle mais rígido sobre armazenamento, transporte, validade, rastreabilidade e gestão de MIPs e medicamentos sujeitos a controle especial. Em mercados que crescem rápido, desvios também crescem rápido. O farmacêutico é o único elo capaz de impedir que volume substitua responsabilidade.

Além disso, a interiorização do varejo amplia a atuação clínica do farmacêutico, especialmente em serviços de aferição, acompanhamento farmacoterapêutico e educação em saúde. O profissional que dominar esse conjunto (gestão + assistência + legislação sanitária) ocupará naturalmente o espaço que o mercado está abrindo.

Assim, Nordeste e Norte são, atualmente, os centros reais de expansão do varejo farmacêutico brasileiro. Se o profissional da região não se movimentar com antecipação, alguém de fora ocupará o espaço.

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