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Laboratórios terão que informar dados de venda de cloroquina e ivermectina à CPI

Marcelo de Valécio   09 Junho 2021   3965   Política Farmacêutica
Laboratórios terão que informar dados de venda de cloroquina e ivermectina à CPI

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) protocolou ontem (8/6) pedido para que as farmacêuticas Apsen, Cristália, EMS, Germed, MSD, Sanofi, entre outras, repassem à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 informações sobre a comercialização de ivermectina e hidroxicloroquina, revelou a Folha.

Os requerimentos ainda não foram apreciados, mas neles o parlamentar solicita a quantidade vendida em 2019, 2020 e 2021, além do nome e CNPJ dos principais compradores desde o ano passado, e os valores pagos.

De acordo com o senador a comercialização dos produtos cresceu mais de 500% durante a pandemia. “Compreender este aumento, bem como o perfil dos seus principais distribuidores, é relevante para traçar a capilaridade e a dimensão do uso destes medicamentos no País”, justificou Vieira no requerimento, segundo apurou a Folha.

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Medicamentos não têm eficácia comprovada contra Covid-19

Estudos científicos já demonstraram que a cloroquina e sua derivada hidroxicloroquina não trazem qualquer benefício contra a Covid-19, assim como a ivermectina. Em março, a OMS foi definitiva contra o uso da cloroquina/hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19.

Após revisar seis ensaios clínicos com 6.000 pessoas, os especialistas da entidade concluíram que a hidroxicloroquina não influencia nas taxas de infecção e, provavelmente, aumenta o risco de efeitos adversos, como problemas cardíacos. “A hidroxicloroquina não é mais uma prioridade de pesquisa”, concluíram os especialistas.

Os próprios fabricantes não recomendam o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19. Quatro indústrias farmacêuticas que fabricam esses medicamentos no Brasil vetaram o seu uso para tratar a doença.

PhD em Farmacologia, Thiago de Melo professor de pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, aponta os riscos da utilização da hidroxicloroquina na terapia dos pacientes infectados pelo novo coronavírus.

“Recentemente, a literatura tem apresentado os problemas de arritmia cardíaca pela associação (de medicamentos). Então, quando se fala em hidroxicloroquina é importante lembrar que esses indivíduos não estão somente tomando essa substância. Esse que é o verdadeiro problema que, inclusive, tem sido pouco comentado na mídia. A hidroxicloroquina é um medicamento arritmogênico, mas o problema principal é a sua associação com a azitromicina que também é”, explica Melo.

​​“Essas duas drogas juntas representam uma outra conversa. Nesse caso, estamos diante de uma interação medicamentosa. E detalhe, há pouca discussão sobre isso, como não é uma associação comum, ao longo da história, muitas pessoas que apresentam quadro de parada cardíaca devido a essa associação podem cair na conta das mortes por Covid-19”, salienta o professor.

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A indicação oficial da ivermectina é para tratamentos de piolho, sarna e infecções e problemas derivados de vermes, não para casos envolvendo vírus. “Não há estudo que mostre que ivermectina serve para além do tratamento de piolho”, afirmou em janeiro à Folha o professor da USP Gonzalo Vecina Neto, fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para o professor, o medicamento gera uma falsa sensação de imunidade ao vírus. Como a parcela da população sem a doença é muito maior e, dos acometidos pelo coronavírus, cerca de 80% são assintomáticos, os adeptos da ivermectina falsamente atribuem sua imunidade ao fármaco. “A chance de tomar e achar que funciona é grande. Além disso, há grupos de médicos que usam e recomendam”, completou Vecina Neto.

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