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Deputados pedem esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre acordo sigiloso para canabidiol

Marcelo de Valécio   08 Dezembro 2020   3708   Política Farmacêutica
Deputados pedem esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre acordo sigiloso para canabidiol

Os deputados federais Luciano Ducci (PSB-PR) e Paulo Teixeira (PT-SP) encaminharam ao Ministério da Saúde (MS) pedido de esclarecimento sobre acordo sigiloso de cooperação técnica para transferência de tecnologia para produção de canabidiol com o laboratório Prati-Donaduzzi, revelou a revista Fórum.

Segundo informações do portal dedicado à maconha medicinal Sechat, no dia 23 de outubro o MS firmou acordo para transferência de tecnologia e fornecimento do produto canabidiol 200mg/ml que é produzido exclusivamente pela empresa Prati-Donaduzzi.

O acordo prevê o fornecimento do medicamento ou produto à base de maconha medicinal e caberá à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a partir do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), a operacionalização do contrato, segundo apurou a Fórum.

Paulo Teixeira e Luciano Ducci encaminharam ao Ministério da Saúde, por meio do Requerimento de Informação (RIC) 1556/20, seis questões para que sejam fornecidas informações sobre o acordo.

Eles querem saber por qual motivo a Fiocruz manifestou interesse em dominar a técnica de produção de medicamentos canabinoides e por que se restringir unicamente ao emprego do canabidiol, “tendo em vista que a vasta gama de empregos terapêuticos dos canabinoides pressupõe, em muitos casos, a administração concomitante, na mesma formulação, do tetraidrocanabinol, como, aliás, é o caso do primeiro medicamento canabinoide registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.

Os deputados afirmaram terem sido pegos de surpresa com a notícia, segundo a revista, uma vez que integram a comissão especial que discute o Projeto de Lei 399/15, que prevê a autorização para o cultivo e produção de medicamentos à base de cannabis no Brasil, motivo pelo qual eles encaminharam os questionamentos ao MS.

Paulo Teixeira e Luciano Ducci afirmaram que é muito estranho a Fiocruz fazer um acordo sigiloso com uma única empresa e querem saber os custos disso, visto que o PL que está em discussão na Câmara dos Deputados tem, justamente, o objetivo de fugir da importação, que deixa os produtos mais caros, e tornar os medicamentos feitos de canabidiol acessíveis à maioria da população.

Segundo a Fórum apurou, o blog Cannabiz, da revista Veja, já havia questionado o sigilo em torno da parceria entre a Fiocruz e a empresa farmacêutica Prati-Donaduzzi e, como resposta, a Fiocruz afirmou que o “sigilo é comum em acordo desse tipo por questões de segredo industrial”.

O Portal do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico entrou em contato com a Prati-Donaduzzi para comentar sobre o acordo. A assessoria de imprensa da empresa informou que “neste momento não conseguiremos atender a sua solicitação”. Caso o laboratório venha se manifestar posteriormente este texto será atualizado.

Outro dado questionado pelos deputados é que o contrato da Fiocruz prevê apenas uma formulação, porém, há pacientes com diferentes patologias que precisam de concentrações variadas de canabidiol, diferentes tipos de combinação de canabinoides e de tetra-hidrocanabinol (THC). Segundo o blog Cannabiz, a própria Fiocruz reconhece o limite do contrato ao “citar explicitamente a epilepsia refratária como única condição a ser tratada pelo produto da Prati-Donaduzzi”.

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Teixeira e Ducci questionaram ainda sobre a origem da matéria-prima prevista no acordo. “Tendo em vista que o cultivo da planta canabis sativa é ainda vedado pela legislação nacional, qual seria a origem da matéria-prima a ser empregada na fabricação em larga escala de medicamentos canabinoides?”, incluíram no requerimento.

Alguns parlamentares apoiam que a Embrapa seja a responsável pelo cultivo da cannabis para fins medicinais, dessa maneira consideram que a maconha pode ser controlada e evitar que o seu uso medicinal seja desviado para outros fins.

Mas a principal questão é torno do custo mesmo, segundo apurou a Fórum. Medicamentos à base de cannabis, por serem importados, custam em média R$ 2 mil, fazendo com que a maioria das pessoas não tenha acesso. Também está em discussão a inclusão dos medicamentos canabinoides no Sistema Único de Saúde (SUS).

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