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Universidade abre mão da patente, e curativo de tilápia entra na etapa de aprovação da Anvisa para uso em hospitais

Metrópoles   21 Novembro 2025   932   Indústria Farmacêutica
Universidade abre mão da patente, e curativo de tilápia entra na etapa de aprovação da Anvisa para uso em hospitais

A pele de tilápia, pesquisada há quase uma década pela Universidade Federal do Ceará (UFC), está mais perto de chegar aos hospitais. A instituição assinou no dia 10 de novembro a cessão da patente do curativo biológico feito a partir da pele do peixe, permitindo que as empresas Biotec Solução Ambiental Indústria e Comércio Ltda. e Biotec Controle Ambiental Ltda. assumam a produção e os testes necessários para tornar o produto natural disponível no mercado.

A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da UFC. Eles descobriram que a pele da tilápia, depois de tratada e esterilizada, funciona como um curativo capaz de aderir bem à área machucada, manter a umidade ideal da ferida e acelerar a cicatrização. Os estudos começaram com queimaduras, mas o material também vem sendo testado para outras lesões.

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Em pesquisas clínicas com pacientes, a pele de tilápia mostrou resultados semelhantes aos de curativos modernos à base de prata. Em média, a cicatrização ocorreu em pouco mais de nove dias, tempo próximo ao do material convencional. Os níveis de dor relatados pelos pacientes também foram parecidos.

Com a licença da patente, caberá à empresa desenvolver o produto final, realizar novos testes, comprovar segurança e buscar aprovação da Anvisa antes que o curativo possa ser utilizado amplamente. A ideia inclui lançar um kit comercial e estudar aplicações tanto na medicina humana quanto na veterinária.

Além do potencial terapêutico, o uso da pele de tilápia é visto como uma solução acessível e sustentável. A tilápia é amplamente produzida no Brasil e sua pele costuma ser descartada. Transformá-la em biomaterial reduz desperdícios e cria uma alternativa de baixo custo, especialmente útil em regiões onde tratamentos avançados são menos acessíveis.

A nova fase do projeto marca um passo importante para que uma tecnologia criada no Brasil possa se tornar parte da rotina de tratamento de queimaduras e feridas, ampliando opções para pacientes e fortalecendo a inovação científica nacional.

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