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Libbs Farmacêutica investe US$ 1 milhão em pesquisa sobre regeneração do tecido cardíaco

Marcus Andrade   24 Mai 2019   7211   Indústria Farmacêutica
Libbs Farmacêutica investe US$ 1 milhão em pesquisa sobre regeneração do tecido cardíaco

Sexta-feira, 24 de maio de 2019

As notícias recentes traçam um cenário pouco favorável para o futuro da Ciência e da Pesquisa no País. Na contramão dessa corrente, a brasileira Libbs Farmacêutica está investindo em um projeto de longo prazo e com a perspectiva de trazer avanços substanciais na área da Saúde. A companhia acaba de assinar um contrato com a PluriCell, startup fundada em 2013 e parte da incubadora USP/IPEN-Cietec, para desenvolver, em parceria, uma terapia celular regenerativa para doenças cardiovasculares. A iniciativa envolve um investimento-anjo de US$ 1 milhão na empresa novata. “O projeto ainda está em fase inicial. Mas caso seja validado, não é algo trivial. Será revolucionário”, afirma Lívia Prado, líder de inovação da Libbs.

O objetivo é desenvolver células cardíacas em laboratório, a partir de células-tronco, capazes de regenerar o tecido cardíaco. No centro da iniciativa estão as pessoas que sofreram infartos do miocárdio e que, por conta desse incidente, vivem sob uma série progressiva de restrições em seu dia a dia. “A capacidade regenerativa das células do coração é extremamente baixa”, explica Marcos Valadares, CEO e cofundador da PluriCell. “Hoje, só existem terapias paliativas, que atacam os sintomas e não o problema.” Lívia destaca outro aspecto do projeto. “Quanto maior o número de iniciativas que o ecossistema em todo o Brasil gerar, melhor”, afirma. “Do contrário, perdemos competitividade. A inovação acontecerá em outro país e teremos um custo maior para trazê-la para cá.”

Como é padrão nessa indústria, o projeto ainda passará por uma série de etapas para que, caso seja validado, chegue ao mercado como um produto. A primeira fase de testes envolve animais de menor porte e está em vias de ser concluída. Nesse estágio, explica Valadares, a meta é comprovar se, depois de colocadas, as células se mantêm no coração. O próximo passo inclui os testes em animais de grande porte, quando começará a ser avaliado se a terapia traz, de fato, melhoras no funcionamento do órgão. “Nossa expectativa é de que os testes em humanos tenham início em 2023. E de que, caso sejamos bem-sucedidos, tenhamos um produto em dez anos”, afirma o CEO da PluriCell.

Além do aporte financeiro, a colaboração entre Libbs e PluriCell envolve desde o trabalho em conjunto dos pesquisadores até a assessoria da farmacêutica em questões relativas à regulação e gestão de negócios. O acordo, por sua vez, integra um pacote de iniciativas que a Libbs vem desenvolvendo no campo da inovação. Com um faturamento de R$ 1,5 bilhão em 2018, o grupo destina, em média, 10% de sua receita para a área. Um dos exemplos dessa estratégia é o programa Portas Abertas, lançado no fim de 2016 e voltado à aproximação com empresas novatas. “Desde o início do projeto, já conversamos com mais de 300 startups”, diz Lívia. O escopo não está restrito a startups de Saúde e os modelos de parceria podem incluir o codesenvolvimento de projetos, a contratação de serviços e o investimento nessas companhias, entre outras frentes.

Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de Marcus Andrade e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

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