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Indústrias nacionais pretendem produzir princípios ativos no País

Marcelo de Valécio   09 Novembro 2020   4601   Indústria Farmacêutica
Indústrias nacionais pretendem produzir princípios ativos no País

Produtores nacionais de medicamentos se propõem a fabricar insumos internamente, de forma a reduzir a dependência do País da matéria-prima importada da China e da Índia, principalmente. A pandemia acelerou essa necessidade, segundo o diretor executivo da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), Henrique Tada, em entrevista ao Estadão.

Segundo ele, a pandemia foi o gatilho para a indústria começar a trabalhar em um projeto para fabricar insumos no mercado interno. “Diante da franca dependência das matérias-primas importadas da China e da Índia, a indústria nacional desenhou um projeto bem interessante com o Governo Federal para voltar a produzir as matérias-primas aqui. Tudo indicava que esse bonde tínhamos perdido para sempre, mas a pandemia trouxe de volta”, salientou Tada ao jornal.

Nos anos 1980, o Brasil chegou a ser o quinto fabricante de princípios ativos para indústria farmacêutica. Mas a produção nacional foi inviabilizada, com a abertura comercial. A partir disso, China e Índia se tornaram os nossos maiores fornecedores. Contudo, desde meados do ano passado, a indústria farmacêutica vem sofrendo com a importação de matérias-primas da Ásia.

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A China iniciou, em 2019, um programa de melhoria nas condições ambientais para reduzir a imensa poluição que assola grande parte do seu território. Algumas unidades que poluíam demais acabaram fechadas. Isso impactou na produção e no preço dos insumos farmacêuticos ativos (IFA). Quando a produção chinesa começava a se regularizar, as fábricas conseguiram se adequar às novas exigências ambientais, surgiu a Covid-19, que colocou de cabeça para baixo o mercado novamente. Outro grande produtor, a Índia, também foi abalado pela pandemia e reduziu as vendas.

Com isso, a indústria nacional de medicamentos, que responde por 50,5% das vendas de R$ 69,8 bilhões no varejo, sentiu o baque da dependência externa – dificultada também pela expressiva alta do dólar neste ano – e começou a trabalhar em uma alternativa, que inclui a produção local.

“Cerca de 90% das matérias-primas usadas para produzir os medicamentos são importadas. Os preços desses princípios ativos estão atrelados ao câmbio. Com o dólar que chegou a valer R$ 6 e depois recuou, tivemos matérias-primas que aumentaram até 300% em dólar. Também o custo do frete marítimo subiu porque as empresas de transporte pararam por causa da pandemia. Além da questão do custo, houve problemas de disponibilidade de matéria-prima porque a China e a Índia, que concentram a produção de princípios ativos, pararam. Hoje a situação caminha para a normalidade, mas os preços são outros”, esclareceu Tada.

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De acordo com o diretor da Alanac, o projeto está em fase de discussão, sendo que cerca de dez laboratórios devem participar. “Antes, tinham empresas com projetos individuais, mas não havia ambiente favorável para serem implementados. Agora, o setor despertou para o problema e também está no jogo o apoio do Governo, com leis específicas e redução de impostos”.

“Fizemos várias reuniões com os Ministérios da Fazenda, da Ciência e Tecnologia e da Saúde. Foi um tema que a pandemia trouxe de volta e estamos tratando para que realmente esse projeto aconteça. Temos capacidade técnica para fabricar os princípios ativos. O que faltava era vontade, projeto e condições econômicas favoráveis para implementação”, finalizou Tada.

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