Skip to main content

Farmacêutica da USP desenvolve fórmula com planta que reduz gordura abdominal

Metrópoles   28 Julho 2025   3294   Indústria Farmacêutica
Farmacêutica da USP desenvolve fórmula com planta que reduz gordura abdominal

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontou que o uso da planta medicinal silimarina (Silybum marianum), em uma formulação nutracêutica contendo também prebióticos e minerais, revelou benefícios na saúde metabólica e na qualidade de vida de pessoas com sobrepeso ou obesidade, com redução da circunferência abdominal e melhora na composição da microbiota intestinal e na qualidade do sono.

A pesquisa foi realizada pela farmacêutica e bioquímica Ana Flávia Marçal Pessoa, no Laboratório de Produtos e Derivados Naturais, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). A pesquisadora colaboradora do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo e fundadora do Instituto Botânico conversou com o Metrópoles sobre o trabalho.

O foco do estudo chamado “Modulação do Eixo-Intestino Cérebro em voluntários sobrepeso com uso de uma formulação Prebiótica” era desenvolver meios de modular o intestino para o cultivo da microbiota probiótica, gerando melhora no funcionamento geral do organismo.

A silimarina, extraída do cardo-mariano, é utilizada há séculos no tratamento de distúrbios hepáticos. Na pesquisa, Ana Flávia atestou que a formulação utilizada contribuiu, também, para melhorias na microbiota intestinal.

“Os efeitos da diminuição da circunferência abdominal e da melhora da qualidade do sono foram por causa da regulação das bactérias. A silimarina já é muito utilizada na literatura com a função hipocolesterolêmica e a gente está dando aqui uma nova alegação, que é uma alegação ansiolítica”, explicou a biomédica.

Segundo a pesquisadora, os médicos já prescrevem a silimarina para problemas no fígado, mas ela acredita que os profissionais deixam de avaliar se o paciente, quando ingere apenas o fitoterápico, não tem também uma melhora na qualidade do sono ou diminuição na circunferência abdominal.

“Uma questão para observar é que, se você diminuir a inflamação no fígado, você vai melhorar a qualidade de vida do seu paciente, vai diminuir o estado inflamatório, então, ele pode melhorar o sono […] Se você diminuir a inflamação, você diminui o cortisol e também melhora o sono. Está tudo relacionado”, pontuou.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Metodologia do estudo com a planta medicinal silimarina

Os testes foram realizados em voluntários entre 44 e 64 anos, sendo homens e mulheres, com sobrepeso e obesidade.

Durante 6 meses, os voluntários tomaram duas doses, duas vezes ao dia (quatro cápsulas diárias).

O teste foi realizado no método duplo-cego, ou seja, os pesquisadores não sabiam quem estava ingerindo o suplemento com ou sem a silimarina.

No período em que tomaram a suplementação, os voluntários não podiam fazer alterações em suas dietas ou realizar atividades físicas.

Publicidade

O resultado foi melhor nos pacientes obesos, apontou Ana Flávia.

De acordo com Ana Flávia, os resultados do estudo foram mistos. A silimarina teve um efeito superior em alguns dados, por exemplo, a modulação da microbiota. Ela falou que, modulando a microbiota, houve até diminuição de um perfil lipídico.

Os destaques do estudo chamam a atenção para a redução no Índice de Massa Corporal (IMC) e circunferência abdominal, melhoria na qualidade de vida, redução na expressão de citocinas inflamatórias, redução do marcador AST/ALT, diminuição dos níveis do “hormônio do estresse” e modulação de bactérias importantes na manutenção da saúde intestinal.

A farmacêutica e seu grupo de pesquisadores vem realizando diversos trabalhos relacionados ao intestino. “A gente viu que a obesidade altera o microbioma. Ela altera tanto a morfologia do intestino, quanto as bactérias. E, quando você altera a morfologia do intestino, vai diminuir a absorção e/ou vai produzir citocinas inflamatórias. Quando você muda, você desequilibra a bactéria”, falou.

Segundo a biomédica, já existe uma empresa que está comercializando a formulação nutracêutica com silimarina. “É uma coisa que, aqui no Brasil, está começando agora. Mas, lá fora, eles já usam muito os prebióticos associados a minerais”, disse.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias

Anvisa recolhe lotes de medicamentos injetáveis após encontrar vidro, precipitados e corpos estranhos em frascos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou o recolhimento de lotes d…

Como desenvolver uma carreira de sucesso em Assuntos Regulatórios na Indústria farmacêutica

Segunda-feira, 12 de março de 2018 A ideia de sucesso não é a mesma para todo…

Medicamento faz crescer dentes perdidos avança para teste clínicos

Ao contrário de répteis e peixes, que geralmente substituem seus dentes regular…

Farmacêutica recusa proposta do Brasil e atrasa acesso do SUS à PrEP semestral

O governo brasileiro tentou avançar na incorporação do lenacapavir ao SUS, mas…

União Química desiste de fazer testes em massa da Sputnik no Brasil

Após quase cinco meses tentando, sem sucesso, obter autorização da Agência Naci…

Hypera avança no setor de biotecnologia com investimento de R$363,8 milhões do BNDES

 O grupo farmacêutico Hypera (HYPE3) garantiu financiamento de cerca de 36…

EMS registra primeiro genérico de semaglutida do Brasil

A EMS conseguiu o registro do primeiro medicamento genérico de semaglutida do B…

Medicamento oral estimula queima de gordura em repouso e preserva massa muscular, segundo estudo

Um novo medicamento em forma de comprimido foi capaz de estimular a queima de g…

Novo medicamento mostra resposta rápida no tratamento da depressão pós-parto

A chegada de um bebê costuma ser um momento de alegria, mas, para muitas mulher…

Inspeções da Anvisa testam a maturidade das Boas Práticas de Fabricação

Quarta-feira, 9 de setembro de 2015 É comum, em todo o ciclo de trabalho do fa…