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Dengue: de forma inédita medicamento mostra efeito contra o vírus

Bernardo Yoneshigue — Rio de Janeiro   20 Outubro 2023   2078   Indústria Farmacêutica
Dengue: de forma inédita medicamento mostra efeito contra o vírus

Após resultados promissores para bloquear a replicação do patógeno, antiviral avança nos testes clínicos.

Um antiviral para a dengue desenvolvido pela Janssen, divisão farmacêutica da Johnson e Johnson, demonstrou pela primeira vez um efeito contra o vírus em testes clínicos com humanos. A empresa anunciou os resultados iniciais da segunda de três etapas dos estudos nesta sexta-feira, no Encontro Anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene em Chicago, nos EUA.

O trabalho, ainda que pequeno, mostrou que o medicamento JNJ-1802 induziu uma atividade inédita contra o vírus no organismo. Além disso, o antiviral foi seguro e bem tolerado. Com isso, o remédio avançou para um estudo maior que vai estabelecer a eficácia em voluntários no mundo real em 10 países, incluindo o Brasil.

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“Os resultados promissores do JNJ-1802 até o momento oferecem a esperança de que a ciência será capaz de enfrentar esta ameaça à medida que mais e mais comunidades são afetadas em todo o mundo”, diz Marnix Van Loock, líder da divisão de Patógenos Emergentes da Janssen, em comunicado.

O tipo do teste que mostrou o potencial do medicamento é chamado de desafio humano, em que os pesquisadores expõem intencionalmente voluntários saudáveis a um patógeno para testar uma vacina ou tratamento.

Segundo a plataforma Clinical Trials, que registra os estudos clínicos, foram cerca de 54 voluntários recrutados no total, divididos em diferentes grupos para avaliar dosagens baixas, médias e altas do medicamento. Em cada uma delas, os participantes foram separados entre aqueles que receberam o antiviral, e os que tomaram placebo.

O estudo avaliou o medicamento no esquema profilático, ou seja, de prevenção, tendo início antes mesmo da infecção. Os voluntários, adultos saudáveis de 18 a 55 anos, receberam doses diárias do JNJ-1802, ou de placebo, durante 26 dias. No quinto, foram expostos a uma versão do sorotipo 3 do vírus da dengue atenuada para minimizar os sintomas.

Todos os voluntários foram monitorados durante 85 dias. Os pesquisadores observaram uma resposta dose-dependente, ou seja, aqueles que tomaram o medicamento na dosagem mais alta tiveram níveis significativamente mais baixos de detecção do vírus no organismo, comparado ao grupo placebo.

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A droga funciona bloqueando proteínas que o vírus da dengue utiliza para se replicar no organismo e provocar a infecção. Agora, a nova fase do teste contemplará um número maior de voluntários, aproximadamente 2 mil segundo o registro no Clinical Trials, e avaliará o efeito do medicamento contra a contaminação na vida real, pela picada do mosquito.

“As alterações climáticas ameaçam colocar mais pessoas em risco de contrair dengue, mas o mundo não dispõe das ferramentas necessárias para combater este significativo desafio de saúde”, afirmou Ruxandra Draghia-Akli, líder da divisão de Saúde Pública Global da Janssen.

Mais cedo, em março deste ano, a empresa já havia publicado na revista científica Nature os resultados de testes com primatas não humanos e camundongos, mostrando uma forte proteção contra a dengue.

Avanço da dengue no Brasil

Segundo a última atualização do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 1,55 milhão de casos de dengue em 2023 até o último dia 10. No ano passado, de acordo com dados do DataSUS, foram 1,3 milhão de diagnósticos até o fim de setembro.

Os números tornam 2023 o segundo pior ano de incidência de dengue registrado na série histórica. De acordo com a Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde (IVIS), também mantida pela Saúde, 2015 foi o pior cenário já identificado: 1,69 milhão de pessoas foram contaminadas com o vírus.

2015 também era o ano mais letal, com 986 mortes, mas foi superado por 2022 após o Brasil ter registrado 1.016 óbitos. Neste ano, até o último dia 10, o país já identificou 979 mortes.

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