Skip to main content

Coronavírus: Pfizer poderá ter vacina disponível até o final do ano

Marcelo de Valécio   29 Abril 2020   26591   Indústria Farmacêutica
Coronavírus: Pfizer poderá ter vacina disponível até o final do ano

Quarta-feira, 29 de abril de 2020

Pfizer anuncia testes clínicos de vacina para combater o novo coronavírus, com medidas para produção em larga escala e a possibilidade de o produto estar pronto até o final deste ano. Nos estudos, a farmacêutica avalia ainda o potencial do tofacitinibe e da azitromicina para o tratamento da Covid-19.

A farmacêutica norte-americana informou nesta terça-feira (28/4) que o desenvolvimento da vacina é fruto de um acordo de colaboração global firmado com a alemã BioNTech, a partir da técnica de RNA mensageiro (mRNA). Vacinas deste tipo oferecem instruções ao organismo para orientar a produção de antígenos que permitem ao sistema imunológico combater a doença.

De acordo a Pfzer, resultados dos ensaios iniciais de rastreamento de compostos antivirais confirmaram a possível atuação de uma molécula, assim como de moléculas análogas, como inibidoras potentes de uma proteína essencial para a replicação do vírus da Covid-19. A partir desse achado, a companhia realizará estudos confirmatórios, incluindo perfil antiviral adicional e avaliação da adequação da molécula para administração clínica.

O início dos estudos clínicos está previsto para o final deste mês, nos Estados Unidos e na Alemanha. A partir da análise dos resultados, a companhia deverá submeter a vacina à aprovação das agências reguladoras, com possibilidade de iniciar o fornecimento das doses até o término de 2020.

Há cerca de uma semana, a agência reguladora da Alemanha (Paul Ehrlich Institute) aprovou o início dos testes clínicos para quatro vacinas contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2). Pfizer e BioNTech anunciaram que farão os ensaios iniciais em 200 humanos saudáveis com idade entre 18 e 55 anos, informou o Jornal Nacional, da TV Globo.

Os pacientes irão receber doses que variam de 1 a 100 microgramas, uma forma de testar a eficiência e a segurança da imunização. Em breve, de acordo com a Pfizer, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, deverá liberar os testes também no país. A Pfizer afirma que, caso os testes sejam bem-sucedidos, milhões de doses podem ser produzidas até o final deste ano.

Novos tratamentos

Segundo a Pfizer, um dos caminhos promissores para o tratamento da Covid-19 compreende a avaliação do potencial do tofacitinibe, a partir de um estudo independente de fase 2 em curso na Itália. Trata-se de um inibidor oral da janus quinase, uma proteína importante nos processos inflamatórios característicos de algumas doenças autoimunes, como artrite reumatoide.

A hipótese é que essa ação também poderia mitigar a inflamação sistêmica e do alvéolo pulmonar dos pacientes com pneumonia associada ao novo coronavírus. Para avaliar tal possibilidade, a Pfizer está dialogando com universidades sobre estudos adicionais envolvendo tofacitinibe e outros moduladores imunológicos que fazem parte portfólio do laboratório.

“Estamos trabalhando para encontrar oportunidades de otimizar o tempo por meio de uma abordagem multifacetada, com uma profunda colaboração e parceria de todo o ecossistema de inovação em saúde, que envolve comunidade acadêmica, parceiros do próprio setor farmacêutico, formuladores de políticas públicas e órgãos reguladores”, afirma o presidente mundial de pesquisa, desenvolvimento e medicina da Pfizer, Mikael Dolsten.

Outro tipo de tratamento em desenvolvimento pela Pfizer envolve um grupo de pesquisadores da companhia que estão à frente de uma revisão científica sobre estudos in vitro e clínicos relacionados às propriedades antivirais da azitromicina, um antibiótico usado no tratamento de diversas infecções bacterianas. O material, que deverá ser publicado na revista científica Clinical Pharmacology and Therapeutics, poderá contribuir para pesquisas adicionais futuras a respeito do uso da substância no combate à Covid-19.

Com o objetivo de contribuir com os avanços de pesquisas científicas, a empresa adotou um plano global composto por cinco prioridades. Os pontos principais incluem a implementação de uma plataforma global para compartilhamento de conhecimento e ferramentas abertas para pesquisadores trocarem conhecimento sobre a nova doença; a criação de uma equipe dedicada ao combate ao coronavírus; o auxílio a biotechs para o desenvolvimento de medicamentos; a disponibilização, pela primeira vez, da capacidade de manufatura da empresa para produção de medicamentos focados nas necessidades atuais para o combate à pandemia; e a comunicação próxima com agências reguladoras e todos os esforços para auxiliar parceiros que consigam avançar na busca por terapias.

“A Pfizer está colaborando com parceiros do setor da saúde e instituições acadêmicas para desenvolver novas potenciais abordagens para prevenir e tratar a Covid-19. Nossos pesquisadores e cientistas também estão explorando novos usos potenciais de medicamentos já existentes no portfólio da companhia para ajudar os pacientes infectados”, afirma o CEO global da Pfizer, Albert Bourla.

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de Marcus Andrade e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

Anvisa atualiza entendimento sobre intercambialidade de biossimilares

Farmacêuticos que atuam com medicamentos biológicos, dispensação, gestão clínic…

INPI debate inovação e patentes na indústria farmacêutica

O INPI apresentou as ações planejadas e em andamento voltadas para o setor farm…

Indústria preocupada com o congelamento de preço de medicamentos

Ante proposta a ser debatida no Senado que proíbe a alta do preço dos medicamen…

Bayer tenta reverter prejuízo de R$ 51,6 bilhões

Se pudesse mudar alguma coisa em seus 157 anos de existência, provavelmente a B…

Astrazeneca compra Alexion por R$ 198,1 bilhões

O laboratório britânico Astrazeneca anunciou a compra da empresa de biotecnolog…

Sanofi cortará 400 empregos na área de pesquisa

O corte de 400 empregos na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) na sede fra…

J&J tenta empurrar vacinas com vida útil mais curta para a América Latina, diz diretor da Opas

Johnson & Johnson pressionou a América Latina a aceitar vacinas contra a Covid-…

Gestão e tecnologia impulsionam a evolução da produção de medicamentos

Sábado, 1 de janeiro de 2011 Em 1843, o artista e inventor inglês William Broc…

Após Lula cobrar mais agilidade da Anvisa e resposta de Barra Torres, senadora solicita projeto de lei para a criação de novos cargos na agência.

Foi divulgado, em 11/9, que a senadora Mara Gabrilli (PSD/SP) enviou uma indica…

Mounjaro leva a Eli Lilly a registrar aumento de 50% no lucro do 4º trimestre

A Eli Lilly teve lucro de US$ 6,63 bilhões no quarto trimestre, alta de 50% na…