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Brasil produz apenas 5% dos IFAs que necessita

Marcelo de Valécio   11 Fevereiro 2021   6671   Indústria Farmacêutica
Brasil produz apenas 5% dos IFAs que necessita

O Brasil produz apenas 5% dos insumos farmacêuticos ativos (IFA) necessários para a fabricação de seus medicamentos. Falta dessa matéria-prima expõe a dependência do País de produtos importados, a maior parte oriunda da China e da Índia, responsáveis pela fabricação de 40% dos insumos utilizados no mundo, revela o portal Segs.

“É importante salientar que nas últimas três décadas, não somente o Brasil como também os países desenvolvidos transferiram suas produções de insumos para a Ásia, de modo a reduzir seus custos”, esclareceu ao Segs o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), Norberto Prestes. “Isso fez com que China e Índia investissem massivamente em tecnologia, subsídios para exportação e produção, entre outros, o que as tornou hegemonias e potências mundiais na produção de insumos farmacêuticos”.

Ao atingir o ápice na década de 1980, com crescimento de 8% ao ano, a indústria farmacêutica brasileira deixou seu posto de autossuficiência, quando fabricava 55% de seus insumos, e passou por um processo de ‘especialização regressiva’ na década seguinte.

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Com a abertura comercial dos anos 1990, tornou-se mais barato importar medicamentos e insumos do que fabricá-los, o que desestimulou a produção local de farmoquímicos, fazendo a indústria farmacêutica nacional chegar à impressionante porcentagem de 90% de IFAs importados.

“Se por um lado reforçaram a capacitação técnica e financeira das empresas produtoras de medicamentos, pouco ou nada fizeram para a redução da dependência dos insumos. Isso rapidamente transformou a cadeia farmacêutica em um grande importador, tanto de IFAs quanto de medicamentos prontos”, salientou Prestes.

Embora essa quase total dependência de insumos venha de longa data, foi a pandemia que chamou a atenção para o problema, alertando sobre os perigos da ruptura de fornecimento para a saúde pública. Segundo o executivo, a Covid-19 abriu os olhos do mundo para a saúde como ativo estratégico.

“Somos uma das dez maiores indústrias farmacêuticas do mundo e, mesmo assim, totalmente dependentes das importações dos insumos. Claro que não deixaremos de importar, todos os países o fazem devido ao baixíssimo custo, o que não podemos aceitar mais é sermos um país sem capacidade tecnológica para reagir a um problema como esse e não entrar em colapso. É preciso estruturar a cadeia de produtores e prestadores de serviços para insumos em parceria com a indústria farmacêutica a fim de alcançarmos melhores resultados”, frisou Prestes.

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Dos vários entraves gerados durante esses últimos trinta anos, a falta de investimentos em inovação e tecnologia, ausência de isonomia regulatória, tributária, entre outros aspectos, impediram que o Brasil passasse a fabricar parte dos seus insumos e, com isso, diminuir os constantes riscos de colapso da saúde pública.

“Assistimos nesta pandemia os governos das grandes democracias da Europa e os Estados Unidos destinarem dezenas de bilhões de dólares e se associarem com as empresas que estão pesquisando tanto vacinas como medicamentos, testes de diagnósticos, insumos e tudo o mais que seja relevante para o combate à pandemia. Esta postura é fundamental ser tomada e o Brasil reagir rapidamente”, acredita Prestes.

O executivo ainda ressaltou que será necessário um grande esforço do Governo, juntamente com a iniciativa privada, para que o Brasil seja colocado no mapa como uma alternativa mundial para compra de insumos farmacêuticos, tamanha a necessidade de grandes investimentos nas áreas de inovação tecnológica e desenvolvimento, assim como mecanismos que possibilitem competitividade nesse mercado.

Apesar disso, de acordo com o presidente da Abiquifi, o País tem capacidade tanto tecnológica quanto científica para desenvolver vacinas. “Talvez o que faltou para o Brasil foi a permanência ou medidas perenes e contínuas para que o incentivo à pesquisa, o desenvolvimento de vacinas, ou de medicamentos e insumos, nunca fossem interrompidos”, concluiu.

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