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Brasil avança com primeiro soro do mundo contra picada de abelha

CFF   22 Outubro 2025   878   Indústria Farmacêutica
Brasil avança com primeiro soro do mundo contra picada de abelha

Desenvolvido por pesquisadores da Unesp, o soro antiapílico entra na fase final de testes clínicos e poderá, em breve, ser disponibilizado no SUS para salvar vidas em casos de ataques de abelhas.

O primeiro soro do mundo capaz de neutralizar o veneno de abelhas está sendo desenvolvido por cientistas brasileiros. Pesquisadores do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, acabam de iniciar a terceira e última fase dos estudos clínicos do soro antiapílico. O avanço é resultado de um investimento de R$ 20 milhões do Ministério da Saúde, que permitirá concluir os testes necessários para a aprovação do produto pela Anvisa.

Fruto de mais de uma década de pesquisa, o biofármaco é totalmente desenvolvido com tecnologia nacional e conta com o apoio da Fapesp. O soro é produzido a partir da inoculação gradual do veneno de abelhas em cavalos, estimulando a produção de anticorpos capazes de neutralizar os efeitos tóxicos do veneno em humanos. Nos testes realizados entre 2016 e 2018, em Botucatu (SP) e Tubarão (SC), o antídoto demonstrou segurança e eficácia em 20 pacientes que haviam sido picados por até 2 mil abelhas, apresentando melhora clínica significativa sem efeitos adversos graves.

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Os acidentes com abelhas africanizadas, híbridas de espécies africanas e europeias, têm aumentado no Brasil e já superam o número de ocorrências com serpentes. Entre 2013 e 2023, foram registrados mais de 206 mil casos, resultando em 699 mortes diretas e indiretas. As picadas podem causar reações alérgicas graves, dificuldades respiratórias e falência de órgãos em casos de múltiplas ferroadas. O avanço do desmatamento, o uso de pesticidas e a urbanização têm contribuído para o aumento dos ataques, tornando o problema uma questão de saúde pública.

Atualmente, o tratamento para vítimas de picadas de abelhas se limita ao controle da dor, inflamação e reações alérgicas, já que não existe um antídoto específico disponível no SUS. Segundo o coordenador-executivo do Cevap, Rui Seabra Ferreira Jr., a ausência de um tratamento direcionado torna os casos mais graves e potencialmente fatais. Com a conclusão da fase final dos testes, que contará com até 200 pacientes, o soro poderá ser produzido em larga escala e distribuído gratuitamente na rede pública de saúde, marcando um feito histórico para a ciência e a farmacologia brasileiras.

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