Skip to main content

Biomm fecha acordo e deve fornecer medicamento contra Covid-19 ao Brasil

Van Martins   07 Abril 2021   5008   Indústria Farmacêutica
Biomm fecha acordo e deve fornecer medicamento contra Covid-19 ao Brasil

A Biomm, empresa pioneira na produção nacional de insulinas, acaba de fechar um acordo exclusivo com a norte-americana CytoDyn, com o objetivo de fornecer um potencial medicamento contra a Covid-19 para o Brasil.

O medicamento é o leronlimabe, que está em fase de aprovação para o uso emergencial para tratar pacientes hospitalizados e com necessidade de oxigenação, ou seja, em quadro grave, mediante as complicações do coronavírus.

A solicitação de aprovação do leronlimabe, em casos de Covid-19, já foi feita às agências sanitárias dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, conforme destacou a Biomm, em nota enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nesta terça (06/04).

Publicidade

O CEO da Biomm, Heraldo Marchezini, pontuou a satisfação da companhia com o acordo e ponderou que tem urgência em disponibilizar o medicamento para atender aos pacientes brasileiros.

 “Estamos muito satisfeitos com nosso contrato de fornecimento e distribuição exclusivo assinado recentemente com a CytoDyn. Nossa meta urgente é fornecer o leronlimabe aos brasileiros gravemente enfermos com Covid-19”, declarou Marchezini, em comunicado divulgado pela CytoDyn.

No mesmo comunicado, o presidente e diretor executivo da CytoDyn, Nader Pourhassan, enalteceu a parceria e falou do entusiasmo com este marco entre as companhias, em prol de um potencial benefício aos pacientes brasileiros.

“Estou muito grato ao Marchezini e sua equipe por acelerar nossos esforços para promover a disponibilidade de leronlimabe a todos os pacientes que podem se beneficiar deste produto imunomodulador”.

Sobre o acordo

O acordo firmado entre a Biomm e a CytoDyn prevê à companhia nacional comercializar o leronlimabe em todo o País. Contudo, isso só ocorrerá após o medicamente obter a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nesse sentido, a CytoDyn se comprometeu a realizar ensaios clínicos no Brasil para todas as indicações atuais do leronlimabe, ou seja, tanto para a Covid-19, como, também, no uso para tratar outras enfermidades nas quais o medicamento vem sendo estudado, como câncer, esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e, até mesmo, HIV.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Como deve ser a liberação do leronlimabe no Brasil?

Para ser comercializado no Brasil, o leronlimabe necessita ter seu uso emergencial submetido à análise da Anvisa. Essa avaliação, como qualquer outro medicamento ou imunizante, é feita por uma equipe multidisciplinar que envolve especialistas das áreas de registro, monitoramento e inspeção da Agência. Após a análise concluída e aprovação desse pedido, o leronlimabe poderá ser comercializado no Brasil.

Em entrevista, via podcast, à Escola da Magistratura do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o gerente-geral da Gerência Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos (GGMED) da Anvisa, Gustavo Mendes, explicou como se dá a atuação da entidade para analisar e aprovar o uso de novos medicamentos no Brasil.

De acordo com Mendes, quando se refere à aprovação de medicamentos, a Anvisa atua em dois momentos; pesquisa clínica – quando os estudos são feitos no Brasil, e registro do produto – quando os estudos foram realizados em outro país.

“A nossa avaliação, como agência reguladora, tem por objetivo garantir que esses medicamentos têm segurança, qualidade e eficácia. Nesses três pilares, nós envolvemos uma série de questões técnicas; como quais são as reações adversas desse medicamento e em qual local ele vai ser fabricado para uso em massa. De forma geral, é mais ou menos nesse sentido que a Agência atua para registrar o medicamento, para que, assim, ele possa ser utilizado pela população brasileira”, explicou Mendes, que também é professor no ICTQ - Instituto de Pesquisa e Tecnologia para o Mercado Farmacêutico, na Pós-graduação de Assuntos Regulatórios, entre outros cursos.

Sobre o leronlimabe

Conforme divulgado pela CytoDyn, o leronlimabe já recebeu indicação da agência americana como potencial tratamento contra o HIV e o câncer metastático.

Além disso, a marca pontua que o leronlimabe está em estudo quanto à sua capacidade de bloquear o CCR5, um receptor celular importante na infecção pelo HIV, de metástases tumorais e outras doenças, incluindo a esteato-hepatite não alcoólica.

A companhia destacou que o medicamento foi estudado em 11 ensaios clínicos envolvendo mais de 1.200 pessoas e atingiu seus objetivos primários em um ensaio principal de Fase 3 (no qual foi combinado com terapias antirretrovirais padrão em pacientes infectados com HIV experientes em tratamento).

No que se refere ao tratamento da Covid-19, a marca informou que já realizou dois ensaios clínicos com pacientes (um de Fase 2 e um de Fase 3), e, recentemente, iniciou um ensaio investigativo de Fase 2 para sequelas pós-agudas do coronavírus.

Além disso, segundo a empresa, nas Filipinas, um paciente hospitalizado com Covid-19 melhorou significativamente 35 horas após receber a primeira injeção do fármaco e teve alta em, apenas, três dias após o uso da medicação.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias farmacêuticas diariamente..

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Indústria farmacêutica apoia reforma tributária

A indústria farmacêutica nacional apoia a reforma tributária, mas quer ser enqu…

Desafios regulatórios para exportação de medicamentos

Quinta-feira, 19 de maio de 2016 O processo de internacionalização das indústr…

Cervejaria vai produzir 500 mil unidades de álcool em gel para o SUS

Quarta-feira, 18 de março de 2020 Na última terça-feira (17/03), a Companhia d…

Medicamento tem produção interrompida por contaminação bacteriana

A companhia farmacêutica americana MSD resolveu interromper a produção do antib…

Do SAC às redes sociais: como a IA está ampliando o alcance da farmacovigilância

A farmacovigilância, área essencial para garantir a segurança dos medicamentos…

A comissão da indústria farmacêutica para médicos na mira do Governo Federal

O Ministério da Saúde prepara a criação de uma espécie de portal da transparênc…

Novo fármaco pode funcionar como 'vacina anual' contra o HIV

Um estudo da farmacêutica Gilead Sciences, publicado na revista The Lancet, na…

Brasil inicia fabricação nacional de medicamento contra rejeição de órgãos

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciou a produção 100% nacional do imunossup…

Sorrento se prepara para chegar à indústria farmacêutica brasileira

A Sorrento Pharmaceuticals, companhia sediada em San Diego, Estados Unidos, pre…

Do balcão à prescrição: como a indústria farmacêutica controla milhões de receitas médicas

A indústria farmacêutica monitora o que os médicos receitam no Brasil. E usa as…