Skip to main content

Astrazeneca diz que estudos da vacina não indicam prejuízos a gestantes

Van Martins   12 Mai 2021   5038   Indústria Farmacêutica
Astrazeneca diz que estudos da vacina não indicam prejuízos a gestantes

Logo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendar, nesta segunda-feira (10/05), a suspensão imediata da vacinação de gestantes com o imunizante contra a Covid-19 da Astrazeneca, a farmacêutica se pronunciou e apontou que os estudos do seu antígeno não sinalizaram prejuízos às grávidas.

Em nota oficial, publicada pelo G1, a Astrazeneca destacou que a vacina não foi testada com gestantes ou mulheres que estavam amamentando. Porém, nos estudos realizados com animais não foi identificado qualquer efeito prejudicial, conforme relata:

“Referente a suspensão do uso da vacina AstraZeneca/Fiocruz por parte da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a AstraZeneca esclarece que as mulheres que estavam grávidas ou amamentando foram excluídas dos estudos clínicos. Esta é uma precaução usual em ensaios clínicos. Os estudos em animais não indicam efeitos prejudiciais diretos ou indiretos no que diz respeito à gravidez ou ao desenvolvimento fetal”.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Após a Anvisa emitir a recomendação, os 22 Estados, que estavam aplicando a vacina da farmacêutica às gestantes, suspenderam a vacinação delas.

Na tarde desta terça-feira (11/05), o Ministério da Saúde declarou que somente mulheres grávidas com comorbidades devem ser imunizadas contra a Covid-19. No entanto, isso só pode ocorrer com os antígenos da Pfizer ou da Coronavac.

Por que Anvisa recomenda a suspensão imediata?

Ainda nesta terça-feira, um dia após recomendar a suspensão imediata do uso da Astrazeneca em gestantes, a Anvisa explicou o motivo para a tomada desta decisão.

De acordo com a Agência, isso se deu após a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), parceiro da Astrazeneca na fabricação do imunizante, notificar a morte suspeita de uma gestante de 35 anos, conforme relata a nota da entidade:

“Foi notificada à Anvisa, na última sexta (07/05), pelo próprio fabricante da vacina Oxford/AstraZeneca/Fiocruz, a Fiocruz, a suspeita de evento adverso grave de acidente vascular cerebral hemorrágico com plaquetopenia ocorrido em gestante e óbito fetal”, informou.

A gestante morreu em 10 de maio. O caso ainda é investigado e, segundo a Anvisa, o "evento adverso grave de acidente vascular cerebral hemorrágico foi avaliado como possivelmente relacionado ao uso da vacina administrada na gestante".

Ainda de acordo com a entidade, esse caso de trombose com plaquetopenia é um evento adverso muito raro. Mas é “potencialmente relacionado a vacinas que usam adenovírus como plataforma”, como é o caso dos imunizantes da Astrazenca e da Janssen – essa também já tem uso aprovado no Brasil.

Publicidade

Por fim, a entidade destaca que a bula da vacina da Astrazeneca é de Categoria C, ou seja, “os dados apresentados até o momento são insuficientes para fundamentar um risco associado com a vacina.

Por isso, a vacinação de gestantes com esse antígeno não é recomendada pela Anvisa como “medida de precaução”.

No entanto, a Agência reforça a recomendação da vacinação ás demais pessoas, conforme está previsto na bula da vacina, uma vez que, “até o momento, os benefícios superam os riscos”.

Uso da Astrazeneca no Brasil

A vacina da Astrazeneca já tem o registro definitivo de uso aprovado no Brasil desde março passado. O registro definitivo permite que o imunizante seja comercializado e disponibilizado em todo o país, e permite, ainda, que ele seja aplicado à população em geral.

No entanto, antes disso, em janeiro deste ano, o imunizante recebeu aprovação para uso emergencial no País. Nesta aprovação, o imunizante não é aplicado à toda a população, e sim, apenas, aos grupos prioritários.

Na ocasião da aprovação do uso emergencial, em entrevista à CNN Brasil, o gerente geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, falou sobre a eficácia do antígeno, argumentando que, entre motivos para aprovação da Agência, se deu a comprovação da eficácia global.

Nesse sentido, segundo ele, nos estudos disponíveis com a vacina da Astrazeneca foi verificada uma taxa de eficácia de 70,42%. Ainda assim, Mendes salientou que a Agência continuaria avaliando o desempenho do imunizante:

"Recomendamos a aprovação para o uso emergencial, condicionada ao monitoramento de incertezas [que ainda estão em aberto] e à avaliação periódica”, declarou Mendes, que também é aulas na Pós-graduação de Assuntos Regulatórios, entre outros cursos no ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias farmacêuticas diariamente..

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Anvisa estabelece novo modelo de inspeção para fabricantes de medicamentos sintéticos

Anvisa informa que, em breve, serão iniciadas as Inspeções de Pré-Qualificação…

Estudo de Stanford aponta regeneração de cartilagem e pode mudar tratamento da osteoartrite

Uma descoberta recente conduzida por pesquisadores da Stanford Medicine pode re…

Pfizer entra na Justiça contra Novo Nordisk por controle da Metsera, empresa de biotecnologia em obesidade

A Pfizer, gigante do setor farmacêutico nos Estados Unidos, está proc…

Anvisa simplifica o registro de medicamentos biossimilares com nova regulamentação

Anvisa aprovou, na reunião da Diretoria Colegiada desta segunda-feira (27/5),&n…

EMS lança no País primeiro medicamento nanomolecular

Como resultado da parceria com o laboratório norte-americano Zyla, a EMS traz a…

Laboratório de microbiologia: proteção final contra contaminações e endotoxinas na indústria farmacêutica

Quando um medicamento falha por contaminação microbiana, o risco não fica no lo…

Redução de resíduos aumenta a eficiência e reduz custos na indústria

Segunda-feira, 15 de agosto de 2011 Poluição é desperdício e aumenta o custo d…

Estudo revela que melatonina pode proteger contra obesidade ao regular gordura visceral

Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade Complutense de Ma…

RDC 55/10, sobre registro de produtos biológicos, comentada

Terça-feira, 23 de abril de 2019 A RDC 55, de 16 de dezembro de 2010, regulame…

Da produção à dispensação: por que a Validação de Processos é vital na indústria farmacêutica

Na indústria farmacêutica, a margem para erro simplesmente não existe. Cada com…