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Variação genética pode explicar casos graves de Covid-19, diz estudo

Marcelo de Valécio   23 Fevereiro 2021   5056   Farmácia Clínica
Variação genética pode explicar casos graves de Covid-19, diz estudo

Pacientes de Covid-19 com quadros clínicos graves, que necessitam hospitalização, apresentam uma variação genética específica com muito mais frequência do que as pessoas com quadros leves da doença, indicou estudo da Universidade Médica de Viena (UniMed), revelaram Agência EFE e RTP. Os resultados do estudo foram publicados na revista Genetics in Medicine.

Os sintomas e a gravidade da Covid-19 diferem de acordo com o paciente, conforme a interação entre o vírus e o sistema imunológico da pessoa infectada. A principal conclusão do estudo é que os indivíduos com uma ausência parcial ou total do receptor NKG2C tendem a desenvolver casos severos da doença.

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Devido à variação genética, aproximadamente 4% da população não têm naturalmente o receptor de ativação NKG2C e em 30% dos indivíduos esse receptor está apenas parcialmente disponível, revelou a virologista e chefe do estudo Elisabeth Puchhammer-Stöckl em comunicado divulgado ontem (22/2) pela UniMed.

Essa variação genética foi encontrada principalmente em pessoas infectadas com o coronavírus (Sars-CoV-2) que tiveram de ser hospitalizadas. “A ausência do receptor era especialmente frequente em doentes que tinham de ser tratados por Covid-19 em unidades de terapia intensiva (UTI), independentemente de idade ou sexo”, esclareceu a virologista.

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Normalmente, a resposta imunológica antiviral das células ‘natural killer’ (NK) – um importante linfócito do sistema imunológico para a defesa do organismo – é uma etapa fundamental no combate à replicação viral na fase inicial da infecção. Essas células assassinas têm receptores especiais, incluindo o NKG2C, que se liga a uma célula infectada por meio de uma das suas estruturas de superfície especializadas, o HLA-E – interação que resulta na destruição de células infectadas pelo agente patógeno.

“As variações genéticas no HLA-E da célula infectada também se associaram com a gravidade da doença, mas em menor medida”, explicou Elisabeth. Tais descobertas podem abrir as portas para identificação precoce de pacientes de alto risco e a descoberta de novas fórmulas para combater a pandemia, acrescentou a cientista. “Esta parte da resposta imunológica pode ser um objetivo importante para o desenvolvimento de medicamentos que podem ajudar a prevenir a infecção grave da Covid-19”, frisou a virologista.

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