Skip to main content

Tratamento injetável de longa duração para HIV é aprovado nos Estados Unidos

Marcelo de Valécio   26 Janeiro 2021   5506   Farmácia Clínica
Tratamento injetável de longa duração para HIV é aprovado nos Estados Unidos

ViiV Healthcare, pertencente à GlaxoSmithKline (GSK), tendo Pfizer e Shionogi Limited como acionistas, anunciou que sua primeira terapia com antirretrovirais injetáveis de longa duração para HIV foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA), órgão de controle de medicamentos dos Estados Unidos. A vantagem do tratamento é o paciente não precisar tomar medicamentos diariamente.

Pouco mais de um ano após ser rejeitado pela FDA, o Cabenuva finalmente ganhou a liberação do órgão regulador norte-americano. Segundo revelou o site Fierce Pharma, esperava-se que o medicamento obtivesse sua aprovação até o final de 2019, mas a FDA o rejeitou por causa de problemas de fabricação. Desde então, ele obteve sua primeira autorização no Canadá, em março de 2020, e em dezembro, foi aprovado pela União Europeia.

Cabenuva é uma combinação de cabotegravir e rilpivirina, drogas que devem ser administradas por via intramuscular a cada um ou dois meses para que sejam mantidos seus níveis terapêuticos entre as injeções. A nova proposta de coquetel injetável foi avaliada em uma série de ensaios clínicos que compararam a sua eficácia terapêutica com a do esquema clássico, que utiliza comprimidos diários, conforme revelou o médico infectologista e colunista do Uol Rico Vasconcelos.

Publicidade

No mais recente estudo, publicado em 2020, foram recrutados 618 indivíduos com o HIV indetectável em tratamento regular habitual. Depois de incluídos no estudo, foram sorteados para trocarem o tratamento para o injetável ou seguirem com os comprimidos. O acompanhamento dos dois grupos mostrou que, independente do tratamento realizado, a porcentagem de indivíduos com a carga viral indetectável se manteve estável e semelhante. Não importando também se as injeções eram aplicadas a cada um ou dois meses.

Segundo a diretora executiva da ViiV Healthcare, Deborah Waterhouse, o medicamento traz uma opção de tratamento importante aos pacientes de HIV. “Sabemos que há uma proporção de pessoas que tem dificuldade para tomar comprimidos todos os dias, algumas porque acham desafiador lembrar que vivem com HIV”, disse Deborah ao Fierce Pharma. “Outras porque têm problema em revelar que são HIV positivas, acham estigmatizante, então precisam esconder seus medicamentos e viver com medo de que eles sejam encontrados”, completou.

​Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Para Rico Vasconcelos, a diversificação das opções terapêuticas é um excelente caminho para adaptar o tratamento aos diferentes contextos de vida. “Comprimidos podem ser uma boa opção para alguns, assim como injeções podem ser para outros. Só não podemos achar que todas as pessoas são iguais e nem desconsiderar as peculiaridades de cada um”, salienta o médico.

Vasconcelos critica a ausência no País de uma sinalização para adoção do novo tratamento. “No Brasil, não existe ainda a discussão da incorporação dessa tecnologia. Para que isso se torne um dia uma realidade aqui, além do registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), precisaríamos também de uma análise da operacionalização do uso da terapia antirretroviral injetável no nosso sistema público de saúde, inclusive com a avaliação de custo-efetividade”, diz, lembrando que a decisão de outros países é “um passo importante e que pressiona o Ministério da Saúde a começar a pensar nesse assunto”.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias farmacêuticas diariamente

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Identificadas 6 novas variantes do coronavírus no Tocantis

Pesquisadores de universidades federais do Tocantins encontraram seis variantes…

Covid-19: catástrofe se aproxima, preveem especialistas

Em carta aberta, divulgada em 03 de março, o grupo Observatório Covid-19 BR, qu…

Professores do ICTQ destacam o papel do farmacêutico clínico nas novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) divulgou, no último 12 de abril, as…

As novas armas na luta contra o Alzheimer

Uma nova safra de drogas que promete avanços reacende debates sobre melhor form…

China confirma primeiro caso de novo vírus respiratório em humanos

Por meio de suas autoridades sanitárias, a China confirmou, nesta terça-feira (…

Kit-Covid pode ter gerado mortes por hepatite e fila para transplante

Em São Paulo, ao menos três pacientes morreram por hepatite e cinco estão na fi…

Bronzeado sem sol viraliza nas redes com peptídeo ilegal e sem controle

Sexta-feira, 10 de julho de 2026 Uma substância injetável conhecida como melan…

Novo aparelho portátil calcula dose certa de medicamentos contra o câncer

A Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP)…

Telefarmácia é aprovada no Brasil

Uma resolução há muito esperada por farmacêuticos que atuam no cuidado direto à…

Ministério da Saúde emite alerta sobre o Vírus Nipah no Brasil

Um surto do vírus letal Nipah no estado de Bengala Ocidental tem deixado a Índi…