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Cabeça de lagarto, fezes humanas e dentes de hipopótamo, estudo revela "medicamentos" usados a 600 anos atrás

Metrópoles   27 Janeiro 2026   302   Farmácia Clínica
Cabeça de lagarto, fezes humanas e dentes de hipopótamo, estudo revela "medicamentos" usados a 600 anos atrás

Já pensou em passar fezes humanas na cabeça para se livrar da calvície? E utilizar dentes de hipopótamo para curar mau hálito? Hoje em dia, todos esses tratamentos parecem bem absurdos, mas há quase 600 anos, eles eram recomendados por especialistas da época.

Ao analisar vestígios químicos presentes em livros médicos renascentistas, pesquisadores internacionais descobriram algumas das técnicas bizarras utilizadas para tratar as mais diferentes condições há muito tempo atrás.

As investigações foram realizadas com base em dois manuais do médico alemão Bartholomäus Vogtherr, publicados em 1531: “Como Curar e Expulsar Todas as Aflições e Doenças do Corpo Humano” e “Um Pequeno Livro Útil e Essencial de Medicina para o Homem Comum”. Os best-sellers fizeram sucesso à época e continham o passo a passo para combater doenças comuns, como queda de cabelo e mau hálito.

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A descoberta das receitas foram lideradas pela Universidade de Manchester, na Inglaterra. A instituição tinha um exemplar das obras e permitiu as investigações nele. Os resultados do estudo estão disponibilizados na revista American Historical Review desde meados de dezembro.

Descoberta dos remédios antigos

No livro alvo das investigações, os pesquisadores identificaram anotações datadas dos séculos 16 e 17, o que sugere que os proprietários testaram as indicações e até registraram os resultados na própria página da obra.

No entanto, era preciso mais do que rabiscos para provar que as receitas foram realmente utilizadas. Por isso, os cientistas também analisaram os traços químicos invisíveis presentes nos papéis. A técnica usada foi a análise proteômica, um estudo realizado para identificar e quantificar as proteínas e, em seguida, descobrir as funções e interações delas.

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“As pessoas sempre deixam vestígios moleculares nas páginas de livros e outros documentos quando entram em contato com o papel. Esses vestígios incluem componentes do suor, às vezes da saliva, metabólitos, contaminantes e componentes ambientais.  Proteínas e peptídeos fazem parte dessa mistura e são frequentemente invisíveis a olho nu”, explica o  coautor do estudo, Gleb Zilberstein, em entrevista ao portal Live Science.

Disquetes de plástico coletaram as proteínas das páginas para análise. Ao todo, 111 componentes proteicos foram sequenciados na obra do médico alemão, sendo a maioria pertencente aos próprios donos dos livros. Já outros eram associados a plantas ou animais das receitas de cura.

Assim, os resultados revelaram a utilização de remédios naturais mais comuns, com agrião e alecrim, mas também outros bem mais diferentes, como o uso de fezes ou cabeças de lagarto pulverizadas para tratamentos de calvície ou carapaças de tartarugas para retenção de líquidos.

Outra descoberta foi a utilização de dentes de hipopótamo para tratar condições dentárias, como mau hálito, aftas e dentes escuros.

Depois do achado curioso, o plano dos pesquisadores é investigar mais obras históricas para compreender ainda mais como funcionava a medicina antigamente e como ela evoluiu com o passar do tempo.

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