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Revisão científica indica que cannabis não alivia dor neuropática crônica

Metrópoles   20 Janeiro 2026   348   Farmácia Clínica
Revisão científica indica que cannabis não alivia dor neuropática crônica

A dor neuropática crônica, condição causada por danos nos nervos, geralmente é difícil de tratar e isso faz com que muitos pacientes busquem outras alternativas além dos remédios tradicionais.

Entre essas alternativas, estão os medicamentos à base de cannabis, que ganharam espaço nos últimos anos como uma possível opção terapêutica.

Nesta segunda-feira (19/1), uma revisão publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews aponta que, apesar de os produtos serem populares, não apresentam eficácia comprovada.

O que é a dor neuropática

Dor causada por nervos danificados que enviam sinais errados ao cérebro.

Pode afetar o sistema nervoso central (cérebro e medula) ou periférico (resto do corpo).

As causas mais comuns são diabetes, herpes zoster, compressões como túnel do carpo e ciática, além de traumas e AVC.

Algumas outras causas incluem doenças autoimunes, HIV, alcoolismo e câncer.

Os sintomas são queimação, choques, agulhadas, formigamento e dor exagerada ao toque.

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Como o estudo foi feito

Os pesquisadores revisaram 21 ensaios clínicos que incluíram mais de 2,1 mil adultos com dor neuropática. Os estudos testaram tipos diferentes de produtos à base de cannabis, alguns com mais THC, outros com mais CBD e outros que misturavam os dois na mesma proporção.

Todos foram comparados a placebos por períodos que variaram de duas a 26 semanas. Os estudos envolveram formas diferentes do uso da cannabis, como erva para inalação, sprays bucais, comprimidos, cremes e adesivos.

Apesar das variações, a proposta era verificar se algum desses formatos seria mais eficaz que o placebo no alívio da dor. No fechamento do estudo, os autores concluíram que nenhum desses produtos mostrou redução consistente da dor.

Mesmo que fossem percebidas melhoras por parte dos pacientes, elas foram pequenas e não foram consideradas fortes o bastante para ter relevância clínica. Outro ponto observado durante o estudo foi a ocorrência de alguns efeitos colaterais.

De acordo com o levantamento, entre as reações mais frequentes, os medicamentos com THC estão associados à tontura e sonolência. Em alguns ensaios, esse desconforto levou participantes a abandonar o tratamento antes do fim do período previsto.

O que ainda falta esclarecer

Para Winfried Häuser, médico e o principal autor do estudo, os ensaios disponíveis hoje não são suficientes para ter conclusões consistentes. Segundo ele, os estudos atuais têm limitações e não abrangem pacientes com outras condições associadas.

“Precisamos de estudos maiores e bem elaborados, com duração de tratamento de pelo menos 12 semanas, que incluam pessoas com doenças físicas e transtornos mentais concomitantes, para compreender plenamente os benefícios e os malefícios dos medicamentos à base de cannabis”, afirmou Häuser em comunicado à imprensa.

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