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Reino Unido autoriza estudo que vai infectar jovens saudáveis com coronavírus

Marcelo de Valécio   18 Fevereiro 2021   2757   Farmácia Clínica
Reino Unido autoriza estudo que vai infectar jovens saudáveis com coronavírus

O Reino Unido anunciou ontem (17/2) ter autorizado o primeiro ensaio do mundo a infectar intencionalmente com o novo coronavírus (Sars-Cov-2) voluntários jovens saudáveis. Experimento quer entender como acontece a infecção e é o primeiro passo para futuros ensaios com vacinas, revelou a Folha.

Conhecido como estudo de desafio humano, esse tipo de experimento, por envolver risco de vida para os participantes, exigiu a aprovação do conselho de ética do Health Research Authority (HRA), que supervisiona pesquisas de saúde no país.

O ensaio britânico vai começar dentro de um mês, com 90 voluntários de 18 a 30 anos, que serão expostos a uma quantidade diminuta do vírus em ambiente controlado. O objetivo final é acelerar a pesquisa sobre imunizantes. Nesta primeira etapa, os pesquisadores querem determinar qual é a menor quantidade de Sars-Cov-2 necessária para infectar um indivíduo.

Essa informação é relevante para desenhar estudos posteriores envolvendo vacinas, revelou Andrew Catchpole, diretor científico da hVivo, empresa privada especializada nesse tipo de ensaio, que participará do estudo. Nessa fase, os cientistas também vão pesquisar como o sistema imunológico reage ao vírus e o que afeta a transmissão, informou o virologista da Universidade de Warwick, Lawrence Young.

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De acordo com os cientistas, os voluntários serão expostos à versão tradicional do coronavírus, e não às variantes mais contagiosas, porque já há estudos suficientes mostrando que o impacto do vírus original sobre jovens saudáveis é baixo.

O patógeno será ‘produzido’ por uma equipe do hospital infantil Great Ormond Street, de Londres, em colaboração com a hVivo e com virologistas do Imperial College London, e o experimento será feito em instalações especiais de pesquisa clínica do Royal Free Hospital também na capital inglesa, com equipamentos e medidas de segurança para evitar que o patógeno escape.

Médicos e cientistas irão monitorar os voluntários durante 24 horas por dia e, se eles desenvolverem sintomas, serão imediatamente tratados com o medicamento remdesivir, que já demonstrou eficácia para combater o Sars-Cov-2, segundo os pesquisadores.

Segundo o secretário de Negócios britânico, Kwasi Kwarteng, o estudo ajudará a encontrar as melhores e mais eficazes vacinas para uso no longo prazo. “Estes estudos de desafio humano ocorrerão aqui no Reino Unido e ajudarão a acelerar o conhecimento dos cientistas de como o coronavírus afeta as pessoas, e futuramente poderiam ampliar o desenvolvimento rápido de vacinas”, salientou à Reuters.

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De acordo com o chefe de vacinas da Fundação Wellcome – instituição que promove pesquisas em saúde –, Charlie Weller, “considerando que as opções de tratamento atuais para Covid-19 são limitadas”, é importante que os voluntários sejam recrutados nos grupos de menor risco e sejam monitorados de perto.

Testes desse tipo já são usados ​​para estudar infecções, tratamentos e vacinas para muitos organismos diferentes, desde o vírus do resfriado comum até o protozoário causador da malária. O primeiro experimento conhecido aconteceu em 1796, quando o pioneiro das vacinas Edward Jenner inoculou James Phipps, de 8 anos, com o vírus vivo da varíola bovina.

Posteriormente, os voluntários podem receber candidatas à vacina antes de serem expostos ao vírus – e serão recompensados pela participação, segundo o governo britânico. Porém, essa segunda etapa ainda deve demorar, conforme informou o HRA.

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