Skip to main content

Novas diretrizes e protocolos para asma no SUS o que o farmacêutico precisa saber

Ricardo Valença   19 Mai 2026   1109   Farmácia Clínica
Novas diretrizes e protocolos para asma no SUS o que o farmacêutico precisa saber

O Sistema Único de Saúde atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para asma, substituindo a norma anterior, de 2023, e estabelecendo novas orientações para diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença. A mudança amplia as opções terapêuticas para asma grave, reforça a necessidade de confirmação diagnóstica por exames de função pulmonar e atualiza a abordagem conforme recomendações internacionais, como a Global Initiative for Asthma 2025.

A principal novidade está na ampliação das terapias para pacientes com asma grave. Além de medicamentos já previstos, como omalizumabe e mepolizumabe, o novo protocolo inclui benralizumabe e dupilumabe, além de ampliar a indicação de mepolizumabe para crianças. Segundo Emilio Pizzichini, coordenador da Comissão de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, a atualização favorece indivíduos com formas mais graves da doença, especialmente quando as terapias usuais não apresentam resposta adequada.

O protocolo também traz um recado importante para a prática clínica: a asma não deve ser tratada apenas com broncodilatador de alívio. Para casos leves e moderados, o tratamento com corticoide inalatório isolado deixa de ser considerado suficiente, reforçando a necessidade de combinações entre anti-inflamatórios e broncodilatadores, como formoterol, salmeterol ou outros, conforme a etapa terapêutica indicada.

O que muda no diagnóstico e no tratamento

A atualização reforça que o diagnóstico da asma não deve depender apenas de sintomas. Falta de ar, chiado, tosse e aperto no peito são sinais importantes, mas precisam ser interpretados junto ao histórico clínico, exame físico e testes de função pulmonar, especialmente a espirometria. O documento enfatiza a necessidade de confirmar o diagnóstico, já que há risco tanto de superdiagnóstico quanto de subdiagnóstico.

Publicidade

Esse ponto é decisivo. Pacientes tratados como asmáticos sem confirmação podem usar medicamentos sem melhora real dos sintomas, enquanto pessoas com sintomas leves podem não receber o cuidado adequado por falta de investigação. Para o farmacêutico clínico, compreender essa diferença é essencial, porque muitos pacientes chegam à farmácia relatando “falta de ar”, “chiado” ou uso frequente de bombinha sem saber se a doença está controlada.

O novo protocolo também diferencia controle e gravidade. Controle está relacionado aos sintomas atuais e ao risco de agravamento, enquanto gravidade depende da quantidade de medicamento necessária para manter a doença estável. A avaliação da gravidade deve ser feita de forma retrospectiva, após pelo menos dois a três meses de tratamento.

Além disso, a asma passa a ser considerada de forma mais individualizada, com atenção aos fenótipos da doença, como asma alérgica, não alérgica, com predominância de tosse, de início tardio, associada à obesidade ou com limitação persistente do fluxo de ar. Essa visão reforça que a asma é uma doença heterogênea e que o tratamento precisa considerar o perfil do paciente, a resposta terapêutica e os fatores que dificultam o controle.

Asma segue como problema relevante de saúde pública

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. Não tem cura, mas pode ser controlada ou entrar em remissão quando há diagnóstico correto, tratamento adequado e acompanhamento contínuo. Seus sintomas podem variar ao longo do tempo e incluem falta de ar, chiado, tosse e aperto no peito.

No Brasil, a doença ainda representa um desafio importante. O país tem uma das maiores prevalências de asma nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá. Embora as internações tenham caído na última década, de 134.222 em 2013 para 87.707 em 2023, a doença segue causando impacto expressivo no sistema de saúde.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

A mortalidade média é de 1,16 caso por 100 mil habitantes ao ano, o equivalente a cerca de seis mortes por dia no país, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade referentes ao período de 2014 a 2021. A maior proporção de óbitos ocorre entre mulheres e pessoas com 60 anos ou mais.

Esses números mostram que a asma não pode ser banalizada. Quando mal controlada, pode gerar crises, internações, uso recorrente de corticoides sistêmicos, limitações nas atividades diárias e risco de morte. Quando bem acompanhada, o objetivo do tratamento é reduzir sintomas, evitar crises, manter função pulmonar adequada e diminuir a necessidade de medicação de resgate.

O farmacêutico precisa acompanhar as atualizações de protocolo

A farmácia é, muitas vezes, um dos primeiros pontos de contato do paciente com sintomas respiratórios. É comum que pessoas com tosse, chiado, falta de ar, piora noturna ou uso frequente de broncodilatadores procurem orientação antes de acessar outros serviços. Por isso, o farmacêutico clínico precisa estar atualizado sobre mudanças no manejo da asma.

O novo protocolo reforça desafios que aparecem diretamente na rotina farmacêutica: baixa adesão ao tratamento, uso incorreto de inaladores, percepção inadequada da gravidade, uso exagerado de corticoides sistêmicos sem acompanhamento e confusão entre medicamentos de alívio e medicamentos de controle.

Esse é um dos pontos mais importantes para a atuação do farmacêutico. O paciente que usa “bombinha” mais de duas vezes por semana pode não estar com a doença controlada. A ocorrência de crise nos últimos seis meses também é sinal de alerta. Nesses casos, a orientação farmacêutica deve reforçar a necessidade de reavaliação do cuidado, uso correto dos dispositivos inalatórios e adesão ao tratamento de controle.

O farmacêutico não diagnostica asma, mas pode identificar sinais de alerta, reconhecer padrões de uso inadequado, orientar sobre técnica inalatória, explicar diferenças entre medicamentos de controle e de resgate, alertar sobre riscos do uso indiscriminado de corticoides e encaminhar o paciente para avaliação quando houver sintomas persistentes, piora clínica ou sinais de descontrole.

Acompanhamento farmacoterapêutico pode melhorar o controle da doença

A asma exige acompanhamento contínuo. O tratamento não depende apenas da escolha do medicamento, mas também da forma como o paciente usa esse medicamento. Inaladores mal utilizados, interrupção precoce da terapia de controle, medo de corticoides inalatórios, automedicação e falta de entendimento sobre a doença estão entre os fatores que prejudicam os resultados.

Nesse cenário, o farmacêutico clínico tem papel estratégico. Ele pode revisar o uso dos medicamentos, observar se o paciente compreende a finalidade de cada produto, orientar sobre frequência, técnica, limpeza dos dispositivos, armazenamento, possíveis efeitos adversos e sinais de piora.

Também pode contribuir para reduzir riscos associados ao uso inadequado de corticoides sistêmicos. O material destaca que o uso frequente desses medicamentos, sem acompanhamento, pode estar relacionado a problemas como obesidade, diabetes, refluxo, osteoporose, catarata, maior risco de infecções, depressão e apneia do sono.

Com novas terapias, novos critérios e maior individualização do cuidado, o farmacêutico precisa estar preparado para orientar com segurança. A atualização do protocolo não impacta apenas especialistas ou gestores. Ela chega ao balcão da farmácia, à consulta farmacêutica, ao acompanhamento de pacientes crônicos e à educação em saúde.

Qualificação prepara o farmacêutico para atuar no cuidado respiratório

As novas regras para diagnóstico e tratamento da asma mostram que o farmacêutico clínico precisa dominar fisiopatologia, farmacoterapia, técnica inalatória, acompanhamento de pacientes crônicos, adesão ao tratamento, identificação de riscos e comunicação clara com o paciente.

A Pós-Graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica do ICTQ prepara o farmacêutico para essa realidade. O curso desenvolve competências em atenção farmacêutica, semiologia farmacêutica, anamnese, interações medicamentosas, farmacocinética clínica, farmacodinâmica, interpretação clínica de exames, comunicação interpessoal e prescrição farmacêutica dentro dos limites legais da profissão.

Além disso, a pós-graduação conta com o módulo Farmacoterapia e Fisiopatologia dos Sistemas Cardiovascular e Respiratório, que aborda o tratamento da asma e outros distúrbios respiratórios, preparando o farmacêutico para compreender melhor a doença, orientar pacientes e atuar de forma mais segura no acompanhamento farmacoterapêutico.

Em um cenário em que os protocolos mudam, novas terapias são incorporadas e o cuidado respiratório exige mais precisão, o farmacêutico qualificado se torna peça essencial para transformar informação técnica em orientação segura, adesão ao tratamento e melhor qualidade de vida para pacientes asmáticos.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias

Importante: dois compostos anti-inflamatórios se mostram eficazes na recuperação da Covid-19

Dois estudos independentes, sendo um com o anticorpo monoclonal eculizumabe, re…

Ibuprofeno x nimesulida: farmacêuticos esclarecem diferenças e alertam sobre cuidados na dispensação

O ibuprofeno e a nimesulida são medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais…

Novo medicamento reduz recidiva de câncer de ovário

Aprovado recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o…

Vermífugo conhecido pode ser nova alternativa contra Covid-19

Pesquisadores da empresa PrimerGen, em Viseu, Portugal, explicaram à agência de…

Farmácia de manipulação é confiável e especialista explica como garantir segurança

Que o mercado de manipulação de medicamentos está em crescimento, tod…

12 crianças vão parar na UPA após ingerirem medicamento controlado

Crianças foram atendidas na UPA do 2º Distrito de Rio Branco.

Declaração de Eduardo Costa sobre vacina e calvície é fake news, alertam farmacêuticos

Polêmica à vista: recentemente, o cantor sertanejo Eduardo Costa se apresentou…

Consultório farmacêutico é regulamentado pelo CFF para todo o país

Minas saiu na frente e agora o Consultório Farmacêutico foi regulamentado na 51…

Empresas oferecem canetas emagrecedoras como benefício a funcionários

Empresas no Brasil e no exterior começaram a incluir medicamentos análogos de G…

Medicamentos para intubação no Brasil podem acabar em 20 dias

Dados das secretarias municipais de Saúde alertam que, em vários estados, os es…