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Estudo brasileiro associa omeprazol ao risco de anemia e perda óssea

Metrópoles   15 Janeiro 2026   668   Farmácia Clínica
Estudo brasileiro associa omeprazol ao risco de anemia e perda óssea

O uso prolongado de medicamentos como o omeprazol, indicados para tratar azia, refluxo e gastrite, pode provocar desequilíbrios importantes na absorção e na distribuição de minerais essenciais no organismo, aponta um estudo brasileiro publicado neste mês.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), identificou alterações associadas a risco de anemia e comprometimento da saúde óssea em testes com animais. A pesquisa foi publicada na revista científica "ACS Omega".

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O que os pesquisadores observaram

O estudo avaliou ratos submetidos ao uso contínuo de omeprazol por períodos equivalentes a 10, 30 e 60 dias. Ao final de cada etapa, os cientistas analisaram sangue e órgãos como estômago, fígado e baço.

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Entre os principais achados estão:

- Aumento do cálcio no sangue, o que pode indicar retirada do mineral dos ossos.

- Queda nos níveis de ferro circulante, associada a sinais compatíveis com anemia.

- Alterações em magnésio, zinco, cobre e potássio, minerais essenciais para funções neuromusculares, imunológicas e cardiovasculares.

- Mudanças em parâmetros do sistema imune.

“O achado mais preocupante foi o aumento significativo de cálcio na corrente sanguínea dos animais, o que pode indicar um desequilíbrio com a retirada do mineral dos ossos e risco futuro de osteoporose. No entanto, são necessários estudos mais longos para confirmar essa hipótese”, afirma Angerson Nogueira do Nascimento, professor da Unifesp que coordenou o estudo em parceria com Fernando Fonseca, da FMABC.

Por que o omeprazol interfere nos nutrientes

Medicamentos como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol reduzem a acidez do estômago ao inibir a bomba de prótons responsável pela produção do ácido clorídrico.

Esse ambiente mais ácido é fundamental para a absorção de minerais como ferro e cálcio. Ao diminuir essa acidez, o medicamento alivia sintomas gástricos, mas também dificulta a absorção de nutrientes.

Uso comum, riscos pouco conhecidos

Com mais de 30 anos no mercado, o omeprazol se tornou um dos medicamentos mais utilizados no país, muitas vezes por conta própria e por períodos prolongados.

“Não se trata de demonizar o medicamento, que é eficaz para diversas condições gástricas. O problema é o uso banalizado, inclusive para sintomas leves como azia, e por períodos prolongados por meses e até anos. Seus efeitos adversos não devem ser negligenciados”, alerta Andréa Santana de Brito, pesquisadora da Unifesp.

Venda sem receita acende alerta

O estudo ganha relevância no momento em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, em novembro de 2025, a venda de omeprazol 20 mg sem prescrição médica.

Segundo a Anvisa, a medida busca estimular o uso responsável, com tratamento limitado a até 14 dias. Especialistas, porém, alertam que a facilidade de acesso pode aumentar a automedicação e o uso prolongado sem acompanhamento.

Metodologia, pontos fortes e limites

A pesquisa foi realizada com 36 ratos adultos, divididos em grupos controle e tratados com omeprazol, acompanhados por até 60 dias. Os pesquisadores analisaram parâmetros hematológicos, bioquímicos e a concentração de minerais nos órgãos por espectrometria de massa.

Pontos fortes

- Análise detalhada de múltiplos órgãos

- Avaliação simultânea de vários minerais.

- Método laboratorial preciso.

Ressalvas

- Resultados em animais, não em humanos.

- Não avalia efeitos clínicos diretos, como fraturas.

- Não permite concluir causalidade em longo prazo em pessoas.

- Os próprios autores ressaltam que “são necessários estudos mais longos e em humanos para confirmar esses achados”.

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