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Cientistas descobrem bactéria antiga imune a 10 antibióticos atuais

Metrópoles   20 Fevereiro 2026   254   Farmácia Clínica
Cientistas descobrem bactéria antiga imune a 10 antibióticos atuais

Durante escavações na caverna de gelo de Scarisoara, na Romênia, pesquisadores encontraram uma cepa de bactéria congelada há aproximadamente 5 mil anos. Investigações posteriores mostraram que o microrganismo é resistente a 10 tipos de antibióticos modernos, utilizados para tratamentos de doenças como tuberculose e infecções do trato urinário.

Trata-se da Psychrobacter SC65A.3, uma cepa do gênero Psychrobacter e que é altamente adaptada ao frio extremo. Ela tem capacidade de infectar humanos e animais.

Testes em laboratório apontaram a resistência bacteriana, mas também mostraram que o microrganismo pode ajudar a compreender a evolução dos mecanismos de resistência bacteriana, além de ter potencial biotecnológico.

“O estudo de micróbios como a Psychrobacter SC65A.3, recuperada de depósitos de gelo em cavernas milenares, revela como a resistência a antibióticos evoluiu naturalmente no ambiente, muito antes do uso de antibióticos modernos”, aponta uma das autoras do estudo, Cristina Purcarea, em comunicado.

O trabalho liderado pelo Instituto de Biologia de Bucareste da Academia Romena, na Romênia, teve os resultados publicados nessa segunda-feira (16/2) na revista científica Frontiers in Microbiology.

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Bactéria ancestral resistente

Na caverna gelada, os cientistas extraíram um núcleo de gelo de 25 metros. Em seguida, os fragmentos foram armazenados em sacos esterilizados e mantidos congelados até a chegada ao laboratório. As medidas visavam evitar qualquer tipo de contaminação.

Em ambiente controlado, a cepa bacteriana foi isolada e teve seu genoma sequenciado. O objetivo era descobrir quais genes faziam ela sobreviver a temperaturas congelantes e quais lhe traziam resistência antimicrobiana.

Nos testes de resistência da cepa SC65A.3 contra 28 antibióticos de 10 classes distintas, ela foi resistente a 10 exemplares. Todos os remédios testados, incluindo rifampicina, vancomicina e ciprofloxacina, servem para combater infecções bacterianas atuais, como tuberculose, colite e infecções do trato urinário.

O exemplar também foi o primeiro a registrar resistência contra antibióticos como trimetoprima, clindamicina e metronidazol, utilizados para combater infecções do trato urinário, pulmonares, de pele ou sanguíneas e do sistema reprodutivo.

A principal hipótese por trás de tamanha resistência é que cepas com capacidade de sobreviver a ambientes frios também podem abrigar sequências específicas de DNA, responsáveis por auxiliar a resistir ao efeito dos medicamentos.

“Se o derretimento do gelo liberar esses micróbios, esses genes podem se espalhar para bactérias modernas, agravando o desafio global da resistência a antibióticos”, alerta a autora do estudo.

Outro lado da “moeda”

Por outro lado, justamente por apresentarem o atributo de resistência bacteriana, as enzimas e os compostos antimicrobianos produzidos pela cepa podem ajudar os cientistas a produzir novos antibióticos e outras inovações biotecnológicas mais potentes contra as bactérias.

Ainda há 600 genes encontrados na cepa SC65A.3 a serem investigados. Eles podem revelar mecanismos biológicos nunca vistos antes. Outros 11 genes também têm sido observados de perto, pois demonstraram potencial para matar ou impedir o desenvolvimento de outras bactérias, fungos e vírus.

“Essas bactérias antigas são essenciais para a ciência e a medicina, mas o manuseio cuidadoso e as medidas de segurança em laboratório são essenciais para mitigar o risco de disseminação descontrolada”, conclui Cristina.

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