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Alerta: 94% dos medicamentos prescritos a idosos aumentam risco de queda

Van Martins   25 Março 2021   7186   Farmácia Clínica
Alerta: 94% dos medicamentos prescritos a idosos aumentam risco de queda

Recente estudo elaborado pela Universidade de Buffalo (EUA) e divulgado na EurekAlert aponta que 94% dos medicamentos prescritos a pessoas acima de 65 anos contribuem com o aumento do risco de queda de idosos.

Segundo a pesquisa ‘Farmacoepidemiologia e segurança de medicamentos’, de 1999 a 2017, somente nos Estados Unidos, foram prescritos mais de 7,8 bilhões de fármacos que desencadearam risco de queda a essas pessoas. Ao mesmo tempo, o número de mortes decorrentes de tombos dobrou no período.

A maioria das prescrições era de anti-hipertensivos. No entanto, também houve um aumento acentuado no uso de antidepressivos, que passou de 12 milhões de prescrições, em 1999, para mais de 52 milhões em 2017, ou seja, um crescimento expressivo de mais de 333%.

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"O aumento no uso de medicamentos antidepressivos visto neste estudo está provavelmente relacionado ao uso desses agentes como alternativas mais seguras aos medicamentos mais antigos para condições como depressão e ansiedade”, destacou a investigadora principal e associada de pós-doutorado na Escola de Saúde Pública e Profissões da Saúde da Universidade de Buffalo, Amy Shaver.

Amy enfatizou que, também, é importante destacar a associação desses produtos com os riscos aumentados de quedas e fraturas entre adultos mais velhos.

Em vista dos dados alarmantes, ela defende que sejam feitas intervenções para retirar a prescrição de medicamentos potencialmente inadequados entre pacientes mais velhos e mais frágeis, nos Estados Unidos.

Cabe destacar que mesmo quedas mais leves podem ser perigosas para adultos mais velhos. Afinal, quando esses acidentes não são fatais, eles podem resultar em lesões, como fraturas de quadril, fêmur e traumas na cabeça, que, consequentemente, podem reduzir drasticamente a qualidade de vida dos idosos.

Principais medicamentos que incidem risco de queda

Segundo a pesquisa, os medicamentos que aumentam o risco de queda incluem antidepressivos, anticonvulsivantes, antipsicóticos, anti-hipertensivos, opioides, sedativos hipnóticos e benzodiazepínicos (como Valium e Xanax), entre outros.

O estudo também aponta que as mulheres, em especial as negras, são mais propensas a receber prescrições de medicamentos que aumentam o risco de queda, em relação aos homens. Segundo os pesquisadores, as mulheres negras receberam os medicamentos na taxa mais alta em comparação com as mulheres de outras raças.

Por outro lado, as mulheres brancas, com 85 anos ou mais, tiveram o maior aumento nas mortes por quedas, com a taxa expressiva de 160% entre 1999 e 2017.

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O cuidado do farmacêutico na prescrição a idosos

A coordenadora acadêmica do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, e especialista em farmácia clínica e prescrição farmacêutica, Juliana Cardoso traz alguns alertas importantes para os profissionais ao lidar com idosos.

Ela ressalta que os medicamentos que, entre suas reações adversas, têm a diminuição da atividade psicomotora, necessitam de uma atenção maior no acompanhamento farmacoterapêutico. Inclusive, se o paciente for idoso, é necessário que o profissional se dedique mais para promover uma adequada atenção farmacêutica.

“O usuário geriátrico, por diversos fatores carreados pela idade, demanda um maior foco no tratamento farmacológico. Além de normais disfunções metabólicas, gerados pelo tempo, reações adversas a determinados grupos de medicamentos precisam ser sempre consideradas na hora da prescrição ou do acompanhamento terapêutico. Para que o que paciente usufrua da melhor maneira possível da ação farmacológica e, concomitante a isso, não sofra pelo uso dele”, explica a coordenadora.

Juliana enfatiza a importância do farmacêutico em ter um olhar clínico sobre casos específicos do paciente. Entre eles, conseguir identificar os problemas relacionados a medicamentos e suas possíveis reações adversas.

“É responsabilidade do profissional promover a melhor adesão ao tratamento, prevenir situações corriqueiras que prejudiquem o paciente e orientar para que, juntos, paciente e a equipe multidisciplinar da saúde, obtenham uma excelente resposta ao tratamento”, ponderou.

Por fim, a coordenadora reforça algumas das atribuições essenciais que os profissionais devem ter no dia a dia, lidando com pacientes idosos.

“Informações como efeitos secundários, indesejados e alertas sobre tais reações está dentre as atribuições do farmacêutico, visto que o seu foco é o paciente e, em caso de necessidade, o mesmo deve procurar o profissional prescritor para juntos traçarem um melhor plano de ação, prevenindo assim qualquer risco e malefícios a esta classe geriátrica que necessita de tantos cuidados”, concluiu, Juliana.

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