Skip to main content

Anvisa aprova uso do Mounjaro para tratar apneia obstrutiva do sono

UOL   21 Outubro 2025   2039   Assuntos Regulatórios
Anvisa aprova uso do Mounjaro para tratar apneia obstrutiva do sono

Terça-feira, 21 de outubro de 2026

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira, 20, o uso de Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS) moderada e grave para pessoas com obesidade.

O medicamento, aprovado anteriormente para diabetes tipo 2 e obesidade, é a primeira opção farmacológica aprovada pela agência para AOS, doença crônica que afeta cerca de 50 milhões de brasileiros, de acordo com uma estimativa publicada em 2019 na revista The Lancet Respiratory Medicine.

Edilson Zancanella, coordenador do Conselho de Administração da Academia Brasileira do Sono (ABS), explica que a apneia é uma interrupção do fluxo respiratório enquanto dormimos. No caso da apneia obstrutiva, ela acontece pelo estreitamento na região da faringe por conta da mudança de posição da língua e de seu arcabouço estrutural quando a pessoa deita.

"Durante o período em que a pessoa fica sem respirar, há uma queda significativa na oxigenação do organismo. Para o corpo, isso é algo extremamente danoso porque a falta de oxigênio faz com que ele não funcione bem. As células deixam de atuar de forma adequada, o cérebro também passa a não funcionar corretamente, e vários alarmes são disparados no organismo para que a gente volte a respirar", detalhou Zancanella, que também é membro do Conselho de Governo da Sociedade Mundial de Sono.

"Cada vez que eu paro de respirar, esses alarmes são acionados, fazendo com que eu respire novamente, mas o sono se torna fragmentado. Então, a condição traz um efeito significativo na qualidade. Todas as funções reparadoras do sono, de memória, concentração e controle de liberação de hormônios, são afetadas", explicou.

Além disso, os alarmes disparados pelo organismo podem levar ao aumento do batimento cardíaco e da pressão arterial, por exemplo, elevando o risco de enfarte e acidente vascular cerebral (AVC), entre outros problemas.

Segundo Erika Treptow, pneumologista especializada em medicina do sono do Instituto do Sono, os mais afetados pela AOS são homens acima dos 40 anos, e a obesidade e o sobrepeso são alguns dos principais fatores de risco.

"Existem vários motivos para isso acontecer. Um deles é o acúmulo de gordura na musculatura e na região cervical, na parte do pescoço, além da gordura visceral e abdominal, que prejudica o bom funcionamento da respiração durante o sono. A obesidade também pode interferir no controle da ventilação durante o sono", comentou a médica.

Mounjaro e apneia

Historicamente, o tratamento da AOS tem se concentrado no suporte mecânico durante o sono, incluindo terapia com pressão positiva nas vias aéreas (CPAP), fonoterapia e cirurgias.

A decisão de aprovar o medicamento para a condição foi baseada nos resultados do estudo clínico de fase 3 SURMOUNT-OSA, que avaliou o uso da tirzepatida tanto em pacientes que utilizavam aparelhos de CPAP quanto naqueles que não usavam.

O estudo mostrou que o Mounjaro reduziu de forma significativa as interrupções respiratórias durante o sono. No início da pesquisa, os participantes apresentavam cerca de 50 interrupções por hora. Após um ano de tratamento, aqueles que utilizaram o Mounjaro e o CPAP apresentavam cerca de 29,3 eventos a menos, contra 5,5 com placebo, e o grupo que usou apenas Mounjaro apresentava uma média de 25,3 interrupções a menos, contra 5,3 com placebo.

Após um ano de uso, 42% dos pacientes tratados com Mounjaro e 50% dos que usaram Mounjaro junto ao CPAP apresentaram remissão ou casos leves da doença, frente a 16% e 14% nos grupos placebo.

Além de melhorar os sintomas da apneia, o tratamento também promoveu perda de peso. Os participantes que usaram Mounjaro perderam, em média, 20,4 kg (18% do peso corporal), e os que associaram o uso ao CPAP perderam 22,7 kg (20%).

A pesquisa seguiu um protocolo multicêntrico, duplo-cego e contou com 469 participantes de diversos países, como EUA, Austrália, Brasil, China, Alemanha e México.

 

Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo do UOL, com revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

Estágios da vacina contra Covid-19, segundo a Anvisa

Para esclarecer, didaticamente, como se dá o desenvolvimento de uma vacina e o…

Anvisa flexibiliza produção para tentar evitar desabastecimento de medicamentos

Segunda-feira, 22 de março de 2021 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária…

Alerta: Anvisa estabelece controle de novos medicamentos durante a pandemia

Norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece regras de…

Coronavírus: Anvisa recomenda reutilização de máscaras em meio à pandemia

Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a Agência Nacional de Vigilância…

Anvisa atualiza mudanças para procedimentos no Bulário Eletrônico

Terça-feira, 1 de junho de 2021 A partir de 07 de junho, todas as categorias r…

O que é a inteligência regulatória na indústria farmacêutica

Segunda-feira, 6 de setembro de 2021 Para uma indústria farmacêutica se destac…

Anvisa adia votação sobre canetas emagrecedoras manipuladas e amplia debate sobre segurança sanitária

Sexta-feira, 8 de maio de 2026 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária adio…

Alerta: A Anvisa suspende Amoxicilina com partículas de vidro

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento d…

Economista substitui farmacêutica na direção da Anvisa

Sexta-feira, 9 de julho de 2021 O economista Romison Rodrigues Mota passa a co…

Alerta: Anvisa cancela registros de lotes de vacina da Sanofi

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o cancelamento d…