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A farmácia italiana e suas particularidades

Egle Leornardi   29 Mai 2017   43597   Varejo Farmacêutico
A farmácia italiana e suas particularidades

O ICTQ em mais uma de suas realizações exclusivas e inéditas na produção de conteúdos farmacêuticos, vem apresentando a farmácia pelo mundo com novas matérias toda semana. E agora chegou a vez de conhecermos a profissão farmacêutica na bela Itália do velho continente.

O proprietário da 3ª geração da Antica Farmácia del Lazzaretto, o farmacêutico Fabio Moia, de Milão, na Itália, explicou à correspondente do ICTQ, Carmencita Tonelini, como funciona a farmácia italiana.

- O farmacêutico na farmácia

Dentro do estabelecimento o farmacêutico pode desenvolver toda atividade relacionada ao bem-estar e à saúde humana e veterinária, o que inclui a dispensação de medicamentos e serviços como aferição de pressão e análise de sangue. A venda ao público de medicamentos e especialidades medicinais é exclusiva de farmacêuticos e deve acontecer somente nas farmácias, sob a responsabilidade do seu diretor. O estabelecimento deve ter uma estrutura com equipamentos, utensílios, aparelhos, produtos adequados à realização de preparações e ao seu controle.

O profissional pode também fazer preparações magistrais e oficinais, homeopatia, fitoterapia, inclusive as veterinárias.

- Propriedade da farmácia

Na Itália, a abertura de farmácias é exclusiva do farmacêutico. Ela poderá ser dirigida por um farmacêutico não prioritário, em lugar do titular, apenas em três circunstâncias: a) por motivo de saúde; b) obrigações militares; c) por exercer funções públicas.

- Permanência do profissional na farmácia

O farmacêutico titular é obrigado a fazer a gestão direta e pessoal do estabelecimento, ou seja, é necessária a presença do farmacêutico durante todo o período em que a farmácia estiver aberta ao público. Por esta razão, as farmácias italianas fecham no período de férias do farmacêutico.

Por lei pode existir uma farmácia para cada quatro mil habitantes em cidades com mais de 25 mil pessoas. Nas cidades menores, a relação é de um estabelecimento para cada cinco mil habitantes. A distância entre uma farmácia e outra terá de ser superior a 200 metros, medida por calçada.

- Possibilidade de prescrição

Somente o médico está autorizado a prescrever medicamentos no país. O farmacêutico pode orientar o paciente sobre o uso correto do medicamento. Pode dispensar (e aconselhar) somente itens destinados ao tratamento de pequenos distúrbios como descongestionante nasal, laxativos, anti-inflamatórios, cremes etc.

- Localização dos medicamentos no estabelecimento

Os medicamentos ficam todos fora do alcance do consumidor, pois somente o farmacêutico faz a dispensação. A farmácia não pode vender roupas, chapéus, calçados, mas vende alimentos dietéticos, itens veterinários, produtos de beleza e ortopédicos. Há serviços de aluguel de muletas, cadeira de rodas, andadores, autoanálise do sangue (colesterol, triglicerídeos, glicemia, HDL, LDL), tratamento de beleza, análise de cabelo e pele. Também há locais onde se vende sabão em pó para lavar roupas manipulado, sob a alegação de que está relacionado à saúde, pois é um produto biológico sem substâncias químicas.

- Remuneração dos serviços farmacêuticos

Na Itália a população é atendida pelo regime de seguridade social, pela qual recebe os medicamentos de receituário médico. O farmacêutico é remunerado única e exclusivamente por uma margem sobre o preço de venda estabelecido. As despesas com medicamentos, na Itália, correspondem a 21% dos gastos com saúde.

Os serviços pagos são os de análise do sangue e de osteopatia e o profissional pode cobrar ainda por alguns serviços prestados como análise do cabelo, da pele e aferição da pressão. Não há pagamento por consulta farmacêutica, porque esse recurso não é reconhecido no país.

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