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Novo Nordisk testa no Brasil venda direta de canetas emagrecedoras  ao consumidor

Egle Leonardi   03 Julho 2026   810   Varejo Farmacêutico
Novo Nordisk testa no Brasil venda direta de canetas emagrecedoras  ao consumidor

A Novo Nordisk está usando o Brasil como campo estratégico para uma nova frente de atuação: a venda direta ao consumidor de medicamentos indicados para diabetes e obesidade, mediante prescrição médica válida. A iniciativa foi lançada por meio do NovoCare Farmácia, canal online criado em parceria com a AS Medicamentos, responsável pela operação de venda, logística e faturamento em todo o País.

O movimento ocorre em um momento de forte disputa no mercado global de medicamentos para controle de peso e doenças cardiometabólicas. Fabricante de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, a farmacêutica dinamarquesa viu seu valor de mercado crescer de forma expressiva com o avanço das canetas emagrecedoras, chegando a ocupar o posto de empresa mais valiosa da Europa. Com a entrada de concorrentes no segmento, a companhia busca novas estratégias para ampliar acesso, fortalecer relacionamento com pacientes e consolidar sua posição em mercados prioritários.

Compra online terá validação digital da prescrição

No NovoCare Farmácia, pacientes com prescrição médica válida podem comprar medicamentos diretamente pela plataforma. Todo o processo é feito online, com validação digital da receita e integração ao NovoDia, programa de suporte ao paciente da Novo Nordisk.

Segundo Natalia Ortiz, diretora sênior de Marketing da área Cardiometabólica da Novo Nordisk, o canal representa uma evolução natural da estratégia da companhia.

“[O canal de vendas] é uma evolução natural da estratégia da Novo Nordisk. A iniciativa representa um avanço estratégico ao integrar a etapa final da jornada do paciente ao ecossistema NovoCare”, afirma.

A executiva destaca que a nova opção de compra não substitui clínicas, hospitais, distribuidores ou outros parceiros comerciais. “O novo canal funciona como mais uma opção de compra, de forma a complementar o ecossistema atual”, diz.

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Brasil funciona como laboratório para novo modelo

A aproximação direta da Novo Nordisk com os pacientes por meio de um canal próprio de venda foi desenvolvida para o contexto brasileiro. Dependendo do desempenho da iniciativa, a plataforma poderá receber outros medicamentos do portfólio da companhia.

“A intenção é expandir e implantar a venda de outros produtos do portfólio da Novo Nordisk na plataforma no futuro, com tratamentos para outras condições de saúde”, afirma Ortiz.

Para o mercado farmacêutico, a iniciativa sinaliza uma transformação relevante na relação entre indústria, varejo, distribuição e paciente. A venda direta, quando associada a programas de suporte e validação digital, amplia a conveniência, mas também exige atenção a aspectos como rastreabilidade, prescrição, uso racional, orientação adequada e equilíbrio competitivo entre canais.

Programa oferece suporte multidisciplinar

A política de preço do novo canal será mantida em linha com outros canais de e-commerce de medicamentos. A companhia afirma, porém, que pacientes vinculados ao programa de suporte ao paciente já têm acesso a condições diferenciadas.

“Os pacientes têm acesso a preços diferenciados na compra de medicamentos da Novo Nordisk, atendimento online de educadores físicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de enfermagem, além de parcerias com empresas referência em alimentação saudável, bem-estar, entre outros”, afirma Ortiz.

Esse modelo reforça uma tendência de integração entre tratamento farmacológico, acompanhamento multidisciplinar e serviços digitais. Em medicamentos voltados ao tratamento da obesidade e do diabetes, a adesão, o monitoramento e a orientação profissional são pontos centrais para a segurança do paciente e para a efetividade da jornada terapêutica.

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Companhia também mira ampliação no SUS

Além da estratégia no mercado privado, a Novo Nordisk também busca ampliar sua presença no sistema público. A companhia apresentou uma nova proposta à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, a Conitec.

Segundo a farmacêutica, o pedido prevê desconto de 59% para o governo e foi estruturado para atender aos critérios de custo-efetividade exigidos pelo Ministério da Saúde. A empresa afirma que a proposta busca tornar sustentável a oferta do tratamento para obesidade na rede pública.

A iniciativa evidencia que o mercado de medicamentos para obesidade deixou de ser apenas uma disputa comercial entre laboratórios. O tema envolve acesso, orçamento público, protocolos assistenciais, regulação sanitária, responsabilidade técnica e capacidade do sistema de saúde de acompanhar pacientes de forma contínua.

Disputa avança das canetas para as pílulas

Enquanto o Brasil testa novos modelos de acesso digital, a competição internacional avança para outra frente: os medicamentos orais para perda de peso. No mercado norte-americano, a disputa já não se concentra apenas nas canetas injetáveis, mas também em formulações orais.

No Brasil, a eventual venda de uma “caneta em pílula” ainda depende de aprovação da Anvisa. Segundo o material fornecido, o pedido de análise foi feito em 30 de janeiro, sem estimativa oficial de prazo para conclusão.

A aposta da Novo Nordisk no Brasil indica que a próxima etapa do mercado de obesidade e diabetes será definida não apenas pela inovação terapêutica, mas também pela capacidade das empresas de organizar acesso, suporte, canais digitais e relacionamento com o paciente. Para farmacêuticos, gestores e profissionais de saúde, o avanço da venda direta pela indústria impõe uma discussão estratégica sobre o futuro da farmácia, da distribuição e da atenção farmacêutica em um cenário de rápida transformação.

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