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Escalada de assaltos a farmácias termina em m0rt3 de farmacêutica e leva CFF a cobrar ações urgentes

CFF   02 Março 2026   315   Varejo Farmacêutico
Escalada de assaltos a farmácias termina em m0rt3 de farmacêutica e leva CFF a cobrar ações urgentes

A onda das canetas emagrecedoras agravou um problema que já era crônico em farmácias e drogarias, especialmente em grandes cidades como São Paulo: os assaltos frequentes têm deixado comerciantes e trabalhadores em estado permanente de alerta. Na madrugada deste sábado (28/02), um desses crimes terminou em tragédia. A farmacêutica Karina Aparecida Ribeiro de Souza, de 38 anos, morreu em Santana, Zona Norte da capital paulista, durante uma tentativa de assalto que resultou em troca de tiros.

Segundo informações oficiais, um policial civil que estava no local, de folga, reagiu à ação criminosa e houve disparos. Karina foi atingida, chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Os assaltantes fugiram e seguem foragidos. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Outra farmacêutica sobreviveu a assalto na sexta-feira, 27/02, em Ananindeua (PA).  Os assaltantes entraram na farmácia em que ela trabalhava e tentaram roubar uma corrente de ouro de seu pescoço. Atingida com um tiro na cabeça, ela se encontra hospitalizada, mas passa bem. Após a ocorrência, os suspeitos fugiram em uma motocicleta de cor preta. Um dos homens estava portando uma mochila vermelha. As autoridades seguem em busca da dupla, que ainda não foi localizada.

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Problema que se agrava

Os números oficiais reforçam a dimensão do problema. Isso é visível em São Paulo. Entre janeiro e setembro de 2025, a capital paulista registrou 206 assaltos a farmácias, segundo relatório divulgado no final do ano. O número representa um aumento de cerca de 20% em relação ao mesmo período de 2024, evidenciando uma tendência de crescimento nas ocorrências envolvendo esse tipo de estabelecimento.

De acordo com sites de notícias, os criminosos têm voltado repetidas vezes às mesmas farmácias da cidade, a ponto de os estabelecimentos sequer conseguirem reabastecer as prateleiras entre um assalto e outro. Uma rede relata 15 assaltos em oito lojas em um único mês. Em uma delas, um dos ladrões chegou a perguntar ironicamente se o estoque de canetas emagrecedoras que ele havia levado duas semanas antes já tinha sido reposto.

Especialistas em segurança pública destacam que o fenômeno dos roubos de medicamentos específicos é alimentado tanto pela alta demanda quanto pela facilidade de revenda desses produtos no mercado ilegal, o que torna esses itens alvo preferencial de quadrilhas especializadas.

Quem paga o preço

Funcionários de farmácias, muitas vezes trabalhando sozinhos ou com equipes reduzidas, são os que mais sofrem com essa realidade. “A morte da farmacêutica Patrícia Helena Duarte é o exemplo mais recente de um problema que coloca vidas em risco em um ambiente de trabalho que deveria ser seguro”, alerta o presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter Jorge João. “Por sorte não tivemos o mesmo desfecho com a colega de Ananindeua (PA).

Diante dessa situação crítica, o CFF cobra uma resposta firme das autoridades de segurança pública, não apenas de São Paulo, mas também de outras cidades. A entidade tem alertado para a necessidade de medidas efetivas de proteção aos estabelecimentos farmacêuticos e aos seus profissionais, que não podem continuar expostos a uma escalada de violência.

“Além disso, as redes de farmácia, responsáveis pela segurança física de seus pontos de venda, precisam reforçar protocolos, desde vigilância armada e sistemas de monitoramento avançado até treinamento de equipes para situações de risco e parcerias com as forças de segurança locais”, acrescenta Walter Jorge João.

O que está em jogo

O impacto dos assaltos a farmácias vai muito além de prejuízos materiais: há vidas em risco, medo entre trabalhadores e clientes e uma reflexão urgente sobre como políticas públicas e ações empresariais podem, e devem, se articular para enfrentar esse problema. Enquanto isso não ocorre, comerciantes se veem obrigados a mudar suas rotinas, limitar estoques e conviver com o temor diário de uma nova invasão, ou de uma nova tragédia.

“Vidas como a de Patrícia Helena Duarte não podem mais ser ceifadas em episódios trágicos como esse, que expõem a vulnerabilidade de profissionais que atuam no atendimento à população. Faço questão de manifestar a solidariedade do CFF à colega de Ananindeua e aos familiares e amigos de Patrícia Helena, vitimada em serviço à saúde da população.”

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