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EMS planeja vender semaglutida nacional 30% mais barata que concorrentes

Ricardo Valença   01 Junho 2026   2003   Varejo Farmacêutico
EMS planeja vender semaglutida nacional 30% mais barata que concorrentes

Os análogos de GLP-1 mudaram a forma como diabetes tipo 2 e obesidade são discutidos no Brasil. Medicamentos à base de semaglutida ganharam destaque pela melhora do controle glicêmico e pelo impacto sobre a perda de peso, mas o preço ainda dificulta a adesão ao tratamento, podendo estimular a busca por alternativas irregulares, versões falsificadas ou orientações sem base técnica.

Esse é um ponto que afeta diretamente à clínica farmacêutica. Pacientes que utilizam análogos de GLP-1 costumam ter dúvidas sobre aplicação, conservação, efeitos gastrointestinais, ajuste de rotina, adesão, tempo de resposta, associação com outros medicamentos e riscos de uso inadequado. Por isso, quanto maior o acesso a esses tratamentos, maior também será a necessidade de farmacêuticos preparados para acompanhar esses pacientes com segurança.

É nesse contexto que a primeira caneta brasileira de semaglutida, o Ozivy, da EMS, avançou mais uma etapa para chegar ao mercado.

Ozivy terá teto igual ao Ozempic e ao Wegovy

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, a CMED, definiu o preço máximo de fábrica do Ozivy, primeira caneta de semaglutida brasileira aprovada pela Anvisa. A definição do teto é uma etapa obrigatória para que o medicamento possa ser comercializado no país.

O preço máximo sem impostos foi fixado em R$ 803,44 para as apresentações com uma caneta aplicadora, mesmo valor de referência aplicado ao Ozempic e ao Wegovy, medicamentos da Novo Nordisk que também têm a semaglutida como princípio ativo.

Para embalagens com duas canetas aplicadoras, o teto aprovado foi de R$ 1.606,88. Já para as apresentações de 3 ml, o preço máximo sem imposto foi definido em R$ 1.399,72.

Esses valores, porém, não representam necessariamente o preço final nas farmácias. O teto regulatório estabelece o limite máximo permitido, mas a empresa pode praticar valores menores. E esse é justamente o ponto de maior impacto comercial da notícia.

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EMS afirma que pretende cobrar 30% menos

Embora a CMED tenha autorizado um teto equivalente ao dos concorrentes estrangeiros, a EMS informou que pretende vender o Ozivy com preço cerca de 30% menor em relação à concorrência.

Hoje, canetas de menor dosagem de semaglutida podem ser encontradas por valores próximos de R$ 900 no varejo. Com a redução prometida pela EMS, a expectativa é que o preço final possa se aproximar de R$ 630, dependendo da apresentação, da política comercial, da carga tributária e da região.

A empresa informou que deve divulgar oficialmente o preço de mercado e a data de chegada às farmácias nos próximos dias.

A queda da patente da semaglutida e a entrada de fabricantes nacionais podem aquecer o mercado, aumentar a concorrência e reduzir preços. Segundo as informações divulgadas, a Anvisa tinha até o início do ano 17 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida, sendo o Ozivy a primeira aprovação nacional.

Medicamento foi aprovado para diabetes tipo 2

O Ozivy foi aprovado pela Anvisa exclusivamente para o tratamento de diabetes tipo 2. Apesar de a semaglutida ser muito associada ao emagrecimento no debate público, essa caneta nacional não possui, neste momento, indicação aprovada para obesidade.

A EMS está autorizada a produzir quatro apresentações do medicamento, todas com solução injetável de 1,34 mg/ml:

  • cartucho de 1,5 ml com caneta aplicadora;
  • dois cartuchos de 1,5 ml;
  • cartucho de 3 ml;
  • dois cartuchos de 3 ml.

Essa diferenciação é importante para a rotina farmacêutica. A popularização dos análogos de GLP-1 fez com que muitos pacientes passassem a associar qualquer medicamento da classe ao emagrecimento. Na prática, cada produto tem indicação, dose, apresentação, posologia, perfil de uso e aprovação regulatória próprios.

Por isso, a orientação no balcão e no acompanhamento clínico precisa ser precisa. Semaglutida não deve ser tratada como categoria genérica para qualquer finalidade.

Acesso maior aumentará demanda por orientação

A possível redução de preço pode ampliar o acesso de pacientes com diabetes tipo 2 ao tratamento. Esse movimento é importante, mas também traz novas responsabilidades para a prática clínica farmacêutica.

Quando medicamentos injetáveis se tornam mais acessíveis, a procura tende a aumentar. E, com ela, crescem também as dúvidas: como aplicar, onde aplicar, como armazenar, o que fazer em caso de esquecimento, quais efeitos adversos são esperados, quando buscar orientação, como lidar com náuseas, vômitos, diarreia, constipação, perda de apetite e possíveis interações.

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No caso de pacientes com diabetes, o acompanhamento precisa considerar controle glicêmico, risco de hipoglicemia quando há associação com outros antidiabéticos, adesão ao tratamento, sinais de descompensação, hábitos alimentares, rotina de aplicação e uso concomitante de outros medicamentos.

O farmacêutico clínico deve contribuir diretamente nesse processo. Ele orienta o uso correto, identifica riscos, acompanha a adesão, reforça cuidados de armazenamento, esclarece dúvidas sobre a caneta aplicadora e ajuda o paciente a compreender que o tratamento exige regularidade, acompanhamento e mudança de comportamento.

O mercado de GLP-1 exige farmacêuticos mais preparados

A entrada de uma semaglutida nacional no mercado brasileiro mostra que a disputa pelos análogos de GLP-1 está apenas começando. O fim da patente abriu espaço para novos fabricantes, novas apresentações, novas estratégias comerciais e, possivelmente, preços mais competitivos.

Esse movimento pode beneficiar pacientes, mas também aumenta a complexidade do atendimento. A farmácia passará a lidar com mais marcas, apresentações, doses, indicações, expectativas e comparações entre medicamentos.

Ao mesmo tempo, a alta exposição desses fármacos nas redes sociais faz com que muitos pacientes cheguem à farmácia influenciados por conteúdos sobre emagrecimento, antes e depois, promessas rápidas e uso estético. Cabe ao farmacêutico ajudar a reorganizar essa conversa com base técnica, explicando indicação, segurança, riscos, limites e necessidade de acompanhamento.

Em diabetes e obesidade, o medicamento é apenas uma parte do cuidado. O sucesso terapêutico depende de adesão, monitoramento, educação em saúde, manejo de eventos adversos, acompanhamento metabólico e orientação contínua.

Qualificação é essencial para acompanhar pacientes metabólicos

A chegada do Ozivy ao mercado brasileiro reforça uma tendência clara: os análogos de GLP-1 continuarão ocupando espaço crescente na rotina farmacêutica. Seja no tratamento do diabetes tipo 2, seja no debate mais amplo sobre obesidade e síndrome metabólica, o farmacêutico precisará estar preparado para orientar pacientes que utilizam essas terapias.

A Pós-Graduação em Farmácia Clínica de Endocrinologia e Metabologia do ICTQ responde diretamente essa demanda. A formação prepara o farmacêutico para atuar com segurança no acompanhamento de pacientes com doenças metabólicas e endocrinológicas, desenvolvendo competências voltadas à orientação clínica, adesão ao tratamento, uso racional de medicamentos e acompanhamento farmacoterapêutico.

Entre os conteúdos da pós graduação está o módulo de Atenção Farmacêutica em Síndrome Metabólica, que oferece ferramentas para lidar com pacientes diabéticos, obesos e em uso de terapias modernas, como os análogos de GLP-1. A proposta é formar um profissional capaz de compreender não apenas o medicamento, mas todo o contexto clínico, metabólico e comportamental que envolve o tratamento.

Conheça o programa completo da pós-graduação, clicando aqui.

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