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Atendimento clínico farmacêutico melhora qualidade de vida de idosos

Egle Leonardi   01 Fevereiro 2019   9898   Varejo Farmacêutico
Atendimento clínico farmacêutico melhora qualidade de vida de idosos

Entre as prioridades na saúde elencadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) neste ano está o tratamento de doenças crônicas, como o diabetes. Vale lembrar que, só no Brasil, 13 milhões de pessoas são acometidas pela doença.

Prova disso é o caso da idosa O. C. L., de 73 anos, que apresentava uma ferida no pé que não cicatrizava. Ela mesma pediu para não ser identificada. Ela mora na capital paulista e se consultou com a médica angiologista particular, Vanessa G. Timponi, que solicitou que ela procurasse um serviço de saúde nas proximidades de sua casa para fazer curativos diários.

Acatando a sugestão, a idosa foi à Unidade Básica de Saúde, na mesma cidade. Chegando lá, os profissionais da unidade se negaram a fazer os curativos diariamente alegando falta de estrutura.

Procurando a médica novamente, a idosa foi instruída a fazer os curativos em uma farmácia do bairro, todos os dias. Assim, ela foi encaminhada para uma farmácia comunitária próxima.

1. C. L. chegou à farmácia e solicitou atendimento clínico. Foi marcado um horário para ela ser atendida pelo farmacêutico clínico, André Schmidt Suaiden. Ela compareceu no horário agendado, quando foi realizada uma anamnese e o processo de semiologia, quando ela relatou todos os seus sinais e sintomas.

Na anamnese, Suaiden indagou sobre a sua queixa principal, que era a ferida no pé (ulcera varicosa), que não cicatrizava. O farmacêutico decidiu investigar o motivo do processo inflamatório. Assim, foi solicitado que ela levasse à farmácia, no dia seguinte ao da consulta inicial, todos os exames laboratoriais e os medicamentos que utilizava. Ela fez isso.

Diabetes não controlado

Na segunda consulta, ao analisar os exames da paciente e os medicamentos utilizados, Suaiden constatou que O. C. L. era diabética e que não usava os medicamentos de forma correta. Naquele dia, a glicemia da paciente estava 220 mg/dL. Assim, ela foi orientada a tomar de forma adequada os medicamentos para o diabetes.

“Por conta disso, eu solicitei que a paciente fizesse um acompanhamento de glicemia capilar na própria consulta, com o glicosímetro, a cada semana. Assim, ela começou a tomar os medicamentos de forma correta”, lembra Suaiden.

Com relação à ferida, foi feita uma assepsia no local e um curativo. E isso se prolongou por dez dias, todos os dias. No entanto, a úlcera varicosa não cicatrizava, mesmo com o diabetes controlado e os curativos.  Além disso, ela apresentava processo infeccioso na úlcera varicosa.

O.C. L. já tinha uma consulta agendada com a médica. Por isso, o farmacêutico fez um relato por escrito para a profissional explicando a situação da idosa e a constatação de que ela estava usando os medicamentos incorretamente e, por conta disso, o diabetes estava alterado.

“Eu expliquei à médica que havia feito o acompanhamento farmacoterapêutico e que apareceu um sinal de infecção na ferida. Além disso, relatei todos os medicamentos usados na lesão”, lembra o farmacêutico.

A profissional respondeu por escrito que O. C. L. apresentava a patologia insuficiência venosa crônica bilateral com quantidades de varizes mais úlcera. Ela elogiou e agradeceu o tratamento, dizendo que os procedimentos farmacêuticos estavam corretos e foram fundamentais naquele caso.

Diante do diagnóstico médico, Suaiden decidiu estudar a patologia, e foi buscar mais informações junto a um amigo enfermeiro que cuidava de tratamento de feridas. Aquele profissional orientou a usar na ferida uma escova de dentes de bebê para a retirada do pus. Esse enfermeiro também orientou Suaiden a esquentar levemente o soro fisiológico no forno de micro-ondas e, com o auxilio de uma seringa, fazer a assepsia do local. Suaiden fez isso por mais 15 dias.

“O dr. Suaiden me procurou para entender a patologia de O. C. L. Como enfermeiro e especialista em feridas, expliquei a ele como deveria ser o procedimento, e o mesmo o executou perfeitamente. São exemplos assim que nos fazem acreditar no ser humano”, ressalta o enfermeiro, Willian Luís Almeida.

 A infecção cedeu

Após esses 15 dias de cuidados farmacêuticos, a infecção cedeu e a ferida começou a cicatrizar. “Eu relatei o fato para a médica, que agradeceu e elogiou o tratamento. A partir daí, ela começou a encaminhar outros pacientes com o mesmo problema para os meus cuidados. Foi um importante reconhecimento do meu trabalho”, orgulha-se Suaiden.

“Eu avaliei a condução deste caso e considerei a debridação da ferida fundamental. A ação contribuiu para a cicatrização do local. Corretas as condutas do farmacêutico e do enfermeiro”, afirma o clínico geral e gastroenterologia da Unidade Básica de Saúde de Bady Bassit, em São Paulo (SP), Omar Ismael.

Além disso, a própria O. C. L. começou a indicar outros amigos e parentes. Em gratidão, ela tricotou duas blusas de frio para o farmacêutico e deu a ele uma gratificação em espécie. “Apenas o dr. Suaiden conseguiu resolver o problema da minha mãe, não tomamos nenhum medicamento em casa sem falar com ele primeiro. Ele é o nosso farmacêutico”, destaca a filha da idosa, I.C.L.

Além do reconhecimento profissional por parte dos médicos e da valorização do farmacêutico pela paciente e a filha dela, Suaiden ainda foi bem remunerado por seus serviços e com a venda de medicamentos. O.C.L. gastou entre R$ 700,00 e R$ 800,00.

A idosa e a médica indicaram mais oito pacientes com o mesmo problema nos meses seguintes. Cada um gastou, também, entre R$ 700,00 e R$ 800,00. Assim, apenas com nove casos (O.L.C. mais os oito indicados), a farmácia e Suaiden faturaram cerca de R$ 7.200,00.

Ações fundamentais em consulta na farmácia

A farmacêutica clínica e professora especializada em diabetes, Monica Lenzi, descreve quais são as ações mais importantes durante uma consulta de um paciente diabético. Acompanhe.

1 – Verifique se o paciente já possui ou não o diagnóstico de diabetes e se necessário, faça um rastreamento por meio do teste de glicemia capilar.

2 – Avalie os fatores de risco: idade, peso, histórico familiar, avaliação da pressão arterial e sedentarismo.

3 – Execute, no primeiro momento, o levantamento dos fatores de risco e o teste de glicemia capilar para pacientes já diagnosticados e em tratamento.

4 – Avalie como anda o controle glicêmico.

5 – Averigue a existência de comorbidades inerentes ao descontrole glicêmico.

6 – Levante os fatores de risco cardiovascular. Não se pode esquecer que a maioria dos diabéticos apresenta hipertensão e dislipidemia.

7 – Identifique quais são os hábitos de vida do paciente.

8 - Verifique como o paciente aderiu ao tratamento farmacológico e não farmacológico.

9 – Passe à orientação sobre medicamentos. Divida os pacientes em dois grupos, os insulinizados e em uso de medicações injetáveis para controle dos níveis de glicose (Victoza, Lyxumia e Trulicity) e os não insulinizados.

10 – Oriente os pacientes que fazem uso de insulina e medicações injetáveis para controle dos níveis de glicose nas melhores práticas, tais como:

  • Fazer o rodízio do local de aplicação;
  • Escolher o tamanho da agulha;
  • Definir o melhor dispositivo para aplicação (seringa ou caneta);
  • Adequar as melhores práticas para armazenamento e transporte, já que insulinas e medicamentos injetáveis são susceptíveis às variações de temperatura;
  • Orientar sobre a não reutilização de material descartável;
  • Explicar como descartar adequadamente o material perfuro-cortante.

11 – Preste atenção, com relação ao uso de medicação oral, à interação medicamentosa, pois os pacientes diabéticos são polimedicamentados. Com o passar do tempo de diagnóstico, estes pacientes fazem uso de medicações para controle de outras doenças que fazem parte das complicações, como neuropatia, nefropatia, retinopatia e doenças cardiovasculares.

12 – Instrua os pacientes em uso de medicações hipoglicemiantes (insulinas, glibenclamida, glicazida), sobre o risco de crises de hipoglicemia, que podem ocorrer devido à alimentação insuficiente.

13 – Estimule a mudanças de hábitos alimentares, tão necessária para um melhor controle glicêmico. Uma dieta equilibrada deve ser adotada.

14 – Direcione a prática de atividade física. Oriente o paciente na realização de, pelo menos, 30 minutos de atividade, cinco vezes na semana.

15 – Garanta que, mesmo se encontrando com taxas glicêmicas normais, os pacientes não abandonem a medicação prescrita e o tratamento.

16 – Monitore e acompanhe os parâmetros bioquímicos desses pacientes, encaminhando-os a outros profissionais de saúde, que fazem parte da equipe multidisciplinar, quando necessário.

17 - Capacite o paciente diabético a gerir melhor o seu controle, por meio do autocuidado. Oriente-o nas melhores práticas de uso correto das medicações e equipamentos, como glicosímetros e dispositivos para aplicação de insulina (canetas e seringas).

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