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Abrafarma denuncia Rappi à Anvisa por operação irregular de medicamentos em “dark stores"

Ricardo Valença   17 Abril 2026   784   Varejo Farmacêutico
Abrafarma denuncia Rappi à Anvisa por operação irregular de medicamentos em “dark stores"

A atuação de plataformas digitais no varejo farmacêutico voltou ao centro do debate regulatório após a Abrafarma denunciar à Anvisa a operação da Rappi com estruturas conhecidas como “dark stores”. Esses espaços funcionam como pontos de armazenamento fechados ao público, utilizados para agilizar entregas, mas que, segundo a entidade, estariam operando sem fiscalização adequada.

O caso ganhou força após a apresentação de um dossiê com registros de um ponto em São Paulo que, na prática, operava como um local improvisado para armazenamento e distribuição de medicamentos. A denúncia levanta uma questão direta: quem está garantindo que esses produtos estão sendo armazenados corretamente antes de chegar ao paciente?

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Venda digital cresce mais rápido que a regulação

O avanço das plataformas digitais criou um novo canal de acesso a medicamentos, com conveniência e velocidade como principais atrativos. O problema é que esse crescimento não foi acompanhado, na mesma velocidade, por mecanismos de controle capazes de assegurar a qualidade e a segurança desses produtos.

A Abrafarma também alertou para a presença crescente de medicamentos irregulares, falsificados ou sem registro sendo comercializados em ambientes digitais. Sem controle rigoroso sobre origem, armazenamento e transporte, o risco deixa de ser teórico e passa a ser real.

A Anvisa já sinalizou que o tema está em análise e deve avançar com maior celeridade, o que indica que mudanças regulatórias podem surgir nos próximos meses.

O risco não está só no produto, mas no uso

Quando o acesso ao medicamento se torna mais fácil e menos mediado, outro problema aparece com força: o uso sem orientação adequada.

A compra rápida, muitas vezes impulsiva, somada à ausência de acompanhamento profissional, abre espaço para automedicação, uso inadequado e combinação incorreta de substâncias.

O medicamento chega mais rápido, mas a orientação nem sempre acompanha esse processo.

Onde o farmacêutico clínico entra nesse cenário

É nesse ponto que o farmacêutico clínico passa a ter um papel ainda mais relevante. Ele não atua apenas na dispensação, mas na orientação, na análise do perfil do paciente e na prevenção de riscos associados ao uso de medicamentos.

Na prática, isso significa identificar interações medicamentosas, avaliar a necessidade real do tratamento, evitar uso inadequado e orientar sobre posologia, efeitos adversos e duração do tratamento.

Em um cenário onde a compra pode acontecer em poucos cliques, a atuação do farmacêutico se torna uma das últimas barreiras entre o paciente e um possível uso incorreto.

Além disso, o profissional também atua no combate à autoindicação indiscriminada, que tende a crescer quando o acesso ao medicamento se torna mais desregulado.

A diferença entre acesso e segurança está na orientação

Facilitar o acesso é importante, mas sem acompanhamento técnico, o risco aumenta. O paciente pode até conseguir o medicamento com rapidez, mas sem orientação adequada, as chances de erro no uso crescem na mesma proporção.

É nesse equilíbrio que o farmacêutico clínico se posiciona. Ele transforma o acesso em cuidado, evitando que a facilidade se converta em problema.

Capacitação define a qualidade dessa atuação

Com a transformação do varejo farmacêutico e o avanço das plataformas digitais, o nível de exigência sobre o farmacêutico também aumenta. Não basta conhecer o medicamento. É preciso saber interpretar cenários, orientar pacientes e tomar decisões clínicas seguras.

A Pós-Graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica do ICTQ prepara o profissional para esse contexto. O curso desenvolve competências voltadas à avaliação clínica, orientação ao paciente, identificação de riscos e atuação segura dentro dos limites da prescrição farmacêutica.

Em um mercado onde o acesso se torna cada vez mais rápido, a qualidade da orientação passa a ser o principal diferencial na segurança do paciente.

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