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Vendas de marcas próprias estão em alta nas redes de farmácias

Wandy Ribeiro   02 Janeiro 2020   5980   Varejo Farmacêutico
Vendas de marcas próprias estão em alta nas redes de farmácias

De acordo com um levantamento da consultoria Nielsen, as marcas próprias estão em alta nas redes de farmácias. Segundo o relatório, o setor farmacêutico registrou aumento de 43% nas vendas desse segmento de produto, no primeiro semestre de 2019, se comparado ao mesmo período do ano anterior.

O conceito de venda com marcas próprias foi desenvolvido, primeiramente, pelas redes de supermercados, no entanto, o mercado segue crescendo em outro nesse segmento outro varejo. Os dados do estudo mostram que as vendas já representam 2,8% do setor.

Um fator primordial para o aumento das marcas próprias em farmácias está associado ao grande número de fusões entre empresas farmacêuticas, que permitiu às redes ganhar escala nacional. Conforme aponta o levantamento da consultoria, a tendência se concentra, principalmente, em produtos das linhas de beleza e higiene.

A estratégia está interligada ao conceito de custo-benefício. Nas farmácias, o consumidor pode encontrar produtos com qualidade similar aos desenvolvidos por marcas líderes e players de mercado, entretanto, com um preço mais em conta. Para a executiva da Nielsen, Tábata Flores, a ideia desenvolve um diferencial em relação aos concorrentes. 

"O objetivo principal é fidelizar o cliente, então, é preciso ter qualidade. Muitas vezes o consumidor nem sabe que é uma marca própria, mas vai até aquela farmácia buscá-la pela qualidade", explica ela, em entrevista ao jornal O Globo.

Redes que estão lucrando com marcas próprias

Veterana no segmento, a rede Panvel já tem rótulo próprio há 30 anos. No entanto, está aproveitando o bom momento nas vendas dos produtos nas farmácias, para ampliar seu portfólio de submarcas. Ao todo, a companhia gaúcha tem 22 marcas parceiras com 850 intens. A iniciativa corresponde a quase 10% no total de produtos vendidos.

Já a Raia Drogasil, proprietária, desde 2011, da marca Needs, que desenvolve produtos para higiene pessoal, aumentou seu catálogo de submarcas e lançou a Nutrigood, de alimentos saudáveis; a Triss, de acessórios para cabelo e maquiagem; e a Caretech, que tem como foco a tecnologia em aparelhos digitais para a saúde. Ao todo, os produtos desenvolvidos pelas parcerias correspondem a 6% do total de vendas da rede.

“O apelo é ser bom a um preço justo. E conseguimos isso porque temos escala com uma grande rede de vendas, o que nos dá poder de negociação com os fornecedores. E não precisamos gastar com publicidade", comenta o diretor de planejamento da empresa, Eugênio De Zagottis.

Um exemplo internacional de sucesso, quando se fala em vendas de marca própria, é a rede britânica Boots. Em suas farmácias espalhadas por todo o Reino Unido, a companhia comercializa diversos produtos de marcas que são de fabricação própria.

No entanto, vale ressaltar que, no Brasil, os varejistas não produzem. O que está em alta são as parcerias com fornecedores. Para o gerente comercial do Grupo DPSP, dono das redes Pacheco e Drogarias São Paulo, esse movimento está muito ligado à questão da publicidade.

“Para eles [fornecedores] é vantajoso vender em grande quantidade sem gastar com propaganda”, enfatiza o executivo. As tendências globais, como o mercado vegano, por exemplo, também influenciam o surgimento das novas linhas. Em 2019, a Pague Menos lançou uma marca sem insumos de origem animal ou que tenha efetuado testes em bichos.

"Em 2019, revitalizamos as marcas e vimos demanda para um produto sustentável. Estamos buscando diferenciação", finaliza a gerente de Marca Própria da Pague Menos, Ariane Haddad.

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