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Para Anvisa, discussão entre Bolsonaro e Doria não afeta vacina

Marcelo de Valécio   30 Outubro 2020   2148   Política Farmacêutica
Para Anvisa, discussão entre Bolsonaro e Doria não afeta vacina

O diretor presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barras Torres, disse que não vê como a disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo João Doria (PSDB) possa afetar os processos de aprovação de uma vacina contra a Covid-19, segundo o portal Uol.

“Eu não consigo entender porque duas pessoas que não trabalham na Anvisa possam atrapalhar o trabalho da Agência”, afirmou Torres nesta quinta-feira (29/10) em entrevista ao portal. “São autoridades do cenário político e de gestão nacional que estão tendo discussões nacionais”.

Segundo ele, a disputa política entre Bolsonaro e o Doria não afetará os processos de aprovação da Coronavac, a vacina contra o coronavírus desenvolvida pela indústria farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo paulista.

De acordo com o diretor, a “questão política é colocada da porta para fora” da Agência. “Não há motivo de conversa para receber nenhum tipo de orientação (externa) ou de quem quer que seja. Nós inclusive já recebemos aqui o governador do Estado de São Paulo e não teve nenhuma tratativa ou orientação sobre o que a Agência faz”, acrescentou.

“A decisão de compra é uma decisão que será tomada por quem assinar o cheque, e isso não virá de nós”, completou o diretor presidente da Anvisa.

Na terça-feira (27/10), Doria pediu para Bolsonaro “governar o Brasil” e parar de pensar em “interesses políticos e ideológicos”. No mesmo dia, Bolsonaro disse que São Paulo dava um “péssimo exemplo” na questão tributária durante pandemia.

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Ha uma semana, o presidente cancelou o acordo firmado pelo Ministério da Saúde para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, provocando Doria, que defende essa imunização. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, havia anunciado a intenção de compra durante reunião com governadores. “A vacina do Butantã será a vacina do Brasil”, disse o ministro na ocasião.

Bolsonaro, por sua vez, afirmou que só compraria medicamentos com eficácia “comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde (MS) e certificada pela Anvisa”. Segundo matéria publicada pelo site Poder 360, o presidente ainda teria enviado uma mensagem aos seus ministros afirmando: “Alerto que não compraremos vacina da China. Bem como meu governo não mantém diálogo com João Doria sobre Covid-19”, destacou, mais uma vez politizando o tema da saúde.

A expectativa era de que a aquisição ocorresse até o fim do ano, após o imunizante obter registro da Anvisa, e que a vacinação começasse em janeiro. O ministério informou que investiria R$ 1,9 bilhão na compra. O recurso extra seria liberado por medida provisória.

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