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Ministro da Saúde diz que indústria farmacêutica não consegue suprir necessidades do País

Marcelo de Valécio   01 Abril 2021   2692   Política Farmacêutica
Ministro da Saúde diz que indústria farmacêutica não consegue suprir necessidades do País

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que, diante da ‘avalanche’ de casos de Covid-19, a indústria farmacêutica não consegue atender a atual demanda de medicamentos, como os que fazem parte do kit intubação, revelou o Correio Braziliense.

Na visão de Queiroga, o País não possui autossuficiência para dar conta da atual demanda a partir dos contratos tradicionais, mas que trabalha com alternativas, como ajuda privada e internacional, para conseguir superar o gargalo. “É claro que a nossa indústria farmacêutica não tem toda a capacidade para suprir o mercado, diante de uma avalanche de casos que tem afetado o nosso sistema de saúde”, afirmou.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (31/3) após a primeira reunião do comitê de combate à pandemia e ocorre em meio ao desabastecimento de medicamentos e de oxigênio para tratar pacientes com Covid-19. Estavam presentes no encontro o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o presidente da Câmara, Arthur Lira.

Queiroga revelou que o Ministério da Saúde acompanha a evolução dos estoques de medicamentos para intubação “a fim de que haja uma distribuição homogênea entre a saúde pública e suplementar”.

Ainda segundo ele, o suporte, com o objetivo de desafogar a necessidade de trabalhar diariamente no limite dos estoques, será acertado junto à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e ao governo dos Estados Unidos. Na terça-feira (30/3), o ministro se reuniu com o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, e também com o assessor médico chefe da Casa Branca, Anthony Fauci, para reforçar a parceria estratégica entre os países.

As opções discutidas também ocorrem na complementação do oxigênio hospitalar. “Existe a dificuldade do nosso parque industrial fornecer o cilindros que nós precisamos. Estamos trabalhando junto à iniciativa privada”, revelou o ministro, citando a colaboração da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), segundo apurou o jornal.

“Mas isso também tem um limite, porque a indústria precisa de oxigênio para produzir insumos que são úteis à saúde”, completou, citando, ainda, a importação de 13 caminhões tanque para transportar o insumo na forma líquida aos municípios mais distantes.

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Desabastecimento preocupa entidades de saúde

Com o aumento dos casos da infecção causada pelo novo coronavírus, tem havido um forte aumento de demanda especialmente pelos produtos do kit intubação, formado por sedativos, anestésicos, relaxantes musculares e bloqueadores neuromusculares, que deixam o paciente paralisado durante o procedimento de intubação.

Na semana passada, a Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) emitiu um alerta para o risco iminente de falta de medicamentos considerados essenciais e indispensáveis para o tratamento de pacientes com Covid-19, principalmente aqueles internados em UTIs e que dependem de sedação e intubação.

Dentre os medicamentos que podem faltar estão: Cisatracúrio e Rocurônio (relaxante muscular), Midazolam (sedativo), Atracúrio e Tracrium (relaxante muscular usado em anestesia geral), Heparina (anticoagulante) e Propofol e Fenatanila (anestésico).

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Também a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) divulgou carta aberta sobre a falta de medicamentos e solicitou atenção urgente do Governo Federal. “A situação é crítica e, se medidas urgentes não forem tomadas em âmbito nacional, mais pacientes morrerão”, diz o comunicado da entidade.

Para o farmacêutico especialista em farmacologia e professor de Farmácia Hospitalar e Clínica do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico Nelson Belarmino, a situação fora de controle está relacionada a dois fatores principais: excesso de demanda e gestão.

“Há, de fato, um aumento expressivo do consumo de sedativos. Em algumas cidades a demanda aumentou mais de 50 vezes. Isso cria um desequilíbrio no mercado”, assinalou Belarmino, lembrando, porém, que isso não explica totalmente a crise de desabastecimento.

“Assim como em outros setores, mas na saúde é mais crítico, é preciso gestão dos recursos, dos insumos e principalmente dos medicamentos. A redução da oferta não acontece de uma hora para outra. Quando se percebe um aumento da necessidade já se programa a compra antecipada ou, então, no limite, trata de racionar até que se consiga adquirir novas remessas do produto. O que não pode é deixar faltar”, frisa o professor do ICTQ.

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