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Uma nova farmácia

Valmir de Santi   07 Julho 2016   3585   Opinião
Uma nova farmácia

Concorrência, saturação do mercado de trabalho, desvalorização profissional e, ainda por cima, turbulências na economia do País. O cenário atual para as farmácias comunitárias, que são as farmácias que atendem diretamente à comunidade, e para os farmacêuticos que atuam nesses estabelecimentos não é dos mais animadores, certo? Errado. Esse é o lado meio vazio do copo. Quem decidiu enxergar o lado meio cheio nunca viu um futuro tão promissor.

A profissão farmacêutica vivencia um vigoroso e inédito processo de autotransformação, desencadeado por alguns fatos recentes muito importantes. Merece destaque a publicação, pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), das resoluções 585, que regulamentou as atribuições clínicas do farmacêutico; e 586, que regula a prescrição farmacêutica no Brasil. Ambas as normativas foram publicadas em 2013. Outro acontecimento importante foi a aprovação da Lei 13.021/14, que transforma as farmácias e drogarias em unidades de assistência à saúde e consolida a autoridade técnica do farmacêutico nesses estabelecimentos.

Essas mudanças vieram imprimir a receita de um novo modelo de farmácia, que certamente tem contribuído para que o setor se mantenha resistente à crise. Segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e divulgado pelo jornal Valor Econômico, a venda de medicamentos no varejo cresceu 12,34% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, somando R$ 10 bilhões.

A exigência da presença obrigatória do farmacêutico responsável técnico durante todo o tempo de funcionamento da farmácia ou drogaria, reiterada pela Lei 13.021/14, chegou a ser encarada por uma parcela do empresariado como fator prejudicial para os negócios. Um dos argumentos era o de que a exigência legal impactaria em custos elevados, especialmente para as farmácias comunitárias. Mas, em contrapartida a essa situação, outros setores do empresariado já vêm fazendo dessa obrigação um trampolim para alavancar lucros e conquistar clientela. Com o farmacêutico presente e atuando clinicamente no acompanhamento farmacoterapêutico dos pacientes, muitas farmácias estão aumentando o seu faturamento e acumulando cada vez mais clientes – o que melhor, clientes fiéis. E o diferencial desta nova farmácia, com consultório farmacêutico e atendimento clínico, é uma assistência de qualidade, em que o faturamento aumenta na mesma medida em que se promove o bem-estar e a qualidade de vida do usuário de medicamentos que a frequenta.

Como adequar os estabelecimentos farmacêuticos a esse novo modelo e como se adaptar às transformações da profissão é uma das questões que estiveram em debate durante o II Congresso Brasileiro de Farmácia Comunitária, (*) realizado de 10 a 12 de setembro, em Foz do Iguaçu, pela Sociedade Brasileira de Farmácia Comunitária. O congresso reuniu, entre seus palestrantes, alguns dos mais renomados farmacêuticos do Brasil, Portugal, Espanha e Canadá. Entre as presenças internacionais, estavam Hermant Patel, secretário do Comitê Farmacêutico da North East London (Inglaterra); Warren Meek, executivo da Federação Internacional de Farmacêuticos (Canadá); e Carlos Maurício Barbosa, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos de Portugal. Foi uma oportunidade para os proprietários de farmácia e farmacêuticos que atuam nas farmácias comunitárias enxergarem que a sua metade do copo está cheia de água fresca e pura. Prontinha para beber!

Valmir de Santi é vice-presidente do Conselho Federal de Farmácia. O artigo foi publicado no Jornal Gazeta do Povo, de 05 de setembro de 2015. Foram feitas pequenas adequações de tempo do artigo original no último parágrafo.

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