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Vacina brasileira marca avanço científico no tratamento da dependência de c0caín4 e cr4ck

CFF   04 Março 2026   371   Indústria Farmacêutica
Vacina brasileira marca avanço científico no tratamento da dependência de c0caín4 e cr4ck

Um projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pode representar uma virada histórica no combate à dependência química. A vacina Calixcoca, resultado de anos de pesquisa científica, está prestes a se tornar o primeiro imunizante antidroga do mundo a oferecer uma abordagem inédita no tratamento de usuários de cocaína e crack.

A pesquisa, iniciada em 2015 pelo professor Frederico Garcia, da Faculdade de Medicina da UFMG, já superou com sucesso as etapas pré-clínicas, demonstrando segurança e eficácia em testes com animais. Agora, o projeto avança para uma fase decisiva: a preparação dos estudos de fase 1 em seres humanos. "Estamos terminando a preparação dos documentos para submissão na Anvisa para obtermos a autorização para o estudo de fase 1. Este estudo verificará possíveis efeitos colaterais em humanos", explica o pesquisador.

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A previsão é de que os primeiros testes em humanos ocorram em até dois anos, com a expectativa de que a vacina se torne um produto definitivo nos próximos três ou quatro anos.

O mecanismo de ação da Calixcoca representa uma inovação tecnológica significativa. O medicamento induz o sistema imune a produzir anticorpos que se ligam à cocaína na corrente sanguínea, transformando a droga em uma molécula grande demais para atravessar a barreira hematoencefálica, estrutura responsável por regular o transporte de substâncias entre o sangue e o sistema nervoso central. Com isso, a droga não consegue atingir o cérebro e produzir seus efeitos.

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Frederico Garcia destaca que, caso os resultados sejam positivos, o imunizante poderá ser uma ferramenta crucial para a reinserção social de pacientes. "Demonstramos a redução dos efeitos, o que sugere eficácia no tratamento da dependência. Pensamos em utilizar o fármaco para evitar recaídas em pacientes que estão em tratamento, dando mais tempo para eles reconstruírem sua vida sem a droga", afirma.

O desenvolvimento da vacina conta com robusto apoio institucional. Em 2023, a UFMG e o Governo de Minas Gerais firmaram acordo para um aporte de R$ 10 milhões, viabilizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e pela Secretaria de Estado de Saúde. O recurso permitirá a continuidade da pesquisa até a fase 1 de testes em humanos.

A relevância internacional do projeto foi reconhecida com o Prêmio Euro Inovação na Saúde, na categoria Inovação Tecnológica Aplicada à Saúde. A conquista garantiu ao estudo uma premiação de 500 mil euros (cerca de R$ 2,6 milhões), destinados exclusivamente ao desenvolvimento da vacina.

A equipe multidisciplinar reúne especialistas de diversas áreas: além de Frederico Garcia, participam as professoras Maila de Castro (Medicina) e Gisele Goulart (Farmácia), o professor Ângelo de Fátima (Instituto de Ciências Exatas), além dos pesquisadores Paulo Sérgio de Almeida, Raissa Pereira, Sordaini Caligiorne, Brian Sabato, Bruna Assis, Larissa do Espírito Santo e Karine Reis, vinculados ao Núcleo de Pesquisa em Vulnerabilidade e Saúde (NAVeS). A Fundep (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa) também integra o esforço colaborativo, auxiliando na viabilização dos processos de pesquisa.

Atualmente, não existem tratamentos medicamentosos oficialmente registrados por agências regulatórias para a dependência de cocaína e crack. As alternativas disponíveis se limitam a abordagens comportamentais e medicamentos sintomáticos, que visam apenas auxiliar na tolerância à abstinência ou na redução da impulsividade, o que torna a Calixcoca uma promessa ainda mais significativa para a saúde pública mundial.

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