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Pesquisadores testam fármaco para insônia que combate proteína ligada ao Alzheimer

Metrópoles   23 Junho 2025   1677   Indústria Farmacêutica
Pesquisadores testam fármaco para insônia que combate proteína ligada ao Alzheimer

Um medicamento usado para tratar a insônia é apontado como uma opção promissora contra o Alzheimer. Em um estudo pré-clínico, pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriram que o lemborexant é capaz proteger o cérebro de camundongos contra o acúmulo da proteína tau — relacionado à doença neurodegenerativa.

Sabendo da conexão entre o Alzheimer e o sono de má qualidade, os pesquisadores resolveram investigar um medicamento depressor do sistema nervoso central. Os resultados foram publicados no fim de maio,na revista científica Nature Neuroscience.

O que é o Alzheimer?

  • O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas.
  • Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética.
  • É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil.
  • O sinal mais comum no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar.

O lemborexant foi aprovado em 2019 como um tratamento eficaz para a insônia, pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de remédios nos EUA. No Brasil, ele segue em análise pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2022.

O fármaco já foi considerado o melhor remédio para problemas do sono. Uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, mostrou que ele tem o melhor perfil de eficácia, aceitabilidade e tolerabilidade após uma ampla revisão de estudos sobre 36 medicamentos realizados ao longo de 40 anos.

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Remédio para insônia usado contra Alzheimer

O acúmulo de proteínas beta-amiloide e a tau é apontado como um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do Alzheimer. Os medicamentos destinados ao tratamento da doença em estágio inicial atuam especificamente contra a beta-amiloide.

O neurologista David Holtzman, um dos autores do novo estudo, aponta que os remédios disponíveis ajudam, mas não conseguem retardar tanto a doença quanto a ciência gostaria. Por isso, a equipe de pesquisa focou na outra proteína.

Em testes com camundongos, os cientistas da Universidade de Washington perceberam que o lemborexant melhorou a qualidade do sono e reduziu os níveis anormais da proteína tau no cérebro dos animais.

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“Precisamos de maneiras de reduzir o acúmulo anormal da proteína tau e a inflamação que o acompanha, e vale a pena analisar mais a fundo esse tipo de auxílio para dormir”, disse Holtzman em comunicado à imprensa.

Em comparação com camundongos que receberam zolpidem — outro remédio para dormir — ou nenhum medicamento, os que tomaram lemborexant reativaram até 40% mais volume no hipocampo, região essencial para a memória.

“Mostramos que o lemborexant melhora o sono e reduz a tau anormal, que parece ser o principal fator responsável pelos danos neurológicos observados no Alzheimer e em vários distúrbios relacionados”, destaca Holtzman.

Apesar do lemborexant e do zolpidem serem medicamentos para dormir, o mecanismo de indução ao sono é diferente e isso pode ser a chave dos efeitos protetores ao cérebro. Os cientistas explicam que o lemborexant bloqueando a orexina, um neuropeptídeo que regula o sono e o estado de vigília.

Ao desativar geneticamente o receptor de orexina 2, os pesquisadores observaram a redução no acúmulo de tau, indicando um possível envolvimento da orexina no avanço da neurodegeneração.

 

Limitações do estudo

Mesmo com o avanço, algumas questões precisam ser melhor investigadas futuramente, visto que os efeitos protetores cerebrais foram vistos apenas em camundongos machos. Além disso, o lemborexant tem aprovação apenas para uso a curto prazo. Os efeitos do uso contínuo ainda são desconhecidos pela comunidade científica.

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