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Pesquisa farmacêutica brasileira avança com nanotecnologia contra intoxicações graves

CFF   26 Novembro 2025   808   Indústria Farmacêutica
Pesquisa farmacêutica brasileira avança com nanotecnologia contra intoxicações graves

Uma linha de pesquisa conduzida há três décadas pela farmacêutica e professora Eliana Martins Lima, da Universidade Federal de Goiás (UFG), resultou em um método inovador para o tratamento de intoxicações graves. A cientista desenvolveu nanoestruturas capazes de remover do organismo substâncias tóxicas em excesso, invertendo o caminho tradicional que utiliza partículas para levar medicamentos a regiões específicas do corpo.

A tecnologia usa lipossomas, vesículas microscópicas com membrana e núcleo aquoso, preparados para captar anestésicos e drogas de abuso por afinidade química. As partículas permanecem circulando por horas no sangue e mantêm aprisionadas as moléculas tóxicas graças a uma adaptação chamada protonação. Segundo a pesquisadora, o mecanismo reduz rapidamente efeitos neurológicos e cardíacos da intoxicação, permitindo que equipes de emergência estabilizem o paciente de forma mais segura.

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Nos testes com ratos de aproximadamente 250 gramas, cerca de 70% das partículas migraram para o fígado, onde foram metabolizadas e descartadas. Os sinais vitais dos animais se normalizaram em até dois minutos após a aplicação da formulação. Durante os 30 dias seguintes, limite máximo do protocolo, não foram observadas alterações de saúde ou comportamento.

A UFG e o laboratório Cristália já solicitaram a patente da tecnologia. A empresa investiu R$ 6 milhões e se prepara para pedir autorização à Anvisa para iniciar estudos clínicos em humanos. A expectativa é que o pedido seja analisado no primeiro trimestre do próximo ano, com foco inicial na intoxicação por cocaína, substância utilizada nos experimentos com autorização da Polícia Federal.

Segundo a pesquisadora, a formulação também poderá atuar em casos de ingestão excessiva de medicamentos, anestésicos e outras drogas, embora essas possibilidades ainda estejam em fase de investigação. Especialistas destacam que quadros de overdose podem provocar danos neurológicos, alterações psiquiátricas, arritmias, AVC, insuficiência hepática e risco de coma. Estudo da Universidade Federal de São Paulo aponta média de quase mil mortes por overdose por ano no país entre 2000 e 2020.

O Cristália prevê que os primeiros testes clínicos com voluntários ocorram no primeiro semestre de 2026. Para Eliana Martins Lima, acompanhar a evolução da pesquisa até a possibilidade de aplicação prática representa um marco na carreira e um avanço potencial para o atendimento emergencial em saúde.

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