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Novo fármaco pode funcionar como 'vacina anual' contra o HIV

O Tempo   17 Março 2025   1728   Indústria Farmacêutica
Novo fármaco pode funcionar como 'vacina anual' contra o HIV

Um estudo da farmacêutica Gilead Sciences, publicado na revista The Lancet, na última quarta-feira (12), avaliou a segurança e duração de lenacapavir, medicamento de ação prolongada desenvolvido para prevenção e tratamento do HIV no corpo após uma aplicação anual.

O medicamento é uma forma de profilaxia pré-exposição, o conhecido Prep. No Brasil, a única opção disponível é de via oral, que são por meio de comprimidos diários.

"O lenacapavir pertence a uma nova classe de antirretrovirais. Ele é o primeiro dessa nova classe, chamada de inibidores de capsídeo", explica Paulo Abrão, professor de Infectologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e presidente da Sociedade Paulista de Infectologia.

O capsídeo funciona como uma "capa protetora" que envolve o material genético do HIV, que é o RNA do vírus, além de enzimas essenciais para a replicação viral. A medicação age impedindo tanto a formação quanto a dissolução dessa capa, bloqueando assim a multiplicação viral no organismo.

O infectologista afirma que o lenacapavir já foi aprovado na Europa e nos Estados Unidos para o tratamento de pessoas com HIV multirresistente, ou seja, casos em que o vírus não responde a outros antirretrovirais. Além disso, o medicamento vem sendo estudado como uma opção de Prep.

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De acordo com a pesquisa, o lenacapavir tem uma atuação eficaz, mesmo em pequenas doses, para bloquear a replicação do HIV, comparado a outros medicamentos. O que resulta na proteção contra o vírus por um tempo prolongado.

O organismo demora mais tempo para metabolizar o fármaco, que permanece ativo por mais tempo no corpo. Isso ocorre pois a droga é liberada aos poucos na corrente sanguínea, mantendo níveis estáveis por meses. O medicamento é administrado por via intramuscular ou subcutânea e se acumula no tecido, onde é liberado gradualmente.

Além disso, a medicação interfere em diferentes fases do ciclo de vida do HIV, impedindo que o vírus se monte corretamente dentro das células e que seu material genético seja liberado e transportado para novas infecções.

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Abrão afirma que os resultados do estudo mostram potencial para revolucionar a prevenção do HIV, funcionando quase como uma "vacina anual". No entanto, o preço é um obstáculo.

Segundo um levantamento da Oxford Academy, em novembro de 2024, duas doses de Lenacapavir custavam cerca de US$ 44 mil, valor suficiente para cobrir o tratamento de um paciente por ano. O médico diz que, devido ao custo, é "praticamente impossível" implementar o medicamento na rede pública.

O infectologista diz que a empresa responsável pelo lenacapavir tem propostas para facilitar a produção de genéricos para locais de baixa renda, como na África subsaariana e partes da Ásia.

Conciliar os interesses da saúde pública com os lucros é um desafio. Ele cita também que a OMS (Organização Mundial da Saúde) já sinalizou a necessidade de negociações para tornar o tratamento acessível, especialmente para populações mais pobres.

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